Liberta o poeta que há em ti

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"Mudas Mentiras"

Há algo que me afecta nesta sociedade actual,
O facto de que se perca a integridade emocional,
Em que as pessoas preferem manter-se caladas,
ao invés de dizerem a verdade ás pessoas por si amadas.

Não serei o único a achar uma autêntica aberração,
que alguém negue um sentimento, por sofrer pressão
Para escolher alguém que não se tem no coração,
Para agradar a outros que não a pessoa amada em questão.

Ignorando por completo os seus próprios sentimentos,
E ignorando também a pessoa que nos aquece os pensamentos.
Não será contra a natureza, ser-se assim?
Poder falar, mas manter-se mudo no fim? 

De muitos chegarem ao ponto de se esquecerem de si próprios,
Para conseguirem benefícios, sentimentalmente impróprios?
A imaturidade avassaladora que assola o mundo de hoje em dia,
Que em tempos seria impensável, em valores que antigamente existia...

É triste olhar em redor e ver, em muita gente uma vazia expressão,
Com os pares supostamente amados, fingindo muitas alegrias,
E outros tais a aplaudir, algo que não passa de pura encenação,
Aclamando-se e perpetuando, impuras e mudas mentiras...

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Falta de Tempo"

De que todos nos queixamos hoje em dia?
O que é comum a esta sociedade vadia?
O não conseguir uma hora, um minuto,
um segundo, para estar com quem amamos, junto.

Preferimos dedicar-nos a outros assuntos.
Uns ao trabalho, para amealharem pontos,
Junto de gente que só vê meros cifrões,
E mediante quantos temos, tiram conclusões.

Muitas vezes perdemos tempo para quem nos quer bem,
Para quem damos valor, e que sem darmos fé, desaparecem.
Passam a ser recortes de um passado recente,
Levando nos a um presente só, e carente.

E quando olhamos para trás e vemos que a culpa foi nossa,
De nos esquecermos do tempo, que fazemos mossa,
Mossa essa tão grande, que até ganhamos vergonha,
Da nossa vida ser tão triste, quando deveria ser risonha.

As pessoas que nos amam, mas que também fartam-se de esperar,
Que sejamos sinceros com elas, por algo que não conseguem precisar.
Quem de nós nunca perdeu uma pessoa assim?
E se lembrou, que se esqueceu, só no fim?

Será tão difícil ser-se sincero e acutilante quando devemos?
Porque raio pensamos que nunca nos esqueceremos,
de dizer que amamos a quem devemos,
Sem que tempo, não dispensemos?

Aquela pessoa que, não há muito ocupava a nossa mente,
O dia todo, a hora toda, a cada minuto incessantemente...
Arranjamos todo o tipo de desculpas, mas no fim sabemos,
Quem foram aqueles de quem nos esquecemos.

Aqueles que nos fugiram por entre os dedos,
Aqueles que da nossa vida saíram, sem querermos
aqueles que pensamos que inventando um contratempo,
Não se ia queixar da nossa, promovida, falta de tempo?

E não somos capazes de nos culpar...
Afinal foram elas que não quiseram esperar,
afinal foram elas que não quiseram o seu tempo parar,
Para que continuássemos sem tempo para lhes dar.

E  não vemos o quão é egoísta,
Isto do tempo sem fim á vista.
Que remendamos no momento,
e o qual deixamos no pensamento.

Para no fim nos desculparmos com o mesmo,
Da porcaria da nossa "falta" de tempo!


Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
Fracturado

Como um sismo que abre brechas no solo,
Como uma faca que rasga facilmente a carne,
Como uma guerra tira um bébé do seu colo,
Como a tristeza impede que a alegria encarne.

Marcas de guerra que não desaparecem,
Magoas eternas que não se esquecem,
Profundas feridas que a alma esmorecem,
Que retiram o vigor em quem aparecem,

Olho me ao espelho e estou todo marcado,
Desde aos pés, até ás mãos cicatrizadas ,
Marcas invisíveis, que me levam a este estado,
De espirito, cansado, e completamente derrotado
 
Sem força para contrariar o destino e o triste fado,
Do destino que une e separa sem aviso,
Como que se fosse de propósito este mundo de improviso,
Que deixa qualquer homem honesto, como um pano esfarrapado.

Como é que isto aconteceu, como é que me perguntam como tenho passado,
Os dias perdem sentido, as horas são longas e o céu perde o brilho do sol
E admiram-se que fume e que só pense em afogar-me em álcool,
Porque ninguém sente a dor, de uma ferida que não tem fechado.

Tal como a terra fica marcada para sempre com um forte impacto,
Que acaba com tudo de belo, que até ali tinha completado,
E até algo tão duro como rocha se desfaz, como resultado de um maldito pacto,
Entre a noite e o dia, entre uma sina e um fado, tendo como resultado .

Num homem, um completo vazio,
e um coração permanentemente
Fracturado.

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
Dionísio (Mixórdia de quatro quadras e um soneto a Dioniso, deus do excesso - e da mixórdia)


Ergam as taças e cantem,
Vós cansados da Vida!
Cheios de graça se levantem,
Em cima da esp'rança perdida!

...E desfaçam rugas
De obra triste,
Imaginem Musas
De peito em riste!

...E viagem sem destino,
Subam montes à mão,
Corram encostas ao desatino
Vejam tudo uma vez senão.

...E durmam ao relento,
Cobertos de de lua e primavera,
Ouçam os segredos do vento
Ecoar na maior Esfera.

*

Escutem...! O mundo vos pertence,
Ó encardidos de sol solo e lamento.
Sem vós nunca nada jamais vence,
Ó povo, do Senhor o seu alento!

E quem é vivo que se levante e cante,
Uma canção de amor desesperada,
Um rumor de tão forte que encante
A natureza toda, inteira, criada.

Que sejam versos ousados como armadas,
A romper Fortes e fileiras cerradas,
Esfinges que troam, luzem no horizonte,

E no limite do verbo de incendiado porte,
Quando a vista se limpa afinal da morte,
Eis a promessa e é Dioniso ali de fronte!





« Última modificação: Abril 03, 2018, 06:06 am por Goiás »
"When someone describes themselves as a taxpayer, they're about to be an asshole."

                                                      Demetri Martin
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"When someone describes themselves as a taxpayer, they're about to be an asshole."

                                                      Demetri Martin
"Desejo"

Já vão alguns dias desde que saíste para não voltar.
É estranho voltar a ter uma rotina tão só, tão triste,
Chegar a casa e não ter quem ouvir e conversar,
Pergunto-me no sofá, varias vezes porque partiste.

Penso onde raio é que nos desviamos um do outro,
Onde é que as nossas bússolas seguiram "nortes" opostos,
Será que tu, pequenina, encontraste felicidade noutro?
Será que te falhei, que não percebi os teus sentimentos expostos.

O que é que não vi... o que é que não percebi?
Procuro na rua, na cidade, noite dentro, uma razão
Uma falha, o momento em que me distraí,
E que arrancou da minha, a tua mão...

A brisa marinha traz me desgosto, e deixa-me maldisposto,
Porque me leva a rever memorias em que sorrimos de alegria,
e em que partilhamos tristezas, e que me deixam descomposto.
Queria beijar-te mais, queria ver-te sorrir mais, queria...

Queria encontrar-te mas não posso, porque te prometi,
Deixar-te seguir o teu caminho, deixar-te pensar sozinha,
Passeio pelo parque onde, pela primeira vez te vi...
E vem á memória o nosso primeiro beijo pequeninha...

Sento me no banco, onde se passou esse momento,
E como choro, e me caem as lágrimas, revendo-os,
Parece que nos vejo aos dois aqui, através do pensamento,
E sei que a dor no peito, é por saudade de revive-los.

Uma dor que ecoa, como um grito por uma montanha,
Através da minha pessoa, que me leva a não dormir,
Porque de mim, tu eras a minha mais bela façanha,
E a tua falta, traz me o peso de um grande menir.

O frio que sinto, mesmo no sol radiante não desaparece,
O teu calor tímido, o teu rosto redondo, o teu perfume.
O teu toque, que da minha mente não sai, nem desvanece!
A dor de cabeça forte, que não me larga, por mais que fume...

E na praia, sentado, mirando o oceano e o céu estrelado,
Desejo que fosse verdade aquilo da estrela cadente,
E que vendo uma, se tornasse verdade o desejado,
De te poder voltar a ter a meu lado, de repente...

Não é racional, mas só quero o teu beijo,
Sentir o teu corpo, suave, frágil e lindo,
Acordar-te de mansinho, e ver-te, sorrindo...
Só mais uma vez, é isso que desejo.


« Última modificação: Abril 08, 2018, 23:29 pm por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Cabelos azuis, olhos castanhos"

Fiquei apanhado completamente por ti,
Desde o primeiro dia em que te vi,
Baixinha, engraçada, a simpatia em pessoa,
E com um olhar que ainda hoje me assola.

Olhos castanhos, nada de outro mundo dizem,
Mas que espelhavam toda a tua persona,
Intrigante, cativante, daqueles que de nada fogem,
Mas que deixam perceber além do que está á tona.

A conversa era fácil, inteligente e fluída,
E que nunca deixava de ser entretida,
Conversamos largos minutos, sem que dessem por nós,
Quase como se naquele espaço de tempo estivéssemos sós

Depois de trocarmos números, raramente teclamos,
Ambos apreciamos conversar pessoalmente,
Pelo que o telefone só servia para combinar-mos,
Um café onde nos conhecíamos mutuamente.

Onde nos conectávamos incansável e incessantemente,
Onde é que estávamos? porque éramos estranhos?
Quando foste embora, ficou me na memória, permanente,
O dia em que conheci, os teus cabelos azuis e olhos castanhos...


Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"O que cada um deseja..."

Passeava um dia destes pelo jardim,
E com as memórias a invadir-me...
Parecia ser mais um dia triste sim,
Desde decidiste "despedir-me"...

No entanto tocou o telemóvel,
E eu descrente, atendi...
E o coração pareceu imóvel,
Mal a tua voz reconheci...

Tinhas algo par me dizer finalmente,
Após tanto tempo sem nos falarmos,
Apanhas-te me desprevenido de repente,
Vinhas ter comigo, para conversarmos...

O meu coração ficou inquieto,
Não conseguia conter a ansiedade,
fixei o olhar num pequeno insecto,
sem saber se era tristeza, ou felicidade.

Aí chegaste ao pé de mim,
Surpreendeste-me pelas costas
E reconheci-te a camisola de cetim,
E percebi que ia ter respostas.

"Estás muito bonita pequeninha"
Que saudades desse sorriso, pensei
Timidamente sentaste á beirinha,
O Silencio foi ordem, de quem não sei.

As lágrimas começaram a cair-te pelo rosto,
quase que de forma instantânea,
E abracei-te de imediato, descomposto,
De forma rápida e instantânea.

Perguntava-me o mesmo dos outros dias,
Mas que raio é que nos aconteceu?
Depois de te recompores, percebi ao que vinhas,
E a tristeza invadiu-me, parecia que anoiteceu...

Limpei-te as lágrimas, sorrindo, ao mesmo tempo
que te passei o polegar pelos teus lábios meigos,
"Que me queres dizer, depois deste momento?"
Tocaste me na face com os teus dedos perfeitos...

Antes que pudéssemos falar, algo incrível aconteceu,
Os nossos lábios encontraram-se, e afastei-me...
Não falamos verbalmente, mas ambos sabíamos o que nos deu,
pois ambos sentíamos falta, eu do teu beijo, e tu do meu...

Deixaste-te cair nos meus braços, enquanto me pedias desculpa,
por te teres ido embora, sem me teres dito nada, e interrompo-te
passando o dedo sobre a tua boca, disse-te que não há culpa,
Foi necessário para ambos- disse abraçando-te.

tive saudades de te ter no braços, de te acariciar os cabelos,
Procurei-te silenciosamente á noite pela cidade, em todos os cantos,
Mas não te incomodei, pois percebi, quantos momentos belos,
Partilhei contigo, e como não quero perder os teus recantos.

Aches tu que são feios, para mim não há nada mais bonito,
Mesmo que não aches, só o teu toque me satisfaz,
Mesmo que não acredites, no que te está a ser dito,
Só o teu beijo me trouxe calma, me trouxe paz

Ter a tua mão aqui agarrada a minha,
Sabes quanta felicidade me trás?
Sabes como me senti quando percebi que estavas atrás?
E foi a tua vez de me limpar a lágrima desta face minha.

O teu olhar carinhoso, o teu beijo ternurento,
O teu corpo suave, o teu toque meigo,
Fizeram me tanta falta, a todo e qualquer momento...
E a falta do teu amor, tirou o quente o meu "abrigo"

Passas-me tu a mão sobre os lábios,
E sós naquele parque, partilhamos vários
E quentes beijos, pequei-te ao colo sem deixar,
de os teus lábios, dos meus, se afastar.

E as lágrimas que nos corriam, eram diferentes,
A noite parecia dia, a chuva parou e ali ficamos,
Chegamos tristes, partimos mais que contentes,
Quando nos amamos de verdade, lutamos...

Para que o fim não o seja.
Para não ignorarmos,
E somente amarmos-nos
sendo o que cada um deseja...



Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
Ao longe o chorar
Do lampião derrotado
Desta vez não soube roubar
Perder foi o seu fado

:mrgreen:
"Palavras preciosas"

Hoje em dia existe um grande chavão,
"Acções valem mais que palavras"...
Não é que discorde totalmente não,
acho que não ouviram as certas...

quem não se lembra de conversas,
com saudade, ou raiva, se forem adversas,
Mas que em certos dias marcaram o ser,
permanente, seja por alegrar, ou por doer.

Eu recordo mais certas palavras que acções,
Umas que me ajudaram imenso a crescer,
Outras que, em momentos, me fizeram esmorecer,
Mas que fazem parte de todas as minhas recordações.

Recordo as palavras de carinho da minha avó,
Bem como as que dizia, quando lhe dava dó.
Recordo as da minha mãe quando me esmurrava,
Como me acalmavam sempre que chorava...

Relembro as do meu avô, quando passeávamos,
De mão dada, pela rua em que tudo era enorme,
Trazem-me memórias em que tudo reparávamos,
Mesmo enquanto essa memória já não é uniforme.

Mas as palavras que mais me lembro
foram as que me disseram um certo dia,
ao ouvido, num qualquer mês de Novembro,
e que sempre me enchem de alegria.

Lembro-me de prometer que não me esquecia,
Lembro-me de te pedir para os olhos fechares,
Para não veres o quanto por dentro tremia,
Quando te beijei com medo de não gostares.

E o que me disseste ao ouvido no momento a seguir,
"Mas achavas mesmo que eu ia fugir?" disseste a rir,
E eu embaraçado, envergonhado até ao tutano,
e tu beijaste me outra vez, senti-me um espartano!

e as palavras mais que me disseste naquelas horas,
ao ouvido, após esse momento de apoteose,
Pareceu que estava sobre autentica hipnose,
"Eu amo-te!", são até hoje as mais preciosas...

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Porco Alentejano"

Do Alentejo és Rei e Senhor,

A tua carne é por todos estimada,

Estás à mesa no frio e no calor,

És toucinho, linguiça e papada.
Soneto do Amor Total

“Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude”.

Vinicius de Moraes
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Sente-te"

Estes tempos são daqueles,
Em que estava tudo bem e,
De repente fica tudo reles,
È aí em que te levantas e,

Ainda te mandam mais abaixo,
E fazem com que te achem lixo,
Fazem de ti patinho feio, um bixo
Querem calcar-te, fazer-te mais baixo.

Cospem no que, e em quem amas,
Destroem o que estavas a construir,
Fazem isto tudo as claras,
E ainda se ficam a rir.

Cabe-te a ti fazer força de fraquezas,
Combater de dentro para fora,
Os teus quês e incertezas,
E expulsar daí todas as maleitas

Deixa de estar nesse estado comatoso,
E começa a acordar e a levantar-te,
Sacode da cabeça o pó preguiçoso,
Respira fundo e Sente-te!

Sente a revolta a percorrer as veias,
Daquele tipo que embrulha aranhas em teias.
Dá um murro na mesa e mexe-te, mobiliza-te
Já chega de anestesia Sporting, SENTE-TE!!!

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
Onde andas Verdade?

Vivemos num mundo, cada vez mais abstracto
A bater no fundo,e sem abrandar,de facto.
O povo é burro, e enganado facilmente,
E a cada dia que passa, torna-se mais aparente

A imbecilidade que permite destruir vidas,
A passar por entre os pingos da chuva,
Sem se molhar e sem grandes corridas,
Para quem só quer é sumo de uva...

Agora já nem se esconde, aquilo que outrora era alvo a abater,
Tornou-se agora numa moda, a que todos aderem a correr...
Tu és roubado, já não és coitado, nem o bandido condenado,
Tornas-te tu assim ladrão, pois de crime passou a um estado.

Um Estado de excelência, vigoroso e respeitado,
Que todos agora seguem religiosamente,
Pois já é mais comum ser ladrão efectivamente,
Do que trabalhar e ser-se honrado.

Filhos roubam pais, e avós roubam netos,
Irmãos matam irmãos, e Mães vendem sexo,
A sociedade, cada vez mais deslumbrante e sem nexo,
Permite tudo, a quem por nada luta, a ineptos.

Promulgam-se criminosos, e exultam-se ditadores,
Idolatram-se pulhas, criminalizam-se incómodos seres,
Que sozinhos ainda lutam pelo acordar p'rá realidade,
Mas de nada vale, nesta suja moribunda comunidade.

Propaga-se a ideia, que é mais fácil ser-se assim,
Disseram-te "Se não os venceres, junta-te a eles!",
Tantas vezes, desde pequeno, tanto a ti como a mim,
E assim se foi perdendo o rumo, perpetuo, sem fim.

As pessoas garantem agora, que são mais imbecis do que formigas,
De quem nos riamos, enquanto esburacávamos os seus reinos,
Perdendo foco de que, enquanto o fazíamos, sendo pequeninas,
Uniam-se todas, para se tentarem salvar desses maleitos.

e dizem vós "Mas f***-** são formigas!",
Enquanto apunhalam mais um amigo,
Para roubar as poucas migalhinhas,
Resultado do seu esforço, do seu afinco.

Mas está tudo bem, numa sociedade que goza com animais,
Que não possuindo as nossas capacidades intelectuais,
Se mostram mais, inteligentes, mais iguais,
Pois não têm ganância, pois sabem que juntos são mais.

E nós do alto da nossa prepotência,
Sem nos apercebermos do caminho pro fracasso,
O que não obtemos nós próprios, com coerência,
Obtemos usando e abusando dos mais fracos.

E é normal, que estejamos condenados a extinção,
Auto-provocada pela nossa única estupidez,
Espero eu que não, levemos os restantes seres de vez,
Com a ganância e prepotência, impulsionando essa acção.

Mas somos inteligentes, avançados em sociedade,
Mas a quem enganamos, ou queremos enganar?
Afinal, não sabemos mais nada não é verdade,
e continuamos a achar, que o fim não vai chegar.

Mas o que é verdade, neste falso mundo?
Na mais corrupta mundana sociedade,
Que não para de se matar nem um segundo,
Em busca da mais fútil e capitalista felicidade.

Platão, Arquimedes, e outras grandes mentes,
Tentaram incutir um ser racional, mas pensante,
Diferente do resto das espécies, um ser errante
E sai no fim, uma sociedade competamente aberrante.

Onde erramos? Onde divergimos?
D'um futuro sustentável e brilhante,
Como raios conseguimos,
Este nosso resultado aberrante?

Até as formigas que pisamos, a bel-prazer
Nos mostram como deveria ser,
a bem estruturada a sociedade.
e não neguem tal verdade.

Só se vê m****, e ela é tanta,
que tomou conta de nós com a idade,
E são poucos que ainda se preocupam,
Perguntando onde andas tu, Verdade?

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Forasteiro"

É dia, acordo e sacudo o pó das calças,
lavo a cara, visto a camisa, e calço-me.
Olho o horizonte, está escuro como o caraças,
Agarro a mochila e levanto-me.

Para onde vou hoje?
Será que arranjo abrigo?
Será que vou longe?
Será que vou encontrar algum perigo?

Inquietações que invadem a mente,
enquanto me escapo do mar,
Volto-lhe costas e caminho sem destino,
vou onde o vento me levar.

Observo a natureza, e as pessoas, neste caminho.
Tento conhecer os animais que se cruzam comigo,
enquanto estes me miram, e avaliam devagarinho,
Procurando se lhes represento algum perigo.

Estão no seu direito, a medida que invado o seu território,
Eu viajo só, como um ser errante num mundo mecanizado,
Sem seguir nenhum trilho, ou caminho do reportório,
em busca de algo, procurando um sentido apaziguado.

Estou farto deste mundo de mentiras,
prefiro conviver com animais selvagens,
a apertar a mão a pessoas de intrigas,
onde integridade e respeito são miragens.

Os animais são aquilo que mostram,
se não gostam não escondem,
se correm perigo respondem,
e protegem sempre o que gostam.

Não agem por puro interesse,
Não matam por diversão,
Não sofrem de stress,
Não conhecem a pressão.

Quando me perguntam quem sou eu,
Respondo sempre que sou ninguém.
Barba grande cabelo escuro como o bréu,
Viajo de dia, e a noite tenho de tecto o céu.

Escolho viver assim,
Completo e isolado,
sentindo-me vivo,
e não um peixe dourado.

Não ando as voltas,
Não volto atrás,
Em frente seguem as botas,
e as memórias seguem de trás.

Conheço outros como eu nesta jornada,
que se fartaram de uma vida de nada,
vazia de sentido, seguindo a manada,
Todos com uma história única de caminhada.

Casa ás costas, como lâmpadas tenho as estrelas ,
e as nuvens como génios que ouvem os meus desejos,
Sem julgar seja o que for em qualquer, sem rodeios,
e a lua como holofote e guia pelas vielas.

Procuro apenas conhecimento, próprio e de outros,
Escrevo versos num papel para registar emoções,
E guardo objectos que me são neutros,
e que me fascinam pelas suas imperfeições.

Não me lembro o que é um carro,
Não me lembro de uma discussão,
não tme lembro de levar com um ser escarro
Nem me lembro de comprar uma refeição

Tudo o que vou tendo, nesta minha jornada,
é me oferecido, é encontrado, mas nada é vendido.
São tecidos trabalhados, e não fabricados,
E o cajado é um verdadeiro melhor amigo.

Embarcar nesta viajem fez-me entender a razão,
pela qual abracei este muito unico modo de vida,
Sou um ser Humano, e não uma alma perdida,
E vivo, sinto, corro, vagueio, percorra a experimentação.

Não ouço ninguém a reclamar quando me engano,
Não sou pressionado para fazer coisas em determinado tempo.
Deito me todos os dias sem me preocupar com o quotidiano,
e não, não possuo qualquer tipo de tristeza, ou arrependimento.

Recuso-me a aceitar outro modo de vida,
Que me compra toda a vida por inteiro.
Vivo, sinto, sem qualquer tipo de corrida,
Sempre como um mero errante forasteiro...

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"