Escolher sempre o pior — Mais que apanágio nosso, um desígnio nacional

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Há muitos anos que Portugal tem uma tradição de masoquismo, desresponsabilização e orgulho na incompetência. É uma forte doença auto-imune que está imbuída no código genético social português.

Não indo muito longe no tempo desta velha nação, porque levar-nos-ia a pensar quando começou este gosto pela auto-destruição, façamos uma retrospectiva histórica:

Quando Portugal precisava reformar a sua agricultura e recursos florestais, toca a transformar o país em trigais e eucaliptais até esgotar os solos.

Quando os outros países descolonizaram o Ultramar, nós decidimos ir para Angola depressa e em força entregar o sangue dos filhos da nação em troca de coisa nenhuma.

Quando toda a Europa Ocidental se democratizava, decidimos trocar uma ditadura de direita por uma de esquerda.

Quando Portugal precisava valorizar os recursos naturais, opta pelo betão e em força. Dizia-se então que o estatuto de uma cidade se media pela altura do edifício mais portentoso (leia-se mamarracho com gaiolas, ex: Prédio Coutinho) — construído no sítio mais impróprio possível, sempre!

Quando Portugal precisava de renovar a Marinha, compra 45 caças F16 em 2ª mão, para caçar em pleno ar não se sabe bem o quê, melros talvez.

Quando os outros países da Europa decidiram apostar na ferrovia, Portugal e o seu gémeo oriental (Grécia), ao arrepio de toda a Europa, mas profundamente "iluminados", optam pelo asfalto.

Quando o Alqueva já estava obsoleto (porque o Alentejo afinal já não era o celeiro de Portugal), opta-se pela sua conclusão, com as consequências nefastas que teve para os vinhos do Alentejo.

Quando Portugal necessitava de lanchas rápidas para controlar a vasta ZEE, eis que se compram dois submarinos para brincar às escondidas no mar.

Quando Portugal precisa recuperar a sua economia, faz protocolos com a China para destruir todo o seu comércio e resolve construir um novo aeroporto e um sistema ferroviário específico de classe luxuriante.

Quando Lisboa está entulhada de carros, planeia-se uma ponte gigantesca com 3 faixas rodoviárias em cada sentido, mesmo no meio do Tejo com as nefastas consequências para o património paisagístico que se conhecem.

Quando Portugal tem 144 camas no Alcoitão para doentes em reabilitação profunda e os hospitais não dão conta do triste panorama da saúde, constroem-se 10 estádios de futebol com as consequências que se conhecem.

Nesse processo dos estádios, está envolvido Godinho Lopes, conhecido "artista" que, depois de lesar o estado em €25M, embora ilibado por falta de provas (mas não absolvido), cai de pára-quedas no Sporting e é o sinistro responsável pelo desastroso processo do novo estádio José Alvalade, processo do qual se orgulha, note-se.

Quando o Sporting é a maior potência do Atletismo nacional, ao desastroso processo de planeamento do estádio (entregue pelo "artista" a um conhecido lampião de má fama e conhecido péssimo gosto artístico) subtraia-se então todo o equipamento da modalidade mais forte do clube, em detrimento de uma maior proximidade do público ao relvado, dizia-se — mas que acaba gorada com a adição de um fosso. Como pièce-de-résistance, decore-se o Sporting, a sua imagem e a sua casa da forma mais foleira possível.

Quando o Sporting se encontra no fosso a que os primazes da arte burlística o remeteram, que melhor opção senão coroar de glória o "artista" Godinho Lopes?

Portugal não tem espelhos em casa. Portugal escolhe sempre a pior opção e orgulha-se disso, faz gala de ser parvo e... orgulha-se disso, com um sorriso tolo na cara. Portugal olha para a Europa e, ou intelectualmente desonesto ou simplesmente em negação, gaba-se que é parvo mas que tem bom coração. Mas nem para si mesmo é bom.

E o Sporting não escapa a este desígnio nacional.

"Mau perder" dirão alguns? não, é mais a frustração de lidar com pessoas que se orgulham da sua pequenez. Porque perder não se perdeu, a não ser uma oportunidade de ouro. Houve apenas uma jogada de xico-espertismo para perpetuar a tacanhez e o obscurantismo auto-destruidor.

Mas em Portugal e no Sporting os dias da tacanhez estão contados. Chegará o ponto em que o bolor que corrói as estruturas desta nação terá um bafiento cheiro tão insuportável que a mudança será inevitável e inexorável.
« Última modificação: Abril 19, 2011, 21:57 pm por Viridis »

O Sporting é nosso outra vez !
Exactamente o que penso, estou fartode corjas neste pais.
Sporting C.P.-1906--1997
Sporting C.P. S.a.d-1997--??
"tudo isto existe... tudo isto é triste... tudo isto é fado..."
   E quando não escolhe o pior, impingem-lho...

   É por isso que vale a pena lutar e acreditar... ou então virar costas e partir de vez...
Onde assino?

Está nas nossas mãos criar uma nova geração! :great:
Muito bem@Viridis :great: :clap: :clap:

O SCP tem de facto muitas semelhanças com o alegre Portugal, do faz de conta.

Há um vírus maligno instalado no Clube, de uma estirpe "óssea", acarneirada!

Ainda não foi desta que se caíu na real.
Será que haverá uma próxima?
Temo que quando houver poderá ser tarde.
QUERO    UM   SPORTING
CREDÍVEL  -  LIMPO  -  AMBICIOSO
Fantástico texto Viridis, quase todos os dias tenho discussões sobre este paralelismo entre Sporting e Portugal e respectivo masoquismo de ambos.
[/71%: VOCÊS SÃO PIORES QUE LAMPIÕESb]
 :arrow:

Já está no meu blog com os devidos direitos de autor.
Muito bom texto, Viridis!  :great:

Gostaria apenas de salientar que isto de "ser diferente" tem algo que se lhe diga...

É que o Sporting, ainda assim, está melhor que o país.
Basta ter em conta que num sistema verdadeiramente democrático (1 pessoa - 1 voto), o Sporting teria outro presidente.
E até penso que, neste caso, foi por vivermos num país destes que o Sporting não tem outro presidente.

SL


Excelente texto Viridis! :clap: :clap: :clap:
Xbox Live - Luis1906
Fantástico. :clap:
5 estrelas, Viridis.

Muito bom mesmo. :great:

É a nossa realidade, triste mas real, ano após ano, após ano, após ano....
Excelente
Só não te dou razão no caso da ditadura de esquerda. Nunca existiu, ainda que tenha sido uma possibilidade
Muito bom este texto, revejo-me completamente. As pessoas parece que andam com os valores virados do avesso, *** quem gosta de coisas medíocres bate bem da tola? Eu abominarei sempre a mediocridade. Será que existe alguma doença para quem não sabe destinguir o bom do mau? Perderam a lógica das coisas...esta doença deve reinar em muita gente deste país, peço aos cientistas que estudem este novo fenómeno. É como este país, eleger duas vezes um gajo que diz N vezes que o País não precisa de ajuda externa e em Maio o estado já não tem dinheiro...ainda ficou em 2º lugar numa ultima sondagem...não admira sermos gozados lá fora, já não posso mais com este povinho tacanho que só se sabe queixar mas os " sócrates, os roqueteiros..." continuam a ser os maiores!  :wall:
Concordo com muitas das frases do post, mas não resisto em chamar a atenção para um pormenor curioso: o texto carrega em si próprio um vício, esse sim, verdadeiramente característico da alma lusitana. É que Portugal, como entidade abstracta, não existe; e o Sporting também não.
Portugal são os portugueses e o Sporting são os sportinguistas.
Se o país está na situação em que está e o clube como sabemos, isso deve-se, exclusiva e respectivamente, aos cidadãos e aos associados. Ponto final.
Por isso é que não estou tão optimista como tu.
Não foi o Povo que escolheu gastar mil milhões em submarinos, mas foi o Povo que escolheu os decisores.

Se o País não produz bons políticos e o Clube não gera dirigentes competentes, a razão está na mediocridade das suas gentes.
Por outras palavras: no final, acabamos sempre por ter aquilo que merecemos.

Posto isto, caro Viridis – e desculpa o preciosismo – para tudo ficar mais claro, onde se lê Portugal dever-se-á ler “portugueses” e onde se lê Sporting devemos lembrar-nos de todos nós.
Isto só lá vai quando deixarmos de sacudir a água do capote, que é como quem diz, quando assumirmos as nossas responsabilidades. Responsabilidades enquanto cidadãos, responsabilidades enquanto verdadeiros adeptos.
Se assim não fizermos, podemos passar o resto das nossas vidas a praticar o verdadeiro desporto nacional, que é apontar o dedo. Seja a quem for, apontar sempre o dedo e, preferencialmente, nunca com um espelho no horizonte.
^ Concordo bastante com o teu ponto de vista.

Pessoalmente já me cansei um bocado de tentar empurrar as pessoas, convencê-las a dar o passo em frente. Sou muito insistente e tento sempre levar as pessoas a pensar.

Às vezes já só me conformo em ficar, pelo menos, de consciência tranquila. Por exemplo, sei que ninguém liga patavina à separação do lixo. Eu faço desde que começou em Portugal e, apesar de saber que ninguém liga a isso e de que serve de pouco, fico em paz comigo mesmo.

Em tudo nunca descanso... enquanto não ficar descansado, passe a redundância. Sou um bocado obstinado.