MST sobre MRT

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Uma visão lúcida vinda de um "outsider":

Miguel Ribeiro Teles compreendeu o que Dias da Cunha não compreendeu: que, na sua ânsia de combater moinhos de vento, o presidente do Sporting acabou a selar um pacto contra o próprio inimigo por ele identificado— o tal de «sistema». Em todas as 22 jornadas que a SuperLiga deste ano leva disputadas, o Benfica tem apenas uma eventual razão de queixa de um árbitro, e nem sequer se pode falar propriamente de um erro, mas de uma má visualização por parte do fiscal de linha: a célebre jogada contra o FC Porto, no jogo da Luz, em que a bola terá entrado por completo na baliza de Baía. E nada mais: todos os outros lances duvidosos ocorridos em jogos do Benfica, ao longo das restantes 21 jornadas, foram decididos a seu favor. Quando Dias da Cunha se junta a Filipe Vieira para, entre outras coisas, reclamar da arbitragem, esquece que está a juntar-se ao maior beneficiário das arbitragens, esta época. E esquece-se que Benfica e Boavista — que, sem futebol para tal, são dois dos comandantes da SuperLiga — dominam de facto o «sistema», através do seu controlo a meias da Liga de Clubes e, correspondentemente, da arbitragem. E não apenas da arbitragem: também da disciplina. A ideia da introdução do castigo a jogadores a posteriori, através do vídeo e pela mão do Conselho de Disciplina da Liga, denuncia-se a si própria nos seus propósitos, através de uma simples leitura das estatísticas: dos 25 jogos de suspensão até agora aplicados pelo CD, doze foram-no a jogadores do FC Porto (incluo já a incrível e revoltante promessa de suspensão de Seitaridis por dois jogos, por pretensa agressão); dois contemplaram jogadores do Boavista e nenhum jogadores do Benfica (e, todavia, todos vimos, por exemplo, no jogo entre os dois clubes mandantes da Liga, o Petit a agredir com uma cotovelada o Tiago...). De todos os castigos aplicados, apenas os jogadores do FC Porto foram contemplados com mais de um jogo de suspensão — esticado, no caso mais recente do Mc Carthy, até três jogos, o suficiente para conseguir incluir o jogo contra o Benfica. A pergunta é simples: se quem domina a organização dos jogos, a arbitragem e a disciplina, não constitui o «sistema», o que é, afinal, o tal sistema de que tanto fala o presidente do Sporting? Miguel Ribeiro Teles percebe infinitamente mais de futebol do que Dias da Cunha. Ele sabe que, para além do absurdo de o sistema ser dominado por quem está de fora e não por quem está dentro, não há sistema que possa transformar em campeão—e de Portugal, da Europa e do Mundo —uma equipa banal ou medíocre. E sabe que o FC Porto dos últimos anos nunca foi banal nem medíocre. Agora, o que a ele lhe deve parecer estranho é que o único dirigente de clube que anda a anunciar aos quatro ventos e desde o início da época que vai ser campeão e que até já tem a festa pensada, depois do último jogo (contra o Boavista, no Bessa...), é precisamente o presidente do Benfica — cuja equipa oscila entre o banal e o medíocre. O que Miguel Ribeiro Teles percebeu e Dias da Cunha não, é que o pacto com o Benfica visou um adversário que neste momento, e devido à sua auto-implosão, tinha deixado de ser o inimigo a abater. E que, inversamente, levou o Sporting a entregar-se na boca do lobo. E, enquanto Dias da Cunha ficou muito contente porque julga ter neutralizado Pinto da Costa, Filipe Vieira ficou ainda mais contente porque neutralizou ambos e, ainda para mais, viu-se elevado à condição de parceiro moralizador na luta contra o «sistema»—ele, que declarou ser mais importante ganhar a Liga do que ter uma boa equipa de futebol.
« Última modificação: Novembro 16, 2008, 23:37 pm por Spittelau »
Saudades do futuro.
Elucidativo, nem mais nem menos!!!!
The art of war is simple enough.
Find out where your enemy is ( LAMPS ).Get at him as soon as you can.
Strike him as hard as you can and keep moving!!
ANNTI-LAMPIÕES!!!
errrr ... o texto até está bonitinho ...

mas as referencias aos castigos do FCP á posteriori .. são mais do que justificados, e não de lamentar ...
Este ano o FCP tem abusado de agressões parvas durante os jogos .. e isso reflecte-se nos castigos ...

"incluo já a incrível e revoltante promessa de suspensão de Seitaridis por dois jogos, por pretensa agressão"

Revoltante ? Pretensa ? peço desculpa .. o Homem agrediu e deve ser castigado ...
Saudações Leoninas
o Miguel é um homem independente - Pinto da Costa que o diga...

Dias da Cunha não merece o meu respeito!!! aliar-se a vermes e a assaltantes mafiosos é nojento!!!
no tempo feliz sonhei o poema
escrito no sol
Concordo com a generalidade do texto.

Quanto ao castigo ao seitiaridis, sinceramente, não acho que exista agressão.
Deve ser das poucas vezes que vejo este palhaço escrever algo sobre futebol que não seja completamente ridículo.

Os comentários sobre a aliança são correctos, e relembra no final a célebre frase do Orelhas que esquecemos aqui no comentário da coerência que é fazer alianças com o benfica em busca de transparência.

Venha o Bruno Paixão, é já esta semana.
Concordo com a generalidade do texto, ainda que a referência aos castigos do FCP contenha o facciosismo habitual de MST quando fala do seu clube. Se bem que é realmente estranho que não existam castigos semelhantes para com jogadores de outros clubes.

O caso do Seitaridis parece-me também algo exagerado. Mesmo no nosso clube, temos visto o Rochemback ser protagonista de lances semelhantes. Não se tratam de casos de agressão clara, a par do que já aconteceu com inúmeros jogadores portistas.