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Lídia Faria

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Dados de Lídia Faria Lidiafaria.jpg Lidia Faria.jpg
Nome: Lídia da Conceição Faria Pereira Granja
Nascimento: 15 de Agosto de 1942
Naturalidade: Folgorosa, Torres Vedras - Portugal
Posição: Atleta (lançamentos, velocidade, velocidade prolongada, barreiras e combinados)

Lídia Faria nasceu nos arredores de Torres Vedras, onde viveu até aos 13 anos, altura em que veio para Lisboa, e segundo a própria confessou, era uma «maria- rapaz» que gostava muito de correr e de outras brincadeiras, na altura consideradas pouco próprias para as meninas.

Sonhou ser toureira e já em Lisboa estudou música, sendo que foi por influência do seu professor de acordeão, que se inscreveu num torneio de captação do Atletismo do Benfica, clube de que era simpatizante.

No entanto ao chegar ao Campo Grande, verificou que tinha sido aceite por engano, com o nome de Lídio Faria, pois no Benfica não havia Atletismo feminino, e assim não pôde participar.

Não desistiu e resolveu tentar a sua sorte um pouco mais ao lado, e foi assim que em 1959 chegou ao Sporting Clube de Portugal, para se tornar numa das maiores figuras de sempre do Atletismo leonino e português.

Lídia Faria numa das suas especialidades

Logo na época de 1959 ganhou o seu primeiro título, ao vencer o concurso do Lançamento do Disco, nos Campeonatos Regionais, e até ao ano da sua despedida em 1970, nunca mais parou de ganhar, contribuindo decisivamente para os 12 Campeonatos Regionais e outros tantos Nacionais, conquistados consecutivamente pelo Sporting Clube de Portugal nessa altura, um feito até aí inédito. Ou seja, Lídia foi sempre Campeã nos seus 12 anos de actividade.

Numa altura em que ainda não havia uma grande especialização da parte das atletas, Lídia Faria dividiu-se por várias disciplinas, conquistando 25 títulos nacionais em 7 especialidades diferentes: 80m barreiras (4), 100m (1), 200m (2), 400m (1), Lançamento do Peso (5), Lançamento do Disco (8) e Pentatlo (4), sem esquecer as suas 5 participações vitoriosas na estafeta dos 4x100m dos Campeonatos de Portugal, e os 27 títulos regionais que totalizou.

Ficou célebre a sua participação no I Portugal-Espanha, realizado em Setembro de 1964, no Estádio José Alvalade, onde bateu 4 recordes ibéricos (80 m barreiras, 4x100m, Lançamento do Peso e Lançamento do Disco) e ganhou os 100m, o que no final do ano lhe valeu o Prémio Stromp na categoria Atleta Amador, a par de Manuel de Oliveira, que nesse ano tinha ficado à beira de conquistar uma Medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Embora sendo uma atleta completa, como o demonstra o facto de ter conseguido excelentes resultados no Pentatlo, disciplina em que foi Recordista Nacional, os Lançamentos eram talvez o seu ponto mais forte.

Assim no dia 23 de Maio de 1962, bateu o Recorde Nacional do Lançamento do Disco, que era pertença de Ester Ramos há quase 20 anos, e até 1967, melhorou 6 vezes esse Recorde, até o fixar em 43,10m, o que significava uma evolução de 9,45m em relação ao anterior máximo, sendo que este seu último Recorde, só seria batido 5 anos depois por Adília Silvério.

Lídia Faria numa das suas especialidades

Foi ainda em 1962, que se tornou na primeira mulher portuguesa a ultrapassar os 10 metros no Lançamento do Peso, um Recorde Nacional que até 1967 melhorou 10 vezes, até o fixar em 11,45m.

Melhorou também várias vezes o Recorde Nacional dos 80m barreiras, até em 1968 o fixar em 12s, no decorrer do Pentatlo Nacional, em que também fixou um novo Recorde de Portugal, com 3807 pontos.

Chegou também a ser Recordista Nacional dos 200m, quando em 1964 percorreu a distância em 26,3s, e integrou 5 equipas do Sporting, que entre 1960 e 1962, melhoraram o Recorde Nacional da estafeta dos 4x100m, até o fixarem em 51,2s, uma marca que seria superada em 1964, durante o tal célebre Portugal-Espanha, quando a Selecção Nacional da qual fazia parte Lídia Faria, se tornou na primeira equipa portuguesa a percorrer a distância abaixo dos 50 segundos, fixando o Recorde em 49,7s, uma marca que perdurou 6 anos.

A nível internacional participou nos Jogos Ibero-Americanos realizados em Madrid, em 1962, e fez parte das primeiras Selecções Nacionais de Atletismo, numa altura em que o sector feminino da modalidade dava os seus primeiros passos nos contactos com o exterior. Também chegou a fazer uma marca nos 80m barreiras em Pista Coberta, que lhe dava possibilidade de estar presente no Campeonato da Europa, mas nessa altura as mulheres portuguesas não podiam participar nesses eventos.


Na Pista Coberta chegou a ser Recordista Nacional dos 400m, quando em 1968 percorreu a distância em 65,2s.

Lídia Faria foi a primeira mulher a vencer o prémio do Diário Popular, que nesse tempo era atribuído exclusivamente a homens, e também a primeira a ter uma festa de despedida, que se realizou a 10 de Outubro de 1970, e foi organizada com um carinho ímpar.

Nesse dia a bancada central do Estádio José Alvalade esteve repleta e com um ambiente inesquecível, numa festa que contou com a participação de várias modalidades do Clube e de Joaquim Agostinho, que veio de propósito de Paris, para prestar a merecida homenagem a Lídia Faria, uma mulher com um carisma e popularidade, como dificilmente o Clube voltará a ter nas suas fileiras.

Com toda a justiça, Lídia Faria fez parte da Comissão de Honra do Centenário do Sporting Clube de Portugal, e nessa altura deu uma entrevista ao Jornal do Clube, onde afirmou:

- O que sentiu com a demolição do Estádio José Alvalade?

- Guardo gratas recordações da pista de cinza de Alvalade. Não tenho dúvidas de que se tivesse oportunidade de correr no tartan, teria conseguido outros resultados. Sinto uma grande tristeza pela demolição da pista e do Estádio. Quando cheguei ao Sporting, ainda existia o Ciclismo e lembro-me do que significava o Estádio para essas modalidades.

- Um desejo para este ano de centenário ?
- Que a equipa de futebol possa ser campeã, porém sinto uma grande mágoa por perceber que cada vez mais, o Sporting é um clube de futebol. As outras modalidades, que foram as responsáveis por tornar o Sporting num clube grande, quase não existem. Mudaram de Estádio e dá-se muito ao futebol, em desfavor das outras modalidades. Não quero com isto dizer que não gosto de futebol, modalidade que também gostava muito de praticar.

Faleceu com 65 anos, no dia 29 de Setembro de 2007, vítima de doença prolongada.

Para todos os que de algum modo com ela conviveram, foi um privilégio tê-la como referência.

To-mane 12h53min de 5 de Maio de 2012 (WEST)