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7–1

Da Wiki Sporting, a enciclopédia do Sporting Clube de Portugal
(Redireccionado de 7-1)
14 de Dezembro de 1986, Estádio José de Alvalade. Um dia que ficou para a história

Na época de 1986/87 o Benfica foi campeão nacional com vinte vitórias, nove empates e somente uma derrota. O Sporting ficou-se pelo quarto lugar, com menos onze pontos do que os rivais e com quinze vitórias, oito empates e sete derrotas. No entanto, essa época de 1986/87 é recordada mais vezes pelos "leões" do que pelas "águias" e um dos seus jogos, mais de vinte anos depois, ainda é comemorado anualmente e muitas vezes lembrado como um dos maiores da história do Sporting Clube de Portugal.

Trata-se, como é óbvio, da única derrota do Benfica em todo o campeonato. No dia 14 de Dezembro de 1986, em jogo a contar para a 14.ª jornada e sob a arbitragem de Vítor Correia, Sporting e Benfica enfrentaram-se no Estádio José Alvalade. O Sporting alinhou com Vítor Damas, Gabriel, Virgílio, Venâncio e Fernando Mendes; Oceano, Litos, Zinho e Mário Jorge; Manuel Fernandes e Ralph Meade. Aos 79 minutos Duílio entraria para o lugar de Fernando Mendes e Silvinho substituiria Litos. O Benfica jogou com Silvino, Dito, Veloso, Oliveira e Álvaro; Diamantino, Carlos Manuel, Shéu e Chiquinho; Rui Águas e Vando.

O Benfica era dado como favorito. O Sporting vivia um ano atribulado, em que começara a pré-época com um plantel de treze jogadores, incluindo dois júniores promovidos à última hora. Manuel José, o treinador do Sporting, decidiu por a equipa a jogar em contra-ataque, cedendo terreno ao adversário para depois o surpreender em rápidas contra-ofensivas. Este tipo de estratégia não é normalmente usada pelo Sporting, clube que privilegia o jogo ofensivo por natureza, mas iria dar um resultado muito além das expectativas. O treinador do Sporting acreditava ainda que a força física de Meade seria essencial para desgastar a defesa rival, cujos centrais, Dito e Oliveira, considerava "macios".

O Sporting marcou cedo. Mário Jorge inaugurou o marcador aos quinze minutos de jogo e o 1–0 manteve-se até ao intervalo. Apetece dizer que mal sabiam os jogadores e o público o que se iria passar na segunda parte. O segundo golo seria apontado por Manuel Fernandes, aos cinquenta minutos, mas Wando reduziria a desvantagem aos cinquenta e nove. Durante breves minutos, temeu-se que a vantagem leonina se esfumasse. Vítor Damas teve mesmo que fazer uma grande defesa, evitando o empate e assim garantindo o seu lugar entre os heróis do dia.

A "tremideira" não se chegou a instalar, pois Meade, o aríete seleccionado por Manuel José para o centro do ataque, marcou seis minutos depois de Wando. Este golo, o 3–1, acabou por revelar-se decisivo, pois foi um grande golpe na moral do Benfica. Também iniciou uma sequência memorável de golos, que só viria a ser rivalizada na meia-final da Taça de 2008, noutro jogo que viria a tornar-se inesquecível. Três minutos depois Mário Jorge fez o 4–1. E três minutos depois Manuel Fernandes aumentou para 5–1.

A desorientação entre os jogadores benfiquistas encontrou paralelo entre os seus adeptos, que não encontraram melhor maneira de reagir ao que se passava em campo do que fazer uma fogueira na Superior Norte, alimentada com bandeiras, cachecóis e cartões de sócio do seu próprio clube. Essa "deserção" também ficaria na história, cimentando, para os sportinguistas, a diferença entre si próprios, fiéis nas boas e nas más horas, e os seus rivais, que queimaram os símbolos do clube no único momento de adversidade ocorrido durante uma época vitoriosa.

Os 5–1 não satisfaziam ainda o grande capitão Manuel Fernandes, que aos 82 e 86 minutos se encarregou de marcar por mais duas vezes, fixando o resultado que passaria à lenda: sete-a-um.

Sete-a-um seria um resultado histórico em quaisquer circunstâncias, mas o facto de ter ocorrido durante os tenebrosos dezoito anos de jejum e num campeonato para esquecer ainda o tornou mais relevante e a sua memória mais poderosa. No decurso do período mais árido da história do clube aquela tarde de 14 de Dezembro de 1986 tornou-se um símbolo da grandeza do Sporting. Durante anos os adeptos viveram da recordação dos sete-a-um, lembrando-o aos aos rivais nas escolas, nos empregos, nas ruas, sempre que o Sporting conhecia uma derrota humilhante, sempre que passava mais um ano sem títulos. De certa maneira, foi um resultado que ajudou muito a manter a esperança de que melhores dias viriam.

No fim do jogo a festa não conheceu limites. O director do Estádio, Ferreira Canais, mandou comprar uma caixa de champanhe, pois uma garrafa seria insuficiente para tal resultado. Mas foi Manuel Fernandes, o maior herói da tarde, quem melhor soube resumir o significado do que se passara: "nós vamos morrer todos e este resultado vai ficar para sempre".

--Pireza 19h17min de 8 de Outubro de 2008 (WEST)