Liberta o poeta que há em ti

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"O nosso intrigante mar"

Mais um dia nesta roda viva,
Mais uma rotina, bem mais que activa
Na rua não falta o constante ruído,
Ruído esse que magoa o meu ouvido.

Anseio chegar a casa do trabalho,
Estou cansado da confusão e embaralho,
Por mais tempo que passe, não me habituo,
Mas acho que este pensamento não é mutuo,

Por isso aprecio a noite e a madrugada,
Sofro de insónias, por isso não é rara a alvorada,
Que acompanho, até o sol estar bem lá no alto,
E se calhar por isso sinto falta, de ver só asfalto

Enquanto  silêncio e vento me trazem do mar,
Aquele cheirinho, que me é tão familiar,
Pergunto-me se mais alguém o consegue apreciar,
Ou então sou eu, que devo ter um caso com o mar.

Algum antepassado explorador, ou numa outra vida,
fui marinheiro, apanhado por uma tempestade aguerrida.
Lá devo ter ficado,penso, no fundo do mar depositado,
Tal qual sedimento, que vem da montanha, pelo rio transportado

Não são raras as vezes, que sinto impulso de ver,
O grandioso Sol, no nosso mar desaparecer.
Fico a admirar, o agitado ou sereno mar,
Que tanto dá, para depois vir buscar.

Que nos sustenta, mas também vem roubar,
Vidas antigas, ou novas, para as coleccionar.
Quantas almas não já não devem morar,
No escuro e frio, fundo do mar?

Como pode algo que alberga tanta vida,
Estar também, na sua origem envolvida.
Ser tão calmo, e de repente enraivecer,
E fazer algo tão alegre, entristecer?

E com isto o Sol já foi, para mais um anoitecer,
E já se vê o farol, sempre fiel a acender,
Pois nunca se sabe o que vai acontecer,
Pois o mar, senhor de si, faz o que lhe apetecer.

Já Pessoa, encarnado em Alvaro de Campos,
Não se acanhou de escrever uns versos, quantos,
Sobre este belo presente, nosso, para variar.
E que Portugal do melhor tem, do intrigante e finito Mar!



(Foto minha)
« Última modificação: Outubro 29, 2017, 17:56 pm por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Candeeiro"

Caminho no fim de uma tarde,
Pode ser Outono, mas o sol ainda arde,
Como de Verão se tratasse, tempo de praia,
Isto se o meu termostato não deu, ainda, raia.

O céu vai tomando umas tonalidades esbeltas,
Rosas, vermelhos, azuis, verdes, cores celtas,
Que tal e qual o povo com esse nome, vão tomando,
O céu como seu, ao mesmo tempo que a noite vem retornando.

Os seus tons e reflexos nas ondas,
Van Gogh deixariam estupefacto,
pois formam um autentico retrato,
mesmo com cores consideradas hediondas.

À medida que escurece, e as ruas se tornam vazias.
Algo transparece, iluminando até as vielas mais sombrias.
E ao mesmo tempo, que reflecte em pequenas poças de água,
Reflecte também em objectos, forjados com mágoa.

Os candeeiros, muitas vezes eles próprios,
Saídos de um filme, tal beleza demonstram,
tal e qual antigamente, os antigos constam,
As fogueiras iluminavam, e aqueciam, tristes frios.

Antigamente, as pessoas tinham mais brio com os objectos,
Que a rua enchiam, ao invés de hoje, que enchem de dejectos.
Esculpiam belas formas e feitios,
sem olhar ao que pensavam os gentios.

Algo que se perdeu com o tempo,
pois cada um era unico, intemporal,
Tivesse as marcas que tivesse, resistia até final,
E hoje em dia são fotocópias, sem nada especial.

Cinzentos na maioria, iluminam muitas vezes mal,
Assintomatico com a situação da sociedade actual.
Que só por ser antigo, já não possui valor integral.
E usam coisas vãs, vulgares, para não chatear o pessoal.

Se olharmos bem, candeeiros modernos, lampiões,
Retratam bem as gentes de agora, corruptas e burlões,
E a beleza do mundo de outrora, vai dando rapidamente lugar,
A algo triste, sem tom, e sem que valha a pena guardar.

É triste constatar, durante este meu caminhar,
Que Tudo parece igual, sem nada à vista ressaltar.
Será só isto que nos reserva este mundo vimieiro,
Tal como nunca mais viu luz, o belo, e antigo candeeiro?

« Última modificação: Novembro 03, 2017, 16:41 pm por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Ignorância e Portugal"

Em casa estou, pois lá fora muito chove.
Finalmente, até que enfim S. Pedro se comove!
Comoveu-se decerto com os solos secos, ardidos,
Com barragens sem água, e rios já perdidos.

"Ninguém gosta de chuva!"- dizem os populares,
Que só bebem sumo de uva, que advém dos lagares.
Barafustam pela chuva, que tanta falta tem feito,
Incomoda, porque estraga o seu penteado, perfeito.

Tamanha ignorância, a que ninguém ligou,
ligando agora que ouvem, que para faltar,
Água em sua casa, pouco tempo faltou,
Assumindo agora que esta chuvinha vai chegar.

Para lhes garantir água para gastar.
Ignoram-se todos os sinais que está a dar,
este nosso planeta que insistimos em fustigar,
Convencidos de que, façamos o façamos, nada irá faltar.

Mais uma vez nota-se uma ignorância total,
Se faltar um pouco de água, não se passará mal
"Temos o vinho, e o futebol da águia da capital!"
E nem por ela fugir, acham que continua tudo igual.

Neste país de ignorantes, mas de gentes importantes,
Gosta-se de fazer de parvos, as poucas cabeças pensantes,
Pois o pais pode arder à vontade, que mantém-se tudo igual,
Haja dinheiro para pagar aos ignorantes-mor que governam Portugal.

Nem Nossa Senhora de Fátima, padroeira que nosso povo protege,
Consegue incutir valores e princípios, nesta gente que nos rege!
Até D. Afonso Henriques, no norte descansado, olha para nós triste,
Com o rumo que seu Tesouro tem tomado, sem haver algo que o despiste.

Importa é colocar bêbados ao lado dos mais, e maiores indivíduos tais,
Que por nós se destacaram com feitos que os tornaram Imortais,
Para se juntarem a eles, bêbados e pessoas que renegaram até final,
Os valores de um povo antigo, os portugueses de Portugal!


Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Odeio despedidas..."

E quando nos vimos pelas 1ª vez?
Dois estranhos, obrigados a vencer a timidez,
A falar como mais nada importasse,
Não importava, se um de nós não gostasse...

Os primeiros tempos foram estranhos,
Tu eras louca, e eu pertencia aos tacanhos.
Até nos entendermos, foi um trinta e um,
E com o passar do tempo, tornamos-nos 1.

Foram tempos auspiciosos, cheios de futuro,
Cheios de vida, juntos nada era muito duro,
Fazia-mos tudo com uma leveza indescritível,
Até a mais dura das tarefas, era facilmente exequível.

Ficamos os melhores amigos, partilhamos muitas histórias,
Tardes e noites inteiras, construindo estas nossas memórias,
Para no fim e de forma peremptória, destruírem as nossas vitórias,
No dia em que se deu a noticia, caiu-me tudo menos as memórias.

Desculpa por ter passado mais um ano da nossa ultima conversa,
A vida agora passa tão depressa, e neste lugar cheio de vidas,
A mente aqui vagueia, não foca, vai para longe e dispersa...
Está na hora, até para o ano, como eu odeio despedidas...

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Brisa de verão"

Acordo de manhã, meio ensonado
O trabalho foi até tarde,
Ainda fico mais um bocado?
Está quente, o sol já alto, arde.

Não me apetece sair de casa,
Estou confortável, nada se passa.
Recebo uma chamada, estranhamente,
Mas ao ver quem é, fico contente.

"Estou?" ouço do teu lado,
"Sim Tititnha, que bom é ouvir-te!"
"Olha vou a casa hoje, e gostava de estar contigo..."
"Vamos, já não nos vemos à tanto, vou ver se consigo"

"É verdade, é estranho como  o tempo passa a voar,
Nem tenho ido aí, para podermos passear."
"Queres ir onde para, com calma, conversar?"
"Vamos até à praia, preciso de viajar..."

"Está bem combinado, já passo aí a apanhar-te,
Mas olha não te esqueças de agasalhar-te,
Sabes que o dia é quente, mas a noite é fria..."
"Até parece que não sei, que ao mínimo resfria!"

O ânimo é óbvio nas nossas vozes pois,
A saudade aperta, não só a mim, mas aos dois.
Apesar de tão perto, mais vale ganhar a lotaria,
Do que apostar num encontro nosso, eu diria.

Mas para as pessoas que nos fazem bem,
Por mais que o tempo passe,
um reencontro sabe sempre bem,
Fez com a saudade fosse, e o calor voltasse.

Ao ver-te senti um acelerar do coração,
Já me chegava a ti, vou te dar um apertão,
Não te vou largar durante um bocado,
Já tenho saudades, desse teu jeitinho arrojado.

Ao chegar até a ti, começamos a rir,
"Afinal não sou o unico a algo sentir"
"Ham, que estás para aí a rezar!?"
"Nada, nada, vamos então passear?"

Conversamos e conversamos, havia muito para contar,
E cheios de entusiasmo, começamos a partilhar,
As nossas aventuras, mais dela que minhas, na verdade,
Mas é espectáculo como tão pouco, leva a saudade.

"Vamos lá", digo apontando para a praia.
"Vamos!" diz-me ela ajeitando a saia.
E chegando lá, sentamos nos encostados
"Parecemos uns velhotes desgraçados"

"Não perdeste o teu bom humor, filhota"
"Podes não achar, mas a minha vida deu uma cambalhota."
Vi logo que precisavas de só a minha beira "estar".
E encostaste-te a mim, e deixamos-nos levar.

Passado um tempo, quebro o silêncio, tenho de falar,
"Sabes uma coisa, não ando bem, desde que te foste.
Não me deixaste, mas sinto como se tal fosse."
E depois disto o silencio voltou-se a instalar.

Baixinho, e sem os olhos do mar tirar,
"Eu também, já só pensava aqui voltar,
Para nos podermos ver, e poder falar,
Daquilo que agora se anda a passar."

"Porque raio a vida nos afasta, de quem nos quer amar?"
Perguntas-me como se já não soubesses, que resposta não te vou dar.
Ficamos ali os dois a mirar o mar,
até de repente o meu telefone apitar.

Acordei e não me recordo donde estava,
Atendo, é o meu chefe, que de mim precisava.
Saio, entro no carro, e enquanto guio, tentava,
Perceber o porquê de acordar, enquanto contigo conversava.

Apesar de ser inverno, e estar um frio de me gelar a mão,
Estava quente e com calor, como se fosse de verão.
Não ando bem, e para ajudar, tenho a sensação,
De que me esqueço de algo, que me aperta o coração.

Só para tirar a teima, vou ao telemóvel num instante,
E tenho uma chamada tua, ontem, do teu restaurante.
Mas apesar de não ser tal não ser possível, preciso de acreditar
Que eu e tu fomos mesmo à praia, olhar o mar.

Porque a tua memória, para mim, é essencial,
É bom saber que ainda te preocupas, com o meu estado emocional.
Afinal, a nossa história nada tem de mal,
Só é pena me tenham acordado, quando ficar era para mim fundamental.

Dar-te um ultimo beijo, antes de acordar para real.
Fiquei feliz por teres "vindo", pois estava a passar mal.
E fiquei lixado, porque nem podemos dar a mão!
E isto tudo porque senti uma leve, quente brisa de verão...

« Última modificação: Novembro 13, 2017, 17:02 pm por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Noites frias de inverno"

Vivemos constantemente preocupados,
e o que nos deixa mais apavorados,
é o desconhecido, o escuro do céu,
numa noite sem estrelas, como breu.

Mas no entanto esquecem-se, tristemente,
Que a noite, que nos preocupa ignorantemente,
é um dos nossos mais belos presentes,
sendo alvo de belezas, e mistérios condizentes.

Muitos amigos meus não sabem apreciar,
A beleza de um calmo, bonito e claro luar,
O som do nada, simplesmente pela rua a entoar,
Interrompido pelo zumbido da corrente, num cabo, a passar.

Este silêncio, e paz, da noite, levam-nos a contemplar,
Problemas, memórias, assuntos,  de forma a encontrar,
Uma saída, solução, ou lembrança, permitindo descobrir,
Muitas vezes aquilo que de estranho estamos a sentir.

E o triste disto tudo, é o ignorar desta beleza.
Esta calma, tão estranha, que passa a incerteza,
espalhando a ideia de que tal coisa é para temer,
Evitando assim a mesma admirar, e entender.

Nós, desta vida, pouco ou nada vamos reter,
Quando partirmos deste mundo para o próximo,
Sem que à noite venhamos a agradecer o máximo,
Pelo facto de que sem ela, não poderíamos adormecer.

Dormir permite sonhar, e o sonho comanda a vida,
Sem sonhos, ficaríamos ainda mais ao desgoverno,
Tal e qual barco perdido numa aflição sem termo,
que só é salvo pelas estrelas, numa noite fria de inverno.



« Última modificação: Novembro 16, 2017, 04:34 am por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Poema de um homem apaixonado"

Passeávamos de mão dada , num dia destes,
Ao sair não nos preocupamos com nada, nem com as vestes
Era um dia normal, e aproveitávamos o Sol.
Afinal descansávamos, e tu estavas colorida, um girassol.

Nunca te vestes com cores escuras, mas sim à boa maneira que és,
E eu admiro-te sempre com ternura, desde a cabeça até aos pés.
Para mim, és o que me motiva, o que me apaixona, uma dádiva.
e sempre que nos desencontramos, tento sempre, de forma rápida,

Ir ter contigo, dar-te mais um beijo, dizer-te mais um "amo-te"
mas acima de tudo, o que mais gosto de fazer é admirar-te.
Adoro o teu sorriso e as tuas, giras, covinhas de expressão,
Adoro aquele sinal pequeno, no teu peito, por cima do coração.

As tuas curvas deixam-me em êxtase, mesmo que aches que não,
eu gosto de tudo em ti, desde a tua forma linda, à tua mais temida imperfeição.
Gosto da tua timidez, de como coras quando te olho com atenção,
Mesmo quando reclamas comigo, sem nunca me largares a mão.

Teimosa como o raio, sabes sempre ver a razão,
e mesmo que reclames, dou-te um beijo, carinhoso
e tu aí não reclamas, e deixas cair essa tensão,
Não resisto, bonequinha., mesmo que me aches meloso,

Sei que pouco carinho te deram, antes de nos conhecermos,
E que para ti é estranho, mesmo zangados, carinhosos convivemos.
Porque raio ia eu deixar-te fugir, se sei que não é o que tu queres,
porque nós somos assim, com os nossos tesouros, mulheres.

Uns chamam me louco, por namorar com uma "fera",
"Ela tem mau feitio", mas a eles quem lhes dera,
Conhecer que por baixo dessa capa protectora,
Está um espírito lindo, com garra, uma lutadora.

Gosto de te apanhar desprevenida, abraçando-te de repente,
Ficas tão corada com o susto, e o gritinho estridente,
mesmo que me batas, dou-te miminho incessantemente,
Sem me importar o que acham os outros verdadeiramente.

Quero que não tenhas medo de mostrar amor a quem amas,
Quero que saibas que é normal "dar", sem nenhum "mas"!
Que te sintas confortável, para me contar tudo que perturba a tua paz,
Quero que saibas que te ouço e te abraço, sem outra intenção por trás.

Não te minto quando digo que não te quero perder, nunca me senti assim,
No inicio não pensavas em casar, e agora dizes-me tímida que "talvez sim!"
E mesmo que sintas que o nosso amor é, por outras pessoas, invejado,
Quero que saibas, que é só a ti que pertence o coração deste homem, apaixonado.


« Última modificação: Novembro 22, 2017, 05:04 am por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Palavras"

Palavras leva-as o vento,
e as intenções do momento,
Fugaz, que antecede a criação
proveniente da imaginação.

Mas por vezes, parcas palavras,
contêm mais mensagens,
do que contos de fadas,
criando fabulosas Miragens,

Miragens que destoam do normal,
que provocam sensações sem igual,
sem, muitas vezes, serem complexas
pois o segredo está na simplicidade dessas.

Acompanhadas de um som, viram obras de arte,
que te tocam, e vão-se, sem chegarem a deixar-te.
os artistas são eternos, no coração e mente de quem tocam,
mostrando mundos e sensações, fazendo o que outros enforcam.

Num mundo onde tudo é igual, para o bem ou para o mal,
ficam poucos que mantém um registo próprio tal,
que são esquecidos pelo mundo de forma paranormal,
Só para dar destaque a um palerma qualquer, no final.

Não acreditam, liguem a televisão,
E vejam com especial atenção,
A criatividade moderna, a ilusão,
ilusão de que se passa toda a emoção,

Como se houvesse receita, como se fosse normal,
Que a arte, qualquer que ela seja, é puramente casual.
Mas com pesquisa encontram-se artistas ainda, sem igual,
que tentam no seu intimo mostram á sociedade actual
 
Que arte não é matemática, nem formula química,
provem sim da alma, quase que de forma lírica,
Da espontaneidade do ser criador, do artista,
e não dos entendidos, desta sociedade autista.

E Tal como comecei, despeço-me então,
Sem querer causar qualquer agitação
Deixando que o vento leve, sem amarras,
os meus versos, e as minhas simples palavras...

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Idade Refém"

Eu era novo, cheio de sonhos e projectos,
Tu a minha amiga que mantinha em trilhos certos,
Eu respeitava-te e ouvia-te, com admiração,
O mínimo que me dizias, captava-me a atenção.

Partilhava-mos as nossas histórias, as nossas desilusões,
E enquanto conversávamos, abríamos os nossos corações.
Ainda me lembro quando nos conhecemos, eu pequenino,
tinha 9 anos, em relação a ti era um menino.

Tinhas 14, e eras o ser mais bonito e cativante que tinha conhecido,
Rosto redondo, pele branquinha, olhos castanhos, observei eu tímido.
Brindaste-me com um sorriso que ainda guardo comigo,
Fiquei vidrado, cativado, e sentia-me bem contigo.

Os nossos caminhos afastaram-se, mas encontramos anos mais tarde,
Tinha eu 15 anos e tu agora com 20, mas o fascinio não tinha desaparecido
Estava era, com os anos guardado, ou melhor, estava adormecido,
Mas mal pôde, saltou donde estava, quase que por milagre.

Agora já era mais fácil, apesar de seres mais velha, eu já tinha uma mentalidade parecida com a tua,
Trocávamos mensagens, partilhávamos preocupações, sonhos, objectivos, gostos, passeávamos na rua,
Quando me apercebi a minha mão tocou na tua, e de repente deste me, não a mão, mas o braço,
E passeávamos abraçados de repente, parecíamos namorados, e a nossa confiança era forte como aço.

Querias sempre saber se estava bem, mas quando era eu guardavas o teu segredo.
E umas vez com amigos sentados, eu disse-te o que sentia, cheio de medo.
Sentados os dois encostaste-te a mim, estava nervoso, pois não tinhas respondido.
inspiraste fundo, como quem ganha coragem, e falaste-me ao ouvido.

"Não posso, desculpa-me mas não posso, sou mais velha que tu um bom par de anos,
Já tenho uma vivência diferente, e já tracei, na minha vida, os meus planos.
não quero mentir-te, não vais ouvir o que queres, mas acho que entendes, que também eu...
Mas não podemos, só quando tiveres a minha idade talvez, mas neste momento não posso ser tua, nem tu meu"

Respondi muito depressa, que faltava pouco para ser da tua idade, e tu rindo de forma tímida e envergonhada,
"Desculpa, mas eu queria ter dito, quando eu e tu tivermos a mesma idade", dizias com a cabeça no meu ombro encostada.
Percebi o teu receio, e abraçando-te percebi que o desfecho que queria não era possível, mas em que raio pensava?
Respondi-te "Numa próxima vida, espero que tenhamos a mesma idade" e beijei-te a mão, suave e gelada

Vi o meu sonho de forma diferente, e quando te vi casada, senti um orgulho enorme,
apesar de tudo, foste capaz de encontrar, e de te dar a um homem conforme.
Um tipo porreiro, escolheste bem... tenho apenas pena, de sermos da sociedade refém,
De não podermos assumir perante todos o nosso amor, e dele ter ficado em segredo também.

Ainda falamos mas estamos mais distantes, não sei se por coisas da vida, ou sentimentos rampantes,
Porque quando te vejo, ainda sinto o que sentia, naquele dia, e da mesma forma, os arrepios incessantes,
As tuas mão grandes, os teus olhos belos, e cabelos pretos, das memórias hoje já distantes,
E das nossas conversas, longas, variadas e interessantes.


Porque eu desejei-te a ti,
porque me desejaste a mim,
E sendo impossivel, ainda assim
Continuo a querer te só a ti...

Pergunto-me se seremos alguma vez capazes de, noutra vida, ir mais além,
Do que nos contentarmos com a felicidade um do outro, de forma distante, porém.
E pergunto-me todos os dias, será possível, um dia, não ter de dar satisfações a ninguém,
E deixar-mos de ser, como somos agora, felizes, mas distantes, e da nossa idade refém.

« Última modificação: Dezembro 03, 2017, 21:01 pm por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Uma manhã com vida"

Já todos sabemos, que tudo muda num instante,
Uma relação, próxima, vira rapidamente distante,
Uma vida ,começa ou acaba, repentinamente
isto num mundo que muda, incessantemente.

Ontem reencontrei um velho amigo,
Trazia a mulher, e o seu menino consigo,
Não o reconheci tão facilmente como ele a mim,
Demorei uns segundos, até cair em mim,

Conversámos durante umas horas valentes,
perguntei o que tinha sido feito dele nestes anos,
"Mudei de vida meu irmão, de maneiras diferentes
deixei aquela vida, que nos tolda a mente, e mata-nos"

Percebi o que ele falava, tinha um passado complicado,
Entre álcool e drogas, tinha passado um mau bocado.
"Como conseguiste? Estás completamente diferente, meu!"
"Nem eu te sei explicar bem, o que me aconteceu!"

Ele agarrando a mão da sua esposa, continuou a explicar,
"Estava a procura de mais um sitio, para me levar ao "apogeu",
era uma simples manhã de Janeiro, muito escura, como o breu,
distraído fui contra alguém, e antes que me pudesse desculpar..."

Parou um momento, era possível reconhecer a vergonha desse acontecimento,
e com lágrimas a escorrer pelo rosto continuou, com dificuldade o relato seu,
"Olhei para a frente, e tinha a agulha espetada num braço, que não o meu,
Com a m**** da ânsia, já tinha a agulha na mão, e distraí-me um momento..."

"e aconteceu... Olho para a frente, e vejo um belo ser, como um anjo caído do céu,
sem culpa nenhuma, com cara de pânico, ficou pálida, branca, tal como um véu!"
Parou mais uma vez e olhou para a esposa, de forma agradecida e ternurenta,
"Caiu-me de forma instantânea nos braços, e eu apanhei-a, quase em câmara lenta"

"Foi então, que corri com ela nos braços, à procura de ajuda, de alguém,
mas todos me conheciam como drogado, não consegui a ajuda de ninguém.
Corri como um desalmado até à clínica, e eles tiraram-ma do braços imediatamente,
e eu senti um êxtase, um apogeu, diferente, quase que instantaneamente..."

Voltou a deixar cair uma lágrima, "Pedi quase de imediato o tratamento!"
"Queria ficar ali, e pedir-lhe desculpa por ser a causa daquele sofrimento,
e senti que a droga deixou de fazer sentido, aconteceu tudo tão repentinamente...
Quando ela acordou, pedi para a ver e deixaram-me entrar muito relutantemente."

"Estava a sua mãe a agradecer-me por tê-la trazido, mal ela sabia o que tinha acontecido.
Ela ao ver-me. ainda meia abananada, tinha tido uma reacção alérgica forte, via-se no tecido
da sua pele, um vermelho tão intenso, que me fez apertar de tal forma a minha mão,
que sangrei de imediato e, prometendo voltar, fechei a porta devagar com atenção"

"Quando voltei no dia a seguir, era um misto de emoções que não conseguia discernir,
e ao vê-la a sorrir, não me segurei, e deitei para fora, tudo aquilo que estava a sentir!
chorei, prostrado, à beira dela, e enquanto só lhe pedia desculpa. ela acariciava-me a cabeça,
E ouviu-me, sendo que quando me acalmei, ela disse, sem me dar tempo, muito depressa..."

"Com a voz ténue, muito baixinho - "Obrigado, salvaste-me a vida, sem ti não estaria aqui contigo,
com a minha mãe, e não te poderia agradecer, nem a ti, nem a ela", e senti-me como num abrigo.
A angustia que sentia, a ansiedade que me atormentava, que dormir não me deixava, abandonou-me,
E quando me perguntou o meu nome, quem eu era, tudo isso mudou-me, e sem saber, ali, salvou-me."

Eu ficara fascinado a ouvir a história deles, e como tudo aquilo os mudou aos dois, e à sua vida,
Despedimos-nos com um forte abraço, trocamos números, e depois fiquei a admirar a sua ida...
E agradeci-lhes, ao longe pela partilha, e pelos seus exemplos, pela conversa, que fora sentida,
e pela lição, de como se muda uma vida. Como um simples gesto, consegue transformar uma manhã numa avenida,

Num evento diferente, que muda um rumo, salva, e dá, tamanha vida!

« Última modificação: Dezembro 04, 2017, 02:36 am por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Em crescendo"

Passa mais um dia no aeroporto,
Chegaram muitas pessoas aqui ao Porto.
Tantas que até assusta, e observando
Espantado, reparo em algo, fico intrigado

Toda a gente vem com um ar cansado,
Parecem soldados, tal o ar carregado
De suas faces, com olheiras e olhos vidrados,
Até as mais belas faces, parecem derrotados.

E sorrisos nem vê-los, nesses rostos,
Olham todos para o chão, todos rotos.
E depois a confusão, e azafama daquele lugar,
Incomodam, e stressam quando deviam era acalmar.

As pessoas que chegam cá, deviam vir contentes,
Chegaram bem e seguras, e vão ter com os parentes.
Falam que somos alegres, mas na realidade é diferente,
Mesmo quando abordo sorridente, olham para cima tristemente.

E depois de uns dias a pensar, decido apenas observar,
Um sitio com muitos re-encontros, é difícil não reparar,
Que o sentimento que invade, em vez de feliz e estupendo,
é um sentimento vago, triste, e vai em crescendo.

Influencia até a pessoa mais alegre com o tempo,
Todos querem sair dali, e é um atroz desalento,
Que só repara quem está as pessoas atento,
Porque quem lá trabalha, parece um fantasma lento.

Não há bom dia, boa tarde, nem boa noite,
"Vamos lá estou com pressa, despache-se",
"Chame lá o colega, desenrrasque-se",
"Porra já estou f*****, está de noite".

Só desabafos, sem repararem que está ali alguém,
Que trabalha ali, e sem ter feito mal a ninguém,
todos acusam, todos ignoram, todos abusam,
E não há resposta possível, pois até isso escusam.

E o sorriso e o olhar vão, lentamente, descrevendo o mesmo desalento,
O sorriso desvanece devagar, o olhar vai, até ao chão descendo,
E aqui prefiro contrariar, e vou fumando um cigarro, lento,
Esquecendo por momentos o que me invade, em crescendo.

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Pergunta"

Vinha do trabalho, todo roto, cansado
E aconteceu algo, que me deixou admirado,
Mandaste-me uma mensagem, sem mais nem menos
E eu estranhei, porque já sei os teus "termos".

Notei logo algo de estranho, pelo desenrolar da conversa,
E deixei-te falar, com perguntas, que sem saírem depressa,
Sei que te deixam á vontade e serena, naquilo que interessa,
Toquei no ponto mal notei que a tua vontade, desde aí, era dispersa.

E não insisti por aí, pois fui directo ao que te incomodava.
Engraçado, já lá vão anos, mas parecia que me lembrava,
Das tuas expressões, tal e qual, quando a gente desabafava.
E tu nem esperaste, nem tiveste receio, e falaste sem ressalva.

Ainda dizem que nos queremos voltar a "comer",
Que não enganamos ninguém, pensam eles saber.
Mas a distância temporal, e espacial, não permite desenvolver,
o que pode ter restado, desde do nosso "fim", sem nos aperceber.

Acham estranho, dois ex-namorados, darem-se tão bem,
Mantendo uma cumplicidade, que mais ninguém tem,
com aqueles que amaram, mas o fim trouxe também,
Uma amargura tal, que faz desconfiar, desse outro alguém.

Dizes que queres estar comigo, que precisamos de um café,
E que apesar deste tempo todo, acho que ainda está de pé...
Que se um dia for possível, estaremos juntos outra vez,
Pensando os dois, que este tempo não passou de insensatez.

Eramos muito novos, e sem paciência para os "Quês",
Que os dois íamos revelando, um ao outro, de cada vez.
A distancia e circunstância, também não ajudou,
A algo, que se calhar, nunca terminou...

E apesar do tempo, e da vida, sentes que andas um pouco perdida,
Pois, por mais que tentes, por mais ninguém és compreendida,
A não ser aquele, a quem já não tens a teu lado na tua jovem vida,
porque não soubeste dar a quem devias, a sua importância devida

E é engraçado como com o decorrer de situações no dia-a-dia,
Achas que já não é só a impressão, de que não fez o que se podia.
E isto passa-se, porque mais ninguém consegue, nem de forma conjunta,
tocar-te naquele ponto, com uma simples, e mera, pergunta...



Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
Dedicado em especial ao Edu Ferreira, e a todos os jovens, e em especial crianças, que sofrem dessa doença maldita!

"Por Menos Estrelas Novas"

Mais uma alma nova se foi,
E é destas, que mais me dói!
Uma vida alegre, com um caminho pela frente,
Que teve um fim amargo, e abrupto, de repente.

Gastam dinheiro em coisas sem importância,
E insistem em não lhe dar a sua devida relevância,
A uma doença que não perdoa ninguém,
Até a mais nova alma, trata com desdém.

"Não falta gente mais nova a sofrer disso",
exclamam, sem se importarem muito com isso.
Dizem que até já encontraram cura, mas é preferível o dinheiro,
A acabar com este mal, fosse só metade, pois já nem peço por inteiro!

Preferem ver o futuro desdenhar,
Sem ter sequer hipótese, de se poder salvar.
Preferem deixar morrer,
Para a m**** do bolso encher.

Custa-me que não se investigue tal assunto,
Que se torne normal, ver mais um jovem, defunto.
Para depois virem com os chavões,
"Foi forte até ao fim, portou-se bem", dizem os c******.

Estou farto, mata-me por dentro,
e pergunto-me por um momento,
Se já foram ao Ipo, dos pequenos,
sem se roerem por dentro, ao menos?

E os populares, assobiando para o lado dizem,
"Que pena temos!", sem o olho abrirem,
Sem questionar o porquê de se permitir,
A tais almas jovens, tão cedo partir.

"Vão em direcção ao céu, para serem mais uma estrela"
Como se de facto, fosse uma morte feliz, uma morte bela.
Mas gostava, que a humanidade passasse para uma fase nova,
Tal e qual, quando uma estrela se torna, uma supernova.

Uma explosão que marca o fim de uma vida,
Mas que se perpetua, ecoando para não ser esquecida.
Passando dessa triste ideia, que infelizmente se renova,
Para a ideia, de que não queremos mais nenhuma Estrela nova!"

« Última modificação: Dezembro 27, 2017, 02:24 am por Maranhão »
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Razões"

Foi uma manhã estranha,
Daquelas em que algo se entranha,
que nos impulsiona a ter que fazer,
Sem por vezes o conseguirmos entender.

Apareci no teu trabalho, tinha que te ver,
E tu mal me viste, vieste logo comigo meter.
Perguntei-te a que horas estavas livre do trabalho,
e tu respondeste "Agora!", enquanto ias buscar o teu agasalho.

Perguntaste-me porque raio me deu na telha de te ir ver,
e o porque de aparecer, sem to ter dado a entender.
"Senti que o devia fazer, e sem pensar, decidi vir te visitar"
Riste-te comigo, e depois decidiste revelar,
que também sentias que te vinham visitar.

"Já não nos vemos à tanto tempo" dizias,
"é verdade, para quem se via todos os dias..."
"Já tinha saudades confesso", digo ao esboçar um sorriso
E de repente abraças-me sem aviso.

Ficamos ali abraçados, sem que nenhum fosse capaz de falar,
quebrando assim o silêncio, que se tinha acabado de criar.
Dei-te um beijo na testa, e tu olhas para mim com carinho,
E sem esperar, beijas-me com receio, devagarinho.

Ainda dizem que é estranho, estes pressentimentos, sensações,
Que sem aviso nos invadem a cabeça, o pensamento e os corações,
Sejam capazes de ligarem pessoas, e de criarem relações,
Sem que seja preciso haver qualquer tipo de razões.

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Beleza sem igual"

Já repararam que a música é uma língua universal?
Que para todos os momentos há sempre um tom,
que produz uma enxurrada de emoções, um som
que , alegre ou triste, nunca nos soa mal?

Porque raio pergunto isto dizem vocês.
Pois já sabem todos isso- insensatez!
Ouvia uma balada que nada tem haver
com a "música" de massa, que tentam vender.

Maravilhado, com o inicio clamo e alegre,
que com o desenrolar se tornou amargo.
Com um ritmo acelerado como uma lebre,
Com um final brilhante, como as escamas de um sargo.

Sem barulhos ou gritos, ou algo que se pareça,
e ao que parece, quer o mundo que isto desapareça.
Músicas que nos levam a viver a emoção do compositor,
interpretada magicamente, por um brilhante interlocutor.

Senti cada nota como se fosse uma faca, ou um doce,
Senti tanta coisa, sem saber o que quer que fosse,
que me levou a tais estados, e a tais emoções,
sem eu saber, sequer, quais as suas razões,

Tanto me senti alegre e cheio de vida,
Como de repente, estava triste, sem alma.
E sem saber, sentia uma fúria aguerrida,
Terminando num batimento lento, calma.

Foi com se tivesse visto uma luz a acender,
A ficar tão brilhante, e depois a desaparecer.
Como que visse uma vida desde do seu inicio,
ao seu fim, passando por alegrias e suplicio.

E tal coisa deixou-me intrigado e sem perceber
Como é possível que uma composição musical,
concebida por alguém normal, conseguir percorrer
em tão curto tempo um autentico enxoval,

Emotivo, sem acontecimento fora do normal.
Atingir tal beleza sem igual?



Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Sempre que te vejo"

Já passou algum tempo,
Desde a ultima vez que te vi.
Havia sempre algum contratempo,
Que me levava para longe de ti.

Quando nos vimos, foi como se nunca,
Nos tivessemos deixado de ver.
Falamos, melhor, falaste, do que andaste a fazer.
Dos teus planos para sair desta espelunca.

E eu ouvi pois falas sempre pelos dois.
Acho piada, e não me importo com tal coisa,
Revejo me no teu olhar sobre as coisas, para depois,
Tirar algo para mim, para ver se a minha vida repoisa.

Adoro -te, e gosto tanto de ti,
Que exporte o que sinto,
é algo que nunca, a fazer, me vi.
Pois seria alterar-te, juro que não minto.

Sinto que seria, se fosse correspondido,
Não irias ser capaz de cumprir o teu caminho,
E que aquilo que mais gosto em ti, teria desaparecido,
Prefiro então admirar-te, mesmo que sozinho.

Enquanto te ouço, percorro o teu corpo com o olhar,
E imagino, como tu tão pequenina, consegues planear,
Tais objectivos malucos, insanos, mas que fazem parte de ti,
E como te posso ajudar, a concretizar aquilo que percebi.

Como é tão certo que a tua  pequena altura,
não define o tamanho dos teus sonhos.
E que te ouço um dia inteiro, com ternura
Sem que tenha momentos enfadonhos.

E sempre que chega a altura de me despedir-mos, o teu beijo,
O teu abraço sentido e apressado, como a azafama da tua pessoa,
Deixa-me ansioso, desejoso até, porque deixas-me sempre à toa,
Pois por mal que a vida corra, sinto-me bem, sempre que te vejo.

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Ouvir..."

No meio de tanto barulho,
Na azafama do dia-a-dia,
Na tua mente vasculho,
A razão que não aparecia.

Estavas distante, perdida,
Notava-se algo que impedia,
De continuares com a vida.
E sem falares, eu percebia.

Já não nos víamos à meses,
Era estranho pois nunca...
Nunca te calavas, ás vezes!
Fazia-te uma festa na nuca...

Perguntei o que se passava,
E tu mantinhas-te calada.
E nisto enquanto andava,
Tropecei num buraco da calçada.

Enquanto me recompunha reparei,
que nem deste fé, e seguiste só.
E aproveitando, mais atrás observei,
e perguntei-me pelo teu lado airoso.

Finalmente deste por minha falta,
E procuraste-me preocupada,
Não demorou, mesmo não sendo alta
Encontrares-me com a vista aguada.

Esperaste por mim, e deste me o braço,
Assim já não me perdes pensava eu.
Comecei por tentar dar-te um espaço,
E comecei a perguntar o que te aconteceu.

Mantiveste o silêncio, e então continuei,
Contei uma história de dois amigos,
que vivam longe, e observei
Os teus sinais, os teus desígnios.

Continuando a história, tu ias "acordando",
Lentamente desse teu coma induzido,
E ias me, aos poucos, apertando.
Estava perto do assunto pretendido.

A história acabou entretanto, e finalmente
Passado um tempo valente, falaste,
Baixinho ias dizendo como estavas realmente,
E eu ouvia, e imaginando o que passaste.

O que te levou a perder a alegria,
Que te caracteriza, e que te definia,
Aos poucos ias recarregando a bateria,
E explanavas mais a razão da tua agonia.

No fim largas-te me braço,
E sem mais deste-me um abraço.
Confesso que deste-me cabe das costas,
Não me importei, já tinhas as energias repostas,

A tua distância desapareceu,
Pois foste capaz de conseguir,
Ultrapassar o que te esmoreceu,
Tendo-me a mim para te ouvir.

Despedimos-nos na estação,
Com uma promessa dos dois,
sempre que nos inquietasse o coração,
Ligava-mos para o outro, depois.

Ouvir a tua voz deixava-me em paz,
dizes que a minha voz a tua tristeza desfaz
E como não dava sempre para contigo, ir,
Chegava aos dois, apenas, um ao outro ouvir.

Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"
"Desculpa"

Hoje o dia não foi bom,
acordei mal e atordoado,
A disparatar por todo lado,
Sem ter atenção ao tom.

Saíste sem me falar,
foi bem compreensível,
E só, no que disse pude pensar,
Foi uma atitude risível.

Ligava-te mas sem resposta,
O que fiz bem mereci,
Procurei-te então pela costa
Mas sem sinal algum de ti.

O telemóvel tremeu,
Eras tu a dar noticias.
fui encontrar-te eu,
Não foram precisas perecias.

Estavas lá, sentada, e só.
Visivelmente magoada, choravas.
Ao ver-te o meu estômago deu um nó.
E aproximei-me, atento a quando te viravas.

Não te viras-te, estavas noutro lugar,
aproximei-me lentamente, e abracei-te.
Nem reagiste, só choravas sem falar.
E sem te largar, beijei-te.

Esqueci onde estávamos,
Comecei a procurar acalmar-te
Lá vieste a ti, e enquanto nos acalmávamos,
Abraçaste-me, e eu no meu colo, acariciei-te

Deitei a tua cabeça nas minha pernas,
Enquanto te afagava o cabelo calmamente,
E em silêncio, ali ficamos apenas,
Acariciando-te lentamente.

Comecei por perguntar se estavas melhor,
O que me confirmaste com a cabeça,
Eu sei que o que disse foi para ti um horror,
Não merecias que e por isso saíste depressa.

Não fui correto, nem justo, estava de mal com a vida,
E tu sem culpa nenhuma levaste comigo desprevenida,
Não quis magoar-te de forma alguma, cabeça a minha,
E tu olhas para cima e juntas a tua testa á minha.

Limpo-te as lágrimas e beijo-te,
Amo-te e sei que não tiveste culpa,
Não te consigo ver assim tão triste,
Mas só me resta pedir-te desculpa...
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir honrados por vestir a camisola do Sporting!"