Faz hoje 25 anos que morreu Zeca Afonso.

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25 anos sem Zeca Afonso
Nunca alguém o comprou, por um lapso de tempo que fosse, nem à sua criação artística. E só a morte viria a calá-lo, nesse incómodo 23 de fevereiro de 1987.
António Loja Neves (www.expresso.pt)
9:00 Quinta feira, 23 de fevereiro de 2012
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Faz hoje 25 anos que o Zeca sucumbiu à doença, deixando-nos - a todo um país - a braços com um legado complexo, a que não foram indiferentes os amigos e admiradores, nem os detratores e adversários políticos. Um legado musical, um vasto campo lírico para além das cantigas, uma atitude na vida, uma personalidade rara de homem íntegro.

Saiu da Glória (Aveiro) para o mundo, e palmilhou-o numa postura interventiva, não se contentando em contemplá-lo. Ousou mudar as coisas, as pessoas, a sociedade. Agarrou a vida pelos cornos e lidou-a com ardor, recusando desgraças e impossíveis.

José Afonso, cidadão, compositor, poeta, cantador, olhou-nos sempre de maneira frontal, convidando-nos a ir em frente, em sobressaltos mas não a medo. Exigente com os outros não mais do que consigo próprio, elevou por diversas vezes o mister das canções a um objetivo sublime.

Primeiro com a canção coimbrã - quando estudante do liceu e da universidade -, de companhia com o Adriano Correia de Oliveira, o Manuel Alegre, o José Niza, o Durval Moreirinhas, o Godinho e outros que desandaram dos fados e guitarradas para criar um movimento espontâneo, mas amadurecido, esboço do que seria, em breve, a canção de intervenção política contra a ditadura, contra a sociedade fascista, policial e castradora.

Grito de revolta a cada disco

Cada disco seu passou a ser um grito de revolta. Onde os mais atentos e insatisfeitos se reviam, e o tomavam como seu. Onde cada letra de denúncia clamando por liberdade correspondia a uma vasta tradição lírica que se queria poesia.

Com um desses poemas, datado de 1964, se dá a senha para desencadear o golpe de Estado de 25 de abril de 1974. Dez anos depois de composta, "Grândola, Vila Morena" passava a hino libertador e a canção que brotava a plenos pulmões de quem saía à rua no espanto da democracia. Zeca Afonso, no entanto, nunca embandeirou em arco.

Ao mesmo tempo que continuava a sua senda independente, intervindo em concertos e sessões de canto livre, recusava condecorações, declinando a Ordem da Liberdade num 10 de junho que já tinha sido dia da raça e nunca chegara a ser verdadeiramente dia dos poetas e do povo. Ainda e uma vez mais, esse era tempo do renovar da música portuguesa, numa influência pressentida de há muito, com ritmos africanos, paisagens sonoras em que conviveu anos a fio.

Das canções de intervenção contra o regime, já desusadas, Zeca passou a enumerar destinos e posturas novas, com o mesmo rigor e a mesma capacidade.

Nunca alguém o comprou, por um lapso de tempo que fosse, nem à sua criação artística. E só a morte viria a calá-lo, nesse incómodo 23 de fevereiro de 1987.



Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/25-anos-sem-zeca-afonso=f706437#ixzz1nEFAWhxN


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                                                                  RIP ZECA AFONSO

                                                                         1929-1987
Pagina da Associação José Afonso onde podem encontrar uma pequena reportagem feita pela SIC sobre os 25 anos da morte do cantor.


The past is now part of my future,the present is well out of hand Ian Curtis, Heart and Soul
o senhor a tocar guitarra foi meu prof de física no 12º ano!

Marcou de forma indelével a música portuguesa e ainda foi figura de destaque no "combate" à ditadura, com as suas líricas de intervenção, mas nem por isso menos poéticas.

Um Senhor!

 :clap:  :clap:  :clap:
"Alianças só na mão esquerda da minha mulher"
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Vejam tudo, quem não souber que a entrevista é de 1984 fica pensar que é de hoje.

The past is now part of my future,the present is well out of hand Ian Curtis, Heart and Soul

Grande Homem! Se fosse vivo... morria de desgosto!

Já não há revolucionários, porque motivos para revolução há de sobra! Muitos mais, se calhar, do que na altura em que foi feita...

Forever? só o meu amor por ti, SPORTING!!!
Um dos maiores vultos de sempre da MPP e da música de intervenção.

Cresci a ouvir o "Grandola", "Os Vampiros", "A formiga num carreiro", "Traz outro amigo também", "A morte saiu à rua", e muitas, muitas, muitas outras (tinha 11 anos quando se deu o 25 de Abril).

"Eles comem tudo! Eles comem tudo! Eles comem tudo, e não deixam nada!" - palavras proféticas e cada vez mais actuais.