Ainda é possível anular o novo Acordo Ortográfico

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Mas o português pré-acordo também tem cenas parvas e ninguém se revolta (por exemplo, viajar é com 'j' mas viagem é com 'g').

Não percebi.
Pessoalmente sou contra a utilização do Acordo Ortográfico, portanto, independentemente de vir a ser promulgado ou não, nunca farei quaisquer intenções de o utilizar.

Tudo dito.  :arrow:


Já eu, na minha futura profissão (editora/revisora, é para isso que estou a estudar) vou ter de trabalhar com o Acordo. Mas para mim não é problema porque sou totalmente a favor e, por isso, já comecei a usá-lo.

Acho que fazes muito bem, cada um deve ser livre de fazer como entende.

Fiquei apenas curioso em saber se tens alguma razão em especial que te leve a concordar com o Acordo ou é a tua avaliação feita somente por uma razão estética?


Sou uma pessoa pragmática e não tenho problemas com as mudanças neste campo, uma vez que, para além do Acordo simplificar a nossa língua, facilita a sua promoção.  :great:

Mais pragmático seria continuar como estava, tal como escrever logo em pites, "facilita" a língua ainda mais, não percebo é como uma perda de identidade pode ser vista como uma facilidade de promoção.

Continuas sem me dar uma razão especial, de preferência válida, para estares em favor do AO.

E já agora, se eu fosse uma pessoa contra mudanças, como sugeres no teu post, não teria uma assinatura com as palavras Anti-Capitalista, não te parece?

Convém relembrar os mais novos, que este Acordo já é falado desde o principio dos 90 e nunca ninguém lhe ligou nenhuma. Mesmo com o actual nível de propaganda na RTP e alguns jornais, tenho impressão que irá continuar a ser ignorado por uma grande parte da sociedade.
:great:


PS: Estive agora a a fazer um levantamento por alto do tópico e até agora, se não estou em erro, somos nove contra e três a favor. Os três que são a favor são de idades entre os quinze e vinte cinco, algo que só por si já diz bastante.
« Última modificação: Fevereiro 29, 2012, 11:28 am por Yazalde70 »
Mas o português pré-acordo também tem cenas parvas e ninguém se revolta (por exemplo, viajar é com 'j' mas viagem é com 'g').

Não percebi.
Faz sentido escrever uma com 'j' e outra com 'g'? Porque não viajem?


Citar
Há coisas na vida que nunca mudam, a nobreza de carácter é uma delas, ou se tem, ou não. Por mais “riqueza” que ostentem, os pobres de espírito sempre o serão. O complexo de inferioridade demonstrado por todas estas atitudes é totalmente incompatível com um clube que para além de títulos quer ser grande, pois a grandeza é muito mais do que o vencer. A grandeza é vencer, é saber vencer, é saber perder, é saber estar, algo que não está ao alcance de todos.

O Sporting Clube de Portugal,
Lisboa, 28 de Outubro de 2013
Citar
O secretário de Estado da Cultura admitiu ontem em entrevista à TVI-24 alterar até 2015 algumas regras do novo Acordo Ortográfico, que já está em vigor nos organismos do Estado desde janeiro deste ano.

Manifestando o seu desacordo com algumas normas, Francisco José Viegas lembrou que "do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial. Portanto, podemos mudá-la. Até 2015 podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos que aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer".

Questionado sobre a polémica decisão de Vasco Graça Moura que ordenou aos serviços internos do Centro Cultural de Belém (CCB) que não apliquem o novo acordo, o responsável pela pasta da cultura começou por lembrar que o presidente do CCB "é uma das pessoas que mais refletiu e se empenhou no combate contra o Acordo Ortográfico" para seguidamente lembrar aqueles que "não têm qualquer intimidade nem com a escrita, nem com a ortografia, terem vindo criticar e pedir sanções".

"Para mim é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da nossa língua, escrever como lhe apetecer", acrescentou o governante.

"Às vezes quando escrevo como escritor tenho dúvidas e vou fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa possibilidade, isto é, a competência que têm para escolher a sua ortografia. Não há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para nenhum de nós", rematou Francisco José Viegas.
In Expresso


Adorei um comentário à notícia que passo a transcrever:

Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Ortográfico: Horta feita com letras
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Violentamente: Viu com lentidão


“no small number of these whaling seamen belong to the Azores, where the outward bound Nantucket whalers frequently touch to augment their crews from the hardy peasants of those rocky shores.”
Herman Melville - Moby Dick
Adorei um comentário à notícia que passo a transcrever:

Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Ortográfico: Horta feita com letras
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Violentamente: Viu com lentidão

Vidente: Homem que viu dentes, dentista
Tridente: Homem com 3 dentes
Canguru: Líder espiritual de cães
Totalmente contra esta vergonha que é o Acordo Ortográfico.

Fiz eu 12 anos de escola até agora, e vai-se a ver e tudo o que aprendi sobre letras mudas, e acentuação está...Errado!

Enfim, usem se quiserem. Nada do que eu escrevo vai ter patente o que quer que seja desse atentado ao país.
Ou seja, por este ponto de vista, ainda estávamos a escrever como no tempo de Camões, certo?

Eu não tenho nada contra o Acordo Ortográfico. Nem percebo o porquê de tanta indignação.

Tem coisas estúpidas? Sim. Mas o português pré-acordo também tem cenas parvas e ninguém se revolta (por exemplo, viajar é com 'j' mas viagem é com 'g').

Já agora, para os que dizem que nunca na vida vão usar, quero-vos ver a ensinar português aos vossos filhos daqui a 10 anos segundo o português pré-acordo  ::)

Não estávamos a escrever como no tempo do Camões porque a língua evolui naturalmente. Não precisamos de mudanças artificiais e eu, enquanto cidadão com os mesmos direitos de qualquer outro, não aceito que haja uma trupe de uns quantos iluminados (e oportunistas) que se ache no direito de mudar a seu bel-prazer uma língua que não lhes pertence.

Como acontece até nas maiores desgraças, há sempre quem ganhe qualquer coisa com a situação. Neste caso, a meu ver, os grandes beneficiados com a implementação do Acordo em Portugal foram:

- as editoras, que fazem novos livros, manuais, gramáticas, etc.
- os linguistas que se posicionaram a favor do AO (como por exemplo Malaca Casteleiro, que só nós últimos dois anos deve ter feito mais dinheiro em livros do que no resto da sua vida toda)

A estes há ainda a acrescentar as empresas que tenham alguma coisa a ganhar com tudo isto, bem como os governantes e homens de negócios que lucram (directa ou indirectamente, legal ou ilegalmente) com a imposição do AO, e que por isso são favoráveis a esta mudança artificial. Bem vistas as coisas, quem sai a ganhar? Muito poucas pessoas!! O problema é que todas as que referi têm influência junto de quem decide estas coisas - e, por sua vez, já terão sido influenciadas (ou inc€ntivadas) por outras.

Este AO é de tal modo ridículo e descabido, que por mais que tente não consigo perceber como é que há tanta gente que o aceita sem pestanejar - e ainda criticam quem é contra! Que os oportunistas que vão lucrar com isto sejam a favor eu percebo, agora que o cidadão comum se deixe levar não cabe na minha cabeça. E muitos dos defensores, apesar de nunca me terem conseguido dar um argumento que não seja facilmente desmontável, nem são pessoas burras! É caso para dizer que ou anda tudo comprado ou está tudo doido!

A implementação deste AO é a prova de que o ridículo pode ir longe se for maquilhado com umas lambuzadelas de «modernidade» e um carimbo oficial em cima...



Pessoalmente sou contra a utilização do Acordo Ortográfico, portanto, independentemente de vir a ser promulgado ou não, nunca farei quaisquer intenções de o utilizar.

Tudo dito.  :arrow:


Já eu, na minha futura profissão (editora/revisora, é para isso que estou a estudar) vou ter de trabalhar com o Acordo. Mas para mim não é problema porque sou totalmente a favor e, por isso, já comecei a usá-lo.

Acho que fazes muito bem, cada um deve ser livre de fazer como entende.

Fiquei apenas curioso em saber se tens alguma razão em especial que te leve a concordar com o Acordo ou é a tua avaliação feita somente por uma razão estética?


Sou uma pessoa pragmática e não tenho problemas com as mudanças neste campo, uma vez que, para além do Acordo simplificar a nossa língua, facilita a sua promoção.  :great:

Mais pragmático seria continuar como estava (...)

E já agora, se eu fosse uma pessoa contra mudanças, como sugeres no teu post, não teria uma assinatura com as palavras Anti-Capitalista, não te parece?

(...)
 
Concordo contigo, em especial com as passagens que destaquei. Para além do que já disse acima, acho que muitas pessoas não diferenciam, ainda que de forma inconsciente, uma postura moderna e progressista de uma atitude do género «aceito indiscriminadamente tudo o que seja mudança». O argumento que muitas vezes é dado é o de que «as mentalidades têm de evoluir», etc., etc. Eu próprio não me considero conservador, mas recuso-me a aceitar passivamente qualquer mudança pelo simples facto de ser mudança. É preciso pensar e ver que, neste caso, a língua portuguesa está a ser corrompida por interesses económicos que a afastam artificialmente da sua raiz latina. Pior ainda, esta destruição está a ganhar apoio das únicas pessoas que o podem ainda anular - isto é, a opinião pública que, por ser quem na prática vai lidar com estas alterações, tem o poder de decidir se este AO é para aplicar ou se, pelo contrário, volta para a gaveta de onde nunca devia ter saído.

Resultado da imposição do AO: como era óbvio desde o início, instalou-se em Portugal o caos ortográfico. Neste momento temos 10 milhões de pessoas e duas ortografias. Nos EUA, por exemplo, há cerca de 300 milhões de pessoas e uma ortografia igual para todos (nos EUA e em todo o lado, mas Portugal é o único país do mundo que conseguiu complicar o que era fácil...)! Com tanta crise e desemprego, ainda se torna mais ridículo perceber como é que foi possível perder tempo a mexer (destruir) numa das poucas coisas que eram unânimes em Portugal.
«What's with these new bands? Everyone knows Rock attained perfection in 1974, it's a scientific fact!»

Sem ajudas de regimes nem cafés com leite... SPORTING, A MAIOR POTÊNCIA DESPORTIVA NACIONAL
Daqui vai mais um! Sou contra a parvoíce deste acordo.


Mas o português pré-acordo também tem cenas parvas e ninguém se revolta (por exemplo, viajar é com 'j' mas viagem é com 'g').

Não percebi.
Faz sentido escrever uma com 'j' e outra com 'g'? Porque não viajem?

Faz todo o sentido pois, Viagem é o nome (antigamente = substantivo) que dá origem ao verbo Viajar. E tem "j" porque mantendo um "g" seria escrito (e lido) Viagar, o que não faria sentido.

Viagem = nome

Viajar = Verbo (forma verbal do nome Viagem).
Viajem = Verbo (Presente do Conjuntivo = Que [eles] viajem)


Em suma, o verbo alterado graficamente preserva a fonética da palavra, coisa que não é respeitada em muitos casos do novo AO
« Última modificação: Fevereiro 29, 2012, 15:48 pm por Delatio »
Adorei um comentário à notícia que passo a transcrever:

Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Ortográfico: Horta feita com letras
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Violentamente: Viu com lentidão

Vidente: Homem que viu dentes, dentista
Tridente: Homem com 3 dentes
Canguru: Líder espiritual de cães


 
:rotfl: Já me fizeram rir... Nunca mais vou olhar para essas palavras da mesma maneira  :rotfl:




@138

Em geral não sou mesmo nada contra mudança, muito pelo contrário. Até costumo ser a favor de mais mudança que muitas pessoas mas não há duvida que neste caso me encontro fortemente entrincheirado no campo conservador, que paradoxalmente desta vez, é também o campo mais progressivo, pois mantém o nosso idioma mais perto da sua raiz, ajudando assim a compreender melhor o inglês, castelhano ou francês, com os quais compartilhamos a origem comum de muitas palavras.

E nem é só isso. A grande vantagem do português é usar uma imensidão de sons, o que a torna das mais ricas línguas do mundo. Não é por acaso que o português consegue aprender qualquer língua ( se calhar aquela dos estalidos não consegue, mas deve ser a única :mrgreen:)

Eu parto-me a rir quando vejo um brasileiro a tentar falar inglês, ou um inglês a tentar dizer Jão Viera Pintô.

Um português consegue, produzir qualquer palavra foneticamente, devido à aprendizagem que tem desde pequeno em reproduzir ditongos e outras formas fonéticas únicas do português.

E como sportinguistas que somos, não tarda teremos que nos referir como esportim. E como portugueses, Pórtugau.

“no small number of these whaling seamen belong to the Azores, where the outward bound Nantucket whalers frequently touch to augment their crews from the hardy peasants of those rocky shores.”
Herman Melville - Moby Dick
Por muito que me custe dizer isto, penso que o acordo ortográfico é um sinónimo de inteligência para o que o futuro nos reserva. Todos sabemos da importância que o Brasil irá ter no mundo, e para nós, portugueses, com certeza que irá abrir muitas portas.


SL
Demasiado fiel para desistir ! Só todos unidos podemos VENCER!
Por muito que me custe dizer isto, penso que o acordo ortográfico é um sinónimo de inteligência para o que o futuro nos reserva. Todos sabemos da importância que o Brasil irá ter no mundo, e para nós, portugueses, com certeza que irá abrir muitas portas.


SL

Os portugueses de Portugal e do Brasil são quase completamente inteligíveis entre si. E a tendência é a homogenização com a cada vez maior proximidade entre os dois países.

O que é que ganhamos, nós portugueses que nos interessamos com as portas brasileiras, na (quase) uniformização das regras da escrita dos dois lados do Atlântico, quando esta já é quase completa e simultaneamente inteligível, não sendo no entanto a linguagem falada uniforme dos dois lados da banheira, impedindo que a escrita seja consequentemente também uniforme?

A pergunta ficou algo longa e confusa. Eu resumo.

O que é que ganhamos em tentar uniformizar o inuniformizável quando já é simultaneamente inteligível?
Para além de outros beneficiados já referidos, o verdadeiro motivo deste AO é beneficiar as grandes editoras.
O Brasil é um mercado de 200 milhões de consumidores. Portugal apenas de 10 milhões.
Este AO vai permitir que um livro traduzido para brasileiro possa ser vendido em Portugal, ou seja, poupa-se o custo da tradução para português, que é elevado (tendo em conta o reduzido número de exemplares que são vendidos).
Perguntem aos tradutores portugueses se eles estão a favor do AO.

Quanto ao AO em si, é obviamente uma aberração, só possível neste mundo de ganância e lucro fácil.
 
Achas mesmo que vão deixar de haver traduções para português-PT quando ainda tens diferenças em palavras cruciais (ônibus - autocarro/trem - comboio/galera - pessoal) e em conjugação (fazendo - a fazer)?
Achas mesmo que vão deixar de haver traduções para português-PT quando ainda tens diferenças em palavras cruciais (ônibus - autocarro/trem - comboio/galera - pessoal) e em conjugação (fazendo - a fazer)?

Há traduções para alentejano?
Daqui vai mais um! Sou contra a parvoíce deste acordo.


Mas o português pré-acordo também tem cenas parvas e ninguém se revolta (por exemplo, viajar é com 'j' mas viagem é com 'g').

Não percebi.
Faz sentido escrever uma com 'j' e outra com 'g'? Porque não viajem?

Faz todo o sentido pois, Viagem é o nome (antigamente = substantivo) que dá origem ao verbo Viajar. E tem "j" porque mantendo um "g" seria escrito (e lido) Viagar, o que não faria sentido.

Viagem = nome

Viajar = Verbo (forma verbal do nome Viagem).
Viajem = Verbo (Presente do Conjuntivo = Que [eles] viajem)


Em suma, o verbo alterado graficamente preserva a fonética da palavra, coisa que não é respeitada em muitos casos do novo AO
E porque é que é "viagem" e não pode ser "viajem"?

@quem disse que a lingua evolui naturalmente: podes-me explicar isto sff?


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Há coisas na vida que nunca mudam, a nobreza de carácter é uma delas, ou se tem, ou não. Por mais “riqueza” que ostentem, os pobres de espírito sempre o serão. O complexo de inferioridade demonstrado por todas estas atitudes é totalmente incompatível com um clube que para além de títulos quer ser grande, pois a grandeza é muito mais do que o vencer. A grandeza é vencer, é saber vencer, é saber perder, é saber estar, algo que não está ao alcance de todos.

O Sporting Clube de Portugal,
Lisboa, 28 de Outubro de 2013
Achas mesmo que vão deixar de haver traduções para português-PT quando ainda tens diferenças em palavras cruciais (ônibus - autocarro/trem - comboio/galera - pessoal) e em conjugação (fazendo - a fazer)?

Não vão deixar de haver... há cada vez menos.
Mas cá estaremos para ver ou, neste caso, ler...
Daqui vai mais um! Sou contra a parvoíce deste acordo.


Mas o português pré-acordo também tem cenas parvas e ninguém se revolta (por exemplo, viajar é com 'j' mas viagem é com 'g').

Não percebi.
Faz sentido escrever uma com 'j' e outra com 'g'? Porque não viajem?

Faz todo o sentido pois, Viagem é o nome (antigamente = substantivo) que dá origem ao verbo Viajar. E tem "j" porque mantendo um "g" seria escrito (e lido) Viagar, o que não faria sentido.

Viagem = nome

Viajar = Verbo (forma verbal do nome Viagem).
Viajem = Verbo (Presente do Conjuntivo = Que [eles] viajem)


Em suma, o verbo alterado graficamente preserva a fonética da palavra, coisa que não é respeitada em muitos casos do novo AO
E porque é que é "viagem" e não pode ser "viajem"?


Creio que não compreendeste, de todo. Essa questão não faz sentido porque o Nome é Viagem! O verbo é que se adaptou à palavra original. Viajem existe e é uma conjugação do verbo Viajar. Aquilo que poderias perguntar, eventualmente, seria o porquê de viajar não ser viagar... Mas creio que chegas à resposta bem depressa.
Para além de outros beneficiados já referidos, o verdadeiro motivo deste AO é beneficiar as grandes editoras.
O Brasil é um mercado de 200 milhões de consumidores. Portugal apenas de 10 milhões.
Este AO vai permitir que um livro traduzido para brasileiro possa ser vendido em Portugal, ou seja, poupa-se o custo da tradução para português, que é elevado (tendo em conta o reduzido número de exemplares que são vendidos).
Perguntem aos tradutores portugueses se eles estão a favor do AO.

Quanto ao AO em si, é obviamente uma aberração, só possível neste mundo de ganância e lucro fácil.
 

Sabes que eu cresci a ler livros do Patinhas, passei os meus anos de adolescente a coleccionar Marvel, DC e outras ainda mais underground como Geraldão, Piratas de Tiete, todos eles editados no Brasil, e nunca precisei de nenhuma tradução especial.

Já agora, como é que se diz gibi em português pt? Sabes? É que palavras como essa nunca iram ser alteradas nos livros editados para os 200 milhões brasileiros, só porque 10 milhões do outro lado do Atlântico decidiram dar mais umas cambalhotas com a sua ortografia.

Aquilo que não se entende nos livros editados no Brasil, são as palavras "brasileiras" e não a ortografia.

E há um outro problema no teu raciocínio, se o numero de livros traduzido/vendido é mínimo, porque razão devemos mudar a nossa maneira de escrever?

Continuo a espera de uma razão valida para este AO. Até agora ainda não li nenhuma.
Citar

Esta entrevista a Francisco José Viegas (FJV) sobre o Acordo Ortográfico (AO) é um amontoado de gaguez, de indefinições e de disparates. Depois de ter ouvido atentamente, limito-me a aglomerar, também eu, alguns comentários, tentando gaguejar menos, definir melhor e evitar o disparate.

Francisco José Viegas começa por confessar que há coisas no AO de que gosta e outras de que não gosta, o que é irrelevante, porque a discussão sobre este assunto só faz sentido a partir do momento em que não se fale de gosto.

Depois, e após relembrar que o AO está a ser discutido há vinte anos, afirma que foi discutido à última da hora, o que é muito semelhante a um paradoxo. Sobre este arremesso alegadamente tardio, aproveita para ironizar acerca de uma tendência lusa para esperar até ao último momento e contestar uma medida há muito anunciada. FJV revela, assim, um profundo esquecimento acerca dos vários pareceres dados por especialistas.

Aproveitando a deixa de FJV, e analisando um outro tique português, a verdade é que, nas questões ligadas às Ciências Humanas e Sociais, há uma tendência do poder e da opinião pública para desprezar repetidamente os contributos dos especialistas nas matérias. Assim tem sido com a Educação, com o desprezo a que são votados avisos e contributos dos professores, e assim tem sido com a questão do Acordo Ortográfico, em que os muitos pareceres emitidos por linguistas foram ignorados e  considerados manifestações de mera caturrice.

Ainda a propósito desses mesmos pareceres, como é possível afirmar que não houve iniciativas com peso suficiente? Talvez FJV queira, antes, referir-se à falta de visibilidade desses mesmos contributos, sempre desprezados, quando não silenciados. Para os mais esquecidos, volto a lembrar que todos os pareceres sobre o AO estão nesta página do professor António Emiliano.

Mais à frente, afirma que a ortografia “é uma coisa artificial, provavelmente” e que, por isso, podemos mudá-la. Em primeiro lugar, o advérbio de modo indica uma estranha dúvida. Depois, cai numa argumentação tão vaga que torna aceitável qualquer alteração ortográfica. O que merece aqui destaque, no entanto, é o facto de considerar a grafia como sendo uma coisa “artificial”, o que nos levaria a uma discussão filosófica sobre o natural e o artificial na actividade humana. Se é certo que a língua (falada e/ou escrita) é uma convenção, não passa a convenção a integrar o modo como percepcionamos o mundo, o que inclui, entre muitas coisas, a aprendizagem da língua ou a decifração de enunciados? Sem querer aprofundar a questão, as regras ortográficas transformam-se numa segunda natureza que por ser segunda não deixa de ser natureza. Artificial passa a ser, então, qualquer modificação leviana do sistema ortográfico.

Mantendo-se na senda do disparate, ainda afirma que, no período experimental, até 2015, poderão ser introduzidos aperfeiçoamentos, o que demonstra o amadorismo e a leviandade com que os responsáveis políticos gerem as respectivas áreas, uma vez que modificações na ortografia têm influência no Ensino, na Comunicação Social ou na actividade editorial. Seja como for, FJV parece, implicitamente, reconhecer que o processo nasceu torto e, para isso, existe um ditado muito antigo. No estado em que estamos, o único aperfeiçoamento possível é, no curto prazo, o regresso ao acordo de 1945.

Já me alonguei mais do que desejaria, mas não posso deixar passar em claro a confusão final em que o Secretário de Estado da Cultura tropeça, misturando liberdade artística e liberdade individual, ao terminar com uma confusa apoteose da ortografia privada, um mundo anárquico em que cada um possa escrever como lhe der na gana. Ora, a verdade é que as regras ortográficas ou outras existem, também, para ser ignoradas ou desrespeitadas ou contrariadas por escritores e artistas. Resta-nos o consolo de saber que desrespeitar essas regras não implica sanções “graves”.

Artigo publicado aqui
 
Por muito que me custe dizer isto, penso que o acordo ortográfico é um sinónimo de inteligência para o que o futuro nos reserva. Todos sabemos da importância que o Brasil irá ter no mundo, e para nós, portugueses, com certeza que irá abrir muitas portas.


SL

Os portugueses de Portugal e do Brasil são quase completamente inteligíveis entre si. E a tendência é a homogenização com a cada vez maior proximidade entre os dois países.

O que é que ganhamos, nós portugueses que nos interessamos com as portas brasileiras, na (quase) uniformização das regras da escrita dos dois lados do Atlântico, quando esta já é quase completa e simultaneamente inteligível, não sendo no entanto a linguagem falada uniforme dos dois lados da banheira, impedindo que a escrita seja consequentemente também uniforme?

A pergunta ficou algo longa e confusa. Eu resumo.

O que é que ganhamos em tentar uniformizar o inuniformizável quando já é simultaneamente inteligível?

Oralmente é inteligível, mas se calhar a escrita poderia estar mais simples e próxima do brasileiro.
Na universidade percebia melhor o inglês escrito do que o brasileiro escrito...

Penso que esta mudança facilita, por exemplo, a troca de emails que é muito usado no relacionamento das empresas.
De qualquer forma, entendi bem o teu  ponto de vista, faz todo o sentido.
Demasiado fiel para desistir ! Só todos unidos podemos VENCER!
Para além de outros beneficiados já referidos, o verdadeiro motivo deste AO é beneficiar as grandes editoras.
O Brasil é um mercado de 200 milhões de consumidores. Portugal apenas de 10 milhões.
Este AO vai permitir que um livro traduzido para brasileiro possa ser vendido em Portugal, ou seja, poupa-se o custo da tradução para português, que é elevado (tendo em conta o reduzido número de exemplares que são vendidos).
Perguntem aos tradutores portugueses se eles estão a favor do AO.

Quanto ao AO em si, é obviamente uma aberração, só possível neste mundo de ganância e lucro fácil.
 

Sabes que eu cresci a ler livros do Patinhas, passei os meus anos de adolescente a coleccionar Marvel, DC e outras ainda mais underground como Geraldão, Piratas de Tiete, todos eles editados no Brasil, e nunca precisei de nenhuma tradução especial.

Já agora, como é que se diz gibi em português pt? Sabes? É que palavras como essa nunca iram ser alteradas nos livros editados para os 200 milhões brasileiros, só porque 10 milhões do outro lado do Atlântico decidiram dar mais umas cambalhotas com a sua ortografia.

Aquilo que não se entende nos livros editados no Brasil, são as palavras "brasileiras" e não a ortografia.

E há um outro problema no teu raciocínio, se o numero de livros traduzido/vendido é mínimo, porque razão devemos mudar a nossa maneira de escrever?

Continuo a espera de uma razão valida para este AO. Até agora ainda não li nenhuma.

Penso que não percebeste o que eu quis dizer, ou eu não me expliquei bem...
O que quero dizer é que o mercado livreiro português vai ser ainda mais invadido por traduções brasileiras, pois para as editoras será mais barato editar apenas uma versão/tradução em vez de duas. E obviamente que a que vai prevalecer será a tradução brasileira, devido à enorme diferença de tamanho dos dois mercados.

Respondendo também a quem atrás falou nas palavras ônibus, trem, etc., será fácil com qualquer software substituí-las por autocarro, comboio, etc.

O que quero realçar é que a maior "força" a defender este AO é a das editoras. E obviamente sou contra.
Também eu não vejo nenhuma razão válida para este AO a não ser a ganância e o lucro fácil.

PS - Também cresci a ler Patinhas e seus derivados. E o que eu aprendi com isso.  :great: