O que poderemos melhorar na prospecção/formação do Sporting Clube de Portugal

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Após um ano e meio a desenvolver uma ideia para melhorar a prospecção/formação do Sporting Clube de Portugal,consegui através de uma amiga o contacto do Sr. Virgilio Lopes,que contactei ontem,dia 11 de Março,a solicitar a oportunidade para apresentar a minha ideia exclusivamente ao clube do nosso coração.

Devo dizer que fiquei surpreendido com a facilidade com que consegui agendar para dia 19 de Março uma reunião com o Sr. Virgilio Lopes na academia de Alcochete para o mesmo ouvir as minhas ideias,que não se centram meramente no jogador português mas também no jogador estrangeiro.

Após ler alguns tópicos neste fórum e ter acrescentado alguns pontos à minha ideia,decidi também abrir este tópico para quem pretender,poder apontar mais sugestões/alterações que poderão ser uma mais valia para o nosso clube e que terei todo o gosto em apresentar ao Sr. Virgilio Lopes.


Já agora,visto nunca ter estado na academia e não possuir viatura própria,alguém me consegue dizer qual a melhor forma de lá chegar através de transportes públicos?


SL
No dia em q morrer viro lampião.Só para ser mais um a ir com os porcos




***Este texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***
Duvido que consigas chegar à academia de transportes públicos, penso que eles não existem para aquele local em particular.
Duvido que consigas chegar à academia de transportes públicos, penso que eles não existem para aquele local em particular.

Pelo que consegui apurar também me parece que não,mas seja como for,hei-de lá chegar :)
No dia em q morrer viro lampião.Só para ser mais um a ir com os porcos




***Este texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

Após um ano e meio a desenvolver uma ideia para melhorar a prospecção/formação do Sporting Clube de Portugal,consegui através de uma amiga o contacto do Sr. Virgilio Lopes,que contactei ontem,dia 11 de Março,a solicitar a oportunidade para apresentar a minha ideia exclusivamente ao clube do nosso coração.

Devo dizer que fiquei surpreendido com a facilidade com que consegui agendar para dia 19 de Março uma reunião com o Sr. Virgilio Lopes na academia de Alcochete para o mesmo ouvir as minhas ideias,que não se centram meramente no jogador português mas também no jogador estrangeiro.

Após ler alguns tópicos neste fórum e ter acrescentado alguns pontos à minha ideia,decidi também abrir este tópico para quem pretender,poder apontar mais sugestões/alterações que poderão ser uma mais valia para o nosso clube e que terei todo o gosto em apresentar ao Sr. Virgilio Lopes.


Já agora,visto nunca ter estado na academia e não possuir viatura própria,alguém me consegue dizer qual a melhor forma de lá chegar através de transportes públicos?


SL
Boa Sorte hoje!
Depois se puderes, ou se achares correcto, partilha aqui as tuas ideias também !
Deixo aqui um texto interessante de Gonçalo Borges escrito no Bola na Rede:

Em Portugal temos pressa. Estamos apressados, agitados e ansiosos pelo produto final. Mas esquecemos o processo, esquecemos os “meios” que nos levam a dados objectivos. Esquecemos a formação e a forma como a realizamos.

Não há muita paciência, mas sobretudo pensa-se pouco no processo que está em causa. É evidente que toda a gente gosta de ganhar e se forma melhor a ganhar. Mas será que para os jovens de um país com um futebol em crise é mais importante aprender e crescer ou ganhar o campeonato? Será que com esta conjuntura vale a pena exigir a crianças o mesmo que se exige a seniores de alta competição? Eu acredito que não, que não faz sentido.

Seguindo o mesmo caminho, nota-se que se exigem resultados rápidos e muito positivos em idades tenras mas que após uns anos, quando chega o momento de “lançar” o jovem, acontece normalmente uma de duas coisas: ou simplesmente não se lança o jovem, ou, lançando-o, o mesmo apresenta debilidades que o impedem de vingar. E porquê? Porque falhou, normalmente, o processo. Sim, o processo de formação. E se calhar o jovem até foi campeão em todos os escalões etários ulteriores, mas se calhar foi assim através de “caminhos mais curtos” e da ignorância da aprendizagem de certas ferramentas que são determinantes na sua consagração como atleta de competição.

E isto do processo é algo que começa aos seis ou sete anos de idade e que raramente termina antes dos vinte e três anos de idade. E é nas idades menores que esse processo tem de ser rigoroso, adequado e constantemente analisado e adaptado. É sem pressa e com método que se formam os melhores. É evidente que um “fora de série” é sempre um “fora de série”, mas os “comuns mortais” necessitam de percorrer dadas etapas e de ter um acompanhamento pedagógico, que deve ser estruturado e adequado à respectiva realidade.

Portanto creio que procurar sempre “bater na frente” e marcar golos nem sempre é o melhor caminho. Não é errado; é um conceito e é livre de existir. Mas o que defendo é que os jovens necessitam de criar uma mais e constante relação de “intimidade” com a bola e simultaneamente ir gradualmente conhecendo o jogo nas suas diversas dimensões. Necessitam de ser formados para serem atletas competentes e capacitados.

Um exercício simples: o que se faz com um atleta que só joga directo e que não consegue executar correctamente uma recepção e um passe? O que fazer com um jovem que só corre verticalmente e que não sabe como usar o espaço e ceder linhas de passe aos colegas? São questões que deixo. Normalmente estes problemas existem em muitos clubes portugueses, e a questão é: se tem dez anos, é possível moldá-lo e dar-lhe mais ferramentas. Se tem vinte e três anos, muito provavelmente será pouco útil – senão dispensado. Infelizmente vemos atletas com este perfil a cessar a actividade aos 18 anos porque não têm capacidades para acompanhar os restantes colegas e a exigência do jogo.

Por outro lado podemos também falar de valores e do comportamento. Se a sua moral é ganhar a qualquer custo e reclamar de decisões superiores e das equipas de arbitragem, é natural que venha a ser afastado. Ou seja, o processo de formação vai ao encontro de todas as dimensões. Os nossos atletas devem saber estar dentro e fora do campo, assim como devem ter comportamentos técnicos, tácticos, físicos e intelectuais competentes e dentro do que a modalidade exige.

Convém por isso olhar um pouco mais para o processo. Há que compreender o que se está a fazer e perceber se os jovens estão a evoluir positivamente, se por sua vez estão a crescer como atletas e como seres humanos e se conseguem ser, a título de exemplo, competentes no trato da bola e na compreensão dos momentos do jogo. Há que entender o erro e assumir que o mesmo faz parte da formação. E, por fim, há que saber relativizar o resultado e não enviar o mesmo à “cara” dos jovens como sendo tudo e mais alguma coisa.

Por vezes vemos os jovens serem empurrados pela formação acima, pelo jogo acima, pelo resultado acima, mas esquecemo-nos daquilo de que eles necessitam para crescer. Por vezes vemos tanta pressa para que eles joguem o jogo que depois na idade em que se devem assumir como atletas seniores simplesmente não têm espaço.

E esse espaço depende de muitas coisas, como se sabe, e nem sempre está relacionado com o facto de se estar bem ou mal formado. Mas certamente que um atleta bem formado e produto de um processo adequado terá mais facilidade em procurar o seu espaço – e nem tem de ser no clube onde se formou, poderá ser noutro clube. Agora tenhamos uma certeza: para estes atletas vamos sempre ter espaço no futebol – no desporto em geral – e na sociedade.

P.S.: Um mau exemplo do nosso dirigismo: há dias o clube onde trabalho inscreveu o meu plantel num torneio extraordinário oficial. Este torneio serve para manter os clubes em competição até ao final da época (Junho). Contudo a Associação de Futebol de Lisboa decidiu criar um torneio predominantemente estruturado por eliminatórias a uma só mão onde se privilegia apenas o resultado (a tal lei do mais forte para jovens de doze anos). Ou seja, os “perdedores” só jogam até ao início de Maio; os “melhores” competem até meados do mês de Junho. Quem perde não merece o direito à competição e à formação? As crianças e o nosso futebol não merecem isto.
"Infelizmente, o Sporting é o Clube mais divisionista, intriguista e falso-puritano que conheço. Por muito que doa aos sportinguistas, não há sentido de Corpo neste Clube. Somos todos sportinguistas, sim senhor, mas desde que o Sporting seja à medida de cada um e não à medida de todo o mundo leonino. Há quem exulte com as derrotas do clube, se isso significar estar um passo mais perto do lugar, do cargo, da posição ou, como se diz na gíria leonina, do "croquete" "
Lembrei-me de um texto muitíssimo interessante sobre o tema que li há uns meses, já agora deixo aqui também.

(Aviso: parede de texto incoming :mrgreen:)

Formar para vencer, ou vencer, formando?

Quantas pessoas seguem, de facto, o futebol de formação, em Portugal? (Desde já assumo que não me conto entre essas.) E quantas, chegada a fase final dos campeonatos de escalões de formação, começam a afiar as garras, assanhados pela possibilidade de vencer mais uma prova que, para o que realmente interessa, vale menos que o dinheiro com que se manda fazer a taça? (Mas também não faço parte destas.) Nesses miúdos em fase de crescimento, enquanto jogadores e homens, fazem reflectir as paixões clubísticas, cegas e parciais até ao tutano, bem como as frustrações de uma época que tenha corrido mal aos graúdos.
Findo o campeonato, os adeptos do clube vencedor congratulam-se com mais uma vitória, fixam dois ou três nomes que deram nas vistas nas fichas dos jogos, e esquecem tudo na semana seguinte. Isto porque o que interessa, na verdade, são os seniores, e, para os seniores ganharem, não se vai lá com putos, nunca se vai lá com putos. É sempre preciso contratar uns 5/6 jogadores, mas de créditos firmados, logo caros, mas não se fazem omeletes sem ovos, alguém há-de pagar, que peguem de estaca e façam subir exponencialmente o potencial do plantel; ou, pasme-se, 2/3 miúdos estrangeiros que, nos seus campeonatos ainda mais periféricos que o lusitano, por obra e graça do espírito globalizante se evidenciaram também por cá enquanto grandes promessas do desporto-rei.
Que interessa se, ao se contratar esses miúdos, que merecem ser felizes, nada contra, se está a obstar a que os nascidos neste rincão possam ter, igualmente, ensejo de se mostrarem como tão ou mais promissores, quiçá certezas absolutas? E, no entanto, começa-se ou termina-se o veredicto por se declarar solenemente favorável a que os miúdos da formação tenham hipóteses. Só que é preciso ganhar, é preciso manter-se na primeira, é preciso subir de divisão, é preciso qualquer coisa que eles não podem garantir, nunca podem, os miúdos… mas, afinal, quem pode garantir seja o que for?
Não fica, porém, por aí, essa gincana contraditória de opiniões. Quando se começa a dar forma aos plantéis seniores da época seguinte, eis que logo surgem as sentenças inapeláveis: o clube devia apostar mais nos putos; devia haver mais gente da formação no escalão sénior; os estrangeiros não sentem a camisola e vêm apenas por dinheiro; abaixo as contratações sul-americanas, vivam os miúdos!… e, no entanto, continuam a faltar 5/6 jogadores…
E neste círculo vicioso andamos e permanecemos, e permaneceremos enquanto não se decidir ao certo o que se quer da formação.

A formação serve para vencer troféus que alimentem as salas menores dos museus, ou a formação deve servir acima de tudo para alimentar os plantéis seniores, para que estes consigam lutar, ano após ano, pelos seus objectivos, sem que o clube tenha de recorrer a meios de que não dispõe, hipotecando assim, no grande plano geral, as suas possibilidades de sucesso futuro em troca de um triunfo efémero no presente?
A própria palavra o indica: formar é fazer, construir, produzir, ou ir-se desenvolvendo, ir tomando forma, e desenvolvendo é a palavra-chave. Desenvolver competências, individuais e colectivas, físicas, técnicas, tácticas e, o que me parece ser muito, demasiado (porque, na realidade, é o que mais importa) negligenciado, intelectuais, para que, chegado à mesa dos adultos, o jogador possa responder assertivamente ao que lhe for solicitado pelo treinador. Formar, numa perspectiva ideal, seria pegar em mil miúdos com conhecimentos rudimentares do jogo e, findo o percurso, ter mil graúdos completamente capazes de o executar na sua plenitude. Assumindo que, na natureza do futebol, Lavoisier não manda, muito se perderá, e desses mil restarão apenas alguns, os que forem capazes de sobreviver à selecção natural. Falei de capacidade de execução do jogo, mas não entendo que isso seja apenas executá-lo tecnicamente. Para mim, mais importante, e mais crucial para aferir da qualidade de um jogador, é aqueloutro aspecto que referi: capacidade de responder às solicitações do treinador, mas sobretudo do jogo, de cada jogo, em cada momento desse jogo. É por aí que se define a linha que separa competência da incompetência: competente é aquele que sabe, sabe fazer, e sabe dar resposta a novos problemas. Não basta aos jogadores correr muito, receber, passar, fintar, driblar, rematar, defender agressiva ou contidamente. Competente é aquele que corre quando é preciso correr, que recebe com intuito de poder dar seguimento à jogada, que passa, finta, dribla, remata ou cruza, contém ou cobre o colega, avança a linha defensiva ou recua-a, quando assim deve ser, por ser a melhor opção. O mais competente é, no fundo, o que pensa melhor e depois executa com qualidade!
Por isso que formar não pode ser meramente padronizar, perpetuar nos jogadores ideias pré-concebidas sobre o que são as acções a realizar independentemente do contexto momentâneo: passa sempre para trás se estiveres de costas no meio-campo, nunca passes bolas lateralmente no meio-campo ou defesa, respeita sempre o movimento nas costas, bola perto da área é para dar chutão, ou que outras leis sagradas do arcaísmo futeboleiro existam. Padronizar é coarctar o pensamento, logo, padronizar é formar jogadores menos competentes. Não nos iludimos: esta apologia da competência não deixa de ser uma forma de formatação. Apenas difere por preferir exponenciar o campo de soluções ao serviço do jogador, ao invés de as reduzir a uma linha pré-estabelecida de comandos. A verdadeira busca pela competência é uma luta incansável para estimular e enquadrar a criatividade: incutir ao formando que nem sempre é necessário tirar um coelho da cartola para ser eficaz, e, simultaneamente, que a magia não é proibida, se usada para o bem.

Porém, nada disto parece acontecer em Portugal. A ideia que resulta do que se vê é que por cá se forma sem intenção de formar. Forma-se, com especial agravo ao nível dos maiores clubes, daqueles que, paradoxalmente, melhores condições teriam para aproveitar os frutos de um trabalho rigoroso, pensado, prospectivo, para os canecos dos escalões formativos. E forma-se assim, não necessariamente por culpa dos formadores, mas muito mais pela culpa de quem dirige os barcos: quer-se resultados. Mas a análise dos resultados está viciada à partida pela escolha dos factores de ponderação: em vez de se contar quantos jogadores acabam o processo formativo com capacidades acima da média, em vez de se contar quantos jogadores acabam por ascender à equipa sénior, são as tabelas classificativas dos campeonatos da formação que interessam, como se estes fossem o fim, em vez de um meio de aferir, de forma rude, o nível intermédio de consecução do processo (não desfazendo da necessidade de incluir, igualmente, a vertente competitiva do jogo, enquanto se forma). E, assim sendo, o termo da formação torna-se inelutavelmente o fim da linha para muitos potenciais ídolos da bancada: a quantos deles não é sequer dada a oportunidade de falhar, com ou sem estrondo? Parece que só em caso de cataclismo é que um clube olha para a sua formação numa outra perspectiva, a de uma ave progenitora que tem de proteger a sua prole mesmo depois de terminado o período de incubação. Num país com um mercado futebolístico tão exíguo, tão incapaz de se auto-alimentar sem receitas exteriores, vulgo transferências mais ou menos milionárias, este desperdício de capital acumulado é absolutamente incrível. Gastam-se rios de dinheiro a formar jovens que se irão afogar nos oceanos de dinheiro gastos a contratar lá fora, enquanto os cofres morrem à sede.
Tudo isto revela o quão desprovido de projectos pensados vive o futebol português, reflexo necessário do próprio país. Uma ideia, uma filosofia de clube, devidamente projectada na sua formação, serviria para cultivar rebentos futebolísticos adequados a um determinado estilo. Basicamente, formar de determinada forma é preparar com intuito, permitindo um conhecimento global de tudo o que constitui o recurso formado, incluindo as questões humanas, extra-futebol, nunca despiciendas, com uma amplitude a que nem amiudadas prospecções, observações, análises conseguirão jamais almejar. Outrossim, nada disto irá mudar enquanto não se alterarem dois dos pilares do pensamento retrógrado português: i) nem sempre o que vem de fora é melhor - só vale mesmo a pena ir lá se não houver por cá, pelo menos, tão bom; ii) a qualidade não tem idade - ou existe, ou não existe.
Enquanto se quiser apenas vencer na formação, em vez de vencer por se formar, a qualidade não existirá deveras no pequeno-grande panorama lusitano.
"Se uma equipa de futebol fosse uma empresa de construção civil e o adepto comum um empreiteiro, os trabalhadores não construiriam segundo um projecto, mas trabalhariam incessantemente, colocando tijolos em tudo o que era sítio. Não haveria casa, mas ninguém os poderia acusar de não terem trabalhado."
Como é que correu a reunião? Algum feedback que possas deixar?

SL