Futebol Feminino 2016/17

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O FUTEBOL FEMININO NO SPORTING CP – 21.08.16

Não poderia deixar de assinalar esta data simbólica. A razão é óbvia e simples: 21 anos depois o meu clube volta a ter futebol feminino, após ter sido extinto por Pedro Santana Lopes (a par do hóquei em patins, basquetebol e voleibol), um dos arautos do cRoquettismo.

Tal facto nada tem de extraordinário. No entanto, quero demonstrar o meu apreço pelo esforço feito por esta actual direcção em trazer de volta algo que nunca deveria ter deixado de existir. Este esforço irá permitir às nossas jogadoras umas das melhores condições jamais vistas, no futebol feminino, em Portugal até hoje. Também as formações de sub-17 e sub-19 não foram deixadas de lado, havendo assim um projecto certamente coeso para o futuro sucesso.

Minto se não referisse que não deixo de sentir um certo orgulho pelo nosso clube dar este passo, num caminho de luta que será alcançado mais cedo ou mais tarde – creio que existe um acompanhamento claro deste caminho, ou mesmo uma afirmação num lugar de possível destaque numa luta que deveria ser de todos (e nisto basta olhar não apenas para as realidades internacionais, mas também para as nacionais – desde o aumento do número de árbitras mesmo em provas profissionais e masculinas ao incremento de mais clubes e formações que se focam no futebol feminino). Porém, esse certo brio não fica por aqui. Não bastou o Jornal Sporting dar o devido e merecido destaque ao futebol feminino (coisa que não sucede assim tanto nos jornais desportivos – embora se verifique certas evoluções assinaláveis comparando com a situação de há 10 anos atrás); do mesmo modo, a Sporting TV transmitiu o jogo de apresentação (além de passar a transmitir os restantes jogos do clube a contar para o Campeonato). E faço esta referência porquê? Há poucos dias, por ocasião do jogo da meia-final de futebol feminino, que opôs Brasil frente à Suécia, a contar para os Jogos Olímpicos, deparo-me com uma situação que em nada me deixa sossegado: em canal público, numa hora típica de transmitir os referidos JO, não se deixava vislumbrar a magia de Marta, a inteligência e força de Formiga ou o espírito colectivo da Suécia. No dia seguinte, se não estou em erro, e nas mesmas circunstâncias, deparo-me com a transmissão do jogo sensação, quiçá um dos jogos mais interessantes que ocorreram na última década: um nada banal Brasil-Honduras a contar para as meias-finais de futebol masculino dos JO. Não me conformo. Segundo o que tenho observado, o nosso clube também não e é isto que quero enaltecer.

Como clube com uma diversa representação social devido ao seu paradigma de clube “grande”, acredito que possamos, de certa forma, auxiliar na luta e no caminho que já fiz referência – e é nisto que mais uma vez nos destacamos e temos que nos destacar, nunca olvidando o nosso carácter ecléctico nem as nossas responsabilidades enquanto instituição e consequente peso de notável importância na sociedade. Ainda assim, não quero com isto retirar mérito a quem o tem. A verdade é que, e como refere o nosso actual treinador, o Prof. Nuno Cristóvão, nos inícios do século XXI o número de jogadoras “cresceu graças à criação de clubes em locais onde nem Associações de Futebol existiam”.

Os adeptos e sócios terão também que fazer a sua parte. Friso: temos que fazer a nossa parte! Se assim não for arriscamo-nos a que esta luta, também de um prisma feminista, e assim como outros projectos que julgo querermos ver no futuro implantados no clube (falo do hóquei feminino, basquetebol – que infelizmente vi partir –, voleibol, andebol, entre outros), sejam impossíveis de concretizar, seja pela pouca pressão efectuada junto da direcção para que as coisas não parem de evoluir ou pela insustentabilidade dos mesmos.

Por último, que se aproveite este novo e ambicioso projecto para ser estandarte principal contra um paternalismo agregado ainda a valores pseudo-tradicionais/saudosistas (atente-se num caso não tão assim distante, onde n’A Bola, em 2003, se referia às jogadoras seniores de Portugal como “as nossas meninas”); ou ainda contra a perpetuação de imagens estereotipadas onde se “vende” em busca de apoio e cobertura (estejam atentos, por favor, senhores da Sporting TV) – que não se faça isto! Para que um dia se consiga almejar uma aniquilação das justificações que negam às mulheres de competir em termos de igualdade com os homens – ou pelo menos um debate mais aceso sobre a temática.

E com isto tudo talvez me tenha alongado!  :angel:  :)
Ainda há muita coisa a melhorar, muitos passes errados, pouca agressividade, provavelmente ainda devido a falta de rotinas de jogo e entrosamento. Muitas oportunidades falhadas tb. Gostei da Diana, boas movimentações, velocidade e técnica, foi a destoou do resto do grupo. A Tatiana para mim foi a que passou mais despercebida tendo em conta as expectativas
Vamos Meninas, sempre a melhorar!!!
Francisco Stromp disse um dia: " O Sporting não se deve sentir honrado por nós aqui jogarmos! Nós é que nos devemos sentir-nos honrados por vestir a camisola do Sporting!"
Há poucos dias, por ocasião do jogo da meia-final de futebol feminino, que opôs Brasil frente à Suécia, a contar para os Jogos Olímpicos, deparo-me com uma situação que em nada me deixa sossegado: em canal público, numa hora típica de transmitir os referidos JO, não se deixava vislumbrar a magia de Marta, a inteligência e força de Formiga ou o espírito colectivo da Suécia. No dia seguinte, se não estou em erro, e nas mesmas circunstâncias, deparo-me com a transmissão do jogo sensação, quiçá um dos jogos mais interessantes que ocorreram na última década: um nada banal Brasil-Honduras a contar para as meias-finais de futebol masculino dos JO. Não me conformo. Segundo o que tenho observado, o nosso clube também não e é isto que quero enaltecer.

Não tenho nada contra desporto feminino, mas se os masculino atrai mais audiência e é mais popular, qual é a surpresa aqui?

Os adeptos e sócios terão também que fazer a sua parte. Friso: temos que fazer a nossa parte! Se assim não for arriscamo-nos a que esta luta, também de um prisma feminista, e assim como outros projectos que julgo querermos ver no futuro implantados no clube (falo do hóquei feminino, basquetebol – que infelizmente vi partir –, voleibol, andebol, entre outros), sejam impossíveis de concretizar, seja pela pouca pressão efectuada junto da direcção para que as coisas não parem de evoluir ou pela insustentabilidade dos mesmos.

As atletas tb têm que mostrar dedicação, querer e resultados para quererem estar no mesmo patamar, não são só as modalidades femininas que são passíveis de serem extintas por falta de sustentabilidade, isso tb acontece c os masculinos
Agr vai-se criar e seguir modalidades só por serem femininas? Isso é que me parece paternalismo

Por último, que se aproveite este novo e ambicioso projecto para ser estandarte principal contra um paternalismo agregado ainda a valores pseudo-tradicionais/saudosistas (atente-se num caso não tão assim distante, onde n’A Bola, em 2003, se referia às jogadoras seniores de Portugal como “as nossas meninas”); ou ainda contra a perpetuação de imagens estereotipadas onde se “vende” em busca de apoio e cobertura (estejam atentos, por favor, senhores da Sporting TV) – que não se faça isto! Para que um dia se consiga almejar uma aniquilação das justificações que negam às mulheres de competir em termos de igualdade com os homens – ou pelo menos um debate mais aceso sobre a temática.

Aqui tb me parece que se procura demasiado por polemicas onde não existem. O feminismo cada vez mais parece uma parodia de si proprio hoje em dia.
Não sei bem o que se refere de imagens estereotipadas, mas por essa logica ainda vai uma virgem ofendida queixar-se de cheerleaders e desportos onde as atletas competem de equipamento mais reduzido como no atletismo ou voleibol de praia.

:beer:

Não tenho nada contra desporto feminino, mas se os masculino atrai mais audiência e é mais popular, qual é a surpresa aqui?

A questão não passa por aí. Ao mesmo tempo que se jogava a meia-final feminina, estavam a transmitir algumas qualificações de atletismo e de mergulho, acho eu. No dia da meia-final masculina foi a mesma coisa. Eu duvido que uma meia-final feminina entre Brasil e Suécia não tivesse a mesma audiência que as outras qualificações (repara que não disse que teria a mesma que o futebol masculino). Não pedia muito: apenas as meia-finais masculinas e femininas e respectivas finais. E isto não aconteceu (apenas a final).
E se fores pela audiência é porque não segues mesmo o futebol feminino. É só olhares para a aposta da Eurosport nas suas transmissões, pois as suas audiências não são nada más.
O que disseste é completamente subjectivo, só te representa a ti e não a uma opinião mais generalizada.

As atletas tb têm que mostrar dedicação, querer e resultados para quererem estar no mesmo patamar, não são só as modalidades femininas que são passíveis de serem extintas por falta de sustentabilidade, isso tb acontece c os masculinos
Agr vai-se criar e seguir modalidades só por serem femininas? Isso é que me parece paternalismo

Deves ter lido mal. Acontece. Algum dia leste que elas não deviam ser extintas se não se conseguirem auto-sustentar? Aliás e por outro lado ainda, estás sequer informado das quantidades de títulos e outros que atletas/desportistas do nosso clube já nos deram? É que por essa resposta parece-me que não.
E não quero que abram só por serem femininas! Quero que abram porque é algo mais que lógico, que nem devia ser questionado (consoante a disponibilidade e respectiva sustentabilidade)!

Aqui tb me parece que se procura demasiado por polemicas onde não existem. O feminismo cada vez mais parece uma parodia de si proprio hoje em dia.
Não sei bem o que se refere de imagens estereotipadas, mas por essa logica ainda vai uma virgem ofendida queixar-se de cheerleaders e desportos onde as atletas competem de equipamento mais reduzido como no atletismo ou voleibol de praia.

Desenvolvendo aqui o que anteriormente tinha dito aí em cima. Tu sim acabaste de perpetuar uma imagem estereotipada. No limite, estás a ter um discurso tradicionalista ao questionares/suspeitares da aberturas dos sectores femininos - talvez aceites com naturalidade o número cada vez maior de mulheres no papel de adeptas, inclusive de claques, e não tanto uma participação/acção das mulheres no "campo", no quadro participativo. E é deste último papel que as mulheres ainda, infelizmente, se vêem algo afastadas (apesar das evoluções que descaradamente se efectivaram) - e não do papel de adepta; não nos podemos esquecer que as mulheres nunca foram dispensadas do lado emocional da coisa, mas sim da sua actividade e oportunidade de discursar/participar enquanto agente nas cenas do jogo.

Quanto à última frase ainda ("queixar-se de cheerleaders e desportos onde as atletas competem de equipamento mais reduzido como no atletismo ou voleibol de praia"): não me viste a escrever nada disso, pois não? Então mantém o teu discurso coerente para que se possa debater de forma mais perspicaz.