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Fórum SCP - A Comunidade do Sporting Clube de Portugal Universo Sporting Clube de Portugal Orgulho Leonino (Moderadores: wild_oscar, Stunner, sotnas) Tópico:

Pedro Barbosa

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Autor Tópico: Pedro Barbosa (Lida 22334 vezes)

Re: Pedro Barbosa , « Resposta #160 em: Dezembro 07, 2013, 23:35 »



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Realmente, há coisas....

 Brinde
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #161 em: Dezembro 07, 2013, 23:41 »



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Realmente, há coisas....

 Brinde

O que um homem descobre no tópico do grande pastelão Pedro Barbosa!
 Brinde
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"Não é o Sporting que se orgulha do nosso valor. Nós é que nos devemos sentir honrados por ter esta camisola vestida."
Francisco Stromp
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #162 em: Março 13, 2014, 13:18 »



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Jogadores que Admiro #16 – Pedro Barbosa

“Comprava o Pedro só para o pôr a jogar no meu quintal”. A frase, mais palavra menos palavra, é de Quinito, a ‘velha raposa’ do futebol nacional que treinou Pedro Barbosa no Vitória Guimarães (http://www.record.xl.pt/Futebol/interior.aspx?content_id=30399). Sei bem que este jogador não vai ficar na História do futebol mundial. Mas foi alguém que aprendi a admirar, em virtude do seu estilo de jogo, da sua forma de estar no desporto e da grande dedicação com que sempre serviu o Sporting. É o meu único ídolo. Chegou a Alvalade para substituir Figo, no Verão de 1995, e a primeira imagem que tenho dele é uma assistência que fez num Portugal-Arménia. Seguiram-se outras recordações ainda melhores: o golo ao Boavista aos 27 segundos, as obras de arte nas Antas e nos Barreiros, o espectacular bis ao Leiria e muitos, muitos passes e jogadas estonteantes. A fantástica época de 03/04 que realizou, exibindo-se quase aos 34 anos com o requinte de um predestinado, e o facto de ter sido capitão nos dois títulos que vi o Sporting ganhar também contribuíram bastante para que Pedro Barbosa conquistasse para sempre um espaço na minha memória.

Aprendi a adorar a sua grande técnica (vi poucos jogadores em Portugal superiores a ele neste capítulo) e a quase indiferença com que deixava os adversários para trás. As suas simulações e fintas de corpo eram alvo da minha imitação na escola, ainda que na maioria das vezes não passassem de tentativas frustradas de copiar o meu ídolo. Nos intervalos das aulas, tentava pausar o jogo e fazer passes cirúrgicos, fintar alguém em passo de caracol, inventar um lance de magia a partir do nada. Raramente resultava, porque o talento não é coisa que se imite. Contudo, a simples ideia de estar, pensava eu, a reproduzir os movimentos do 8 do Sporting já era motivo de grande satisfação pessoal. E às vezes lá arrancava uma jogada mais bem conseguida, a que os meus colegas, talvez mais por solidariedade do que por encontrarem realmente semelhanças, reagiam com um “ganda Barbosa!”.

Li algures que este jogador foi protagonista de alguns dos “nós mais ordinários” do futebol recente, o que é uma expressão certeira. Nela se percebem tanto a classe e eficácia deste artista como o ligeiro rasto de humilhação que os seus dribles deixavam para trás. De uma forma simples e natural, sem grandes floreados e a um ritmo sincopado, Barbosa abria a enciclopédia e recordava-nos a todos, com a graciosidade de sempre e uma certa desfaçatez, que o futebol é realmente um jogo simples. Não era manifestamente um jogador “operário”, o que talvez explique o cepticismo de alguns adeptos relativamente a ele. Mas a bola agradecia cada toque seu. A lentidão que por vezes apresentava em campo valeu-lhe alcunhas como “pastelão” ou “Pedro Vagarosa”, para além do surgimento de histórias que davam conta de uma alegada perdição por croissants (http://ouclandestino.blogspot.pt/2008/03...istria-real-do-croissants-no-dia-da.html). No entanto, o ex-capitão do Sporting é a prova de que os futebolistas não se medem aos sprints e que a genialidade permite um ou outro abuso alimentar: Barbosa jogava melhor parado do que muitos a correr.

Umas vezes empolgava-se e mantinha um nível assombroso ao longo de todo o jogo, e aí o seu génio revelava-se demasiado grande para o periférico futebol português. Noutros jogos, contudo, a sua arte aparecia de forma mais esporádica, o que acabou por motivar críticas à sua irregularidade, ao facto de se alhear dos jogos, de “só jogar para o contrato”, etc. No futebol, como na vida, as pessoas querem resultados e não poesia. Querem velocidade, fintas e golos, e não inteligência, visão de jogo e capacidade de liderança. Neste desporto a 100 à hora, em que cada vez mais se exigem esforços sobre-humanos aos jogadores, nem sempre há lugar ou paciência para um pensador, para um estratega implacável. Muitos esquecem-se de que por detrás de cada Messi há um Xavi, por detrás de cada artista há um cérebro. Com as devidas distâncias, Barbosa era esse cérebro, sem no entanto abdicar do seu estilo fantasista que fazia um adepto passar, em escassos segundos, dos insultos hardcore às juras de amor eterno a ele dirigidas.

Se pensarmos um pouco, aliás, vemos que há poucos exemplos de futebolistas que, como Barbosa, conjuguem uma técnica apuradíssima com uma inteligência superior dentro de campo. O caso mais famoso talvez seja Zinedine Zidane, facto que levou alguns fãs do eterno 8 do Sporting a definirem o seu ídolo como “o Zidane português” (não seria antes Zidane o “Pedro Barbosa francês”? Afinal, o português até é mais velho… - https://www.facebook.com/Gordovaiabaliza/posts/758888547457968). A sua carreira internacional, porém, não foi tão consistente quanto podia, em parte devido ao facto de ter atingido o auge em plena “geração de ouro” e de ter tido a fortíssima concorrência de jogadores como Figo, Futre, Paneira, Sérgio Conceição, Capucho ou Simão. Ainda assim, marcou presença no Euro 96 e no Mundial 2002. Tive a felicidade de assistir em Alvalade ao seu melhor jogo pela Selecção, frente ao Chipre (6-0), em que um dos dois golos com que brindou a plateia foi de levantar o estádio.

A frase que mais vezes ouvi adeptos rivais dizerem quando ficam a saber da minha admiração por Barbosa é “se ele era assim tão bom, por que é que nunca saiu de Portugal?”. Estranho estes critérios que não impedem a consagração de monstros como Eusébio ou Pelé, mas que já são obstáculo quando se trata de outro jogador. No programa “A Noite do Futrebol”, co-apresentado por Paulo Futre, Barbosa admitiu ter tido várias propostas do estrangeiro, mas nunca quis abandonar um clube onde sempre foi bem tratado. Por cá, construiu uma aura de grande capitão e foi decisivo para a evolução de jovens como Quaresma, Viana ou Ronaldo. Numa visita recente a Portugal, Peter Schmeichel disse “it’s particularly nice to see Beto, Vidigal… and Mr. Barbosa” (youtube.com/watch?v=VM9ydHK9nIc). O facto de a liderança e clareza de discurso de Barbosa terem cativado um dos melhores guarda-redes de sempre, ao ponto de este chamar “senhor” a um ex-colega de equipa, é muito revelador.

No mesmo programa que atrás mencionei, Futre referiu-se a Barbosa como alguém que “ganhava o jogo sozinho, [o que fazia] era arte pura” (http://www.tvi.iol.pt/videos/13620043). Quando, há uns anos, Cristiano Ronaldo alinhava pelos juvenis do Sporting, perguntaram-lhe numa entrevista quais eram os jogadores do plantel principal que mais admirava, tendo o agora melhor do mundo escolhido “João Pinto e Pedro Barbosa, porque são dois grandes profissionais de futebol”. É significativo que Futre, jogador extraordinário, tenha convidado Barbosa para o seu programa; já o facto de Ronaldo admirar o meu jogador favorito mostra bem que idolatrar Pedro Barbosa é tudo menos descabido – o melhor futebolista português de sempre também o faz, e isso é mais uma prova de como ele soube sempre escolher os exemplos certos.

Não é comum ouvirmos um adepto rival afirmar que um dos seus jogadores preferidos de sempre jogava no nosso clube. Porém, foi precisamente isso que me disse um portista que conheci quando estava em Erasmus. Barbosa nunca foi um jogador consensual mas, da mesma forma que não era apreciado por todos os Sportinguistas, a sua enorme qualidade extravasava o Sporting e contagiava adeptos rivais. E foi também esta eterna controvérsia, tão característica dos génios, que sempre me fascinou.

Barbosa retirou-se em 2005, depois de um campeonato roubado nos últimos minutos e de uma final europeia cruelmente perdida em casa. Recordarei para sempre a sua imagem a passar ao lado da taça. O capitão, mais do que todos, merecia erguê-la e não ter de circundá-la de rosto fechado e cabeça baixa. Pedro Gomes, comentador desportivo e antiga glória do Sporting, referiu na altura que Barbosa quase nunca jogou a nº10, posição onde poderia ter rendido ainda mais. Concordo. A jogar nas costas dos avançados, sem grandes preocupações defensivas e numa zona em que a velocidade é menos determinante, as qualidades do eterno capitão tê-lo-iam projectado para um nível de excelência que nas alas podia por vezes não aparecer. Seja como for, amado por uns e incompreendido por outros, Pedro Barbosa entrou na História do Sporting e do desporto nacional enquanto um dos melhores futebolistas da sua geração. No meu caso, ficar-lhe-ei eternamente grato por me ter mostrado que o futebol também pode ser arte, de tal forma que senti a necessidade de comprar a camisola com o seu nome e número na última época em que representou o Sporting. Nove anos depois do abandono de Pedro Barbosa, os relvados portugueses ainda choram pelo seu regresso. Muito tempo passará até que apareça alguém semelhante.

http://www.bolanarede.pt/?p=9471
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«What's with these new bands? Everyone knows Rock attained perfection in 1974, it's a scientific fact!»

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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #163 em: Março 13, 2014, 14:48 »


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Excelente texto sobre o Capitão Barbosa! Há quem prefira manchar uma carreira interessantes de um dos mais tecnicistas jogadores que o mundo já viu (Sim, no que a técnica diz respeito, meto-o facilmente na prateleira de Zidane, de Redondo ou de Ariel Ortega) com fait-divers sobre croissants ou com a sua passagem como director desportivo.

Muitas saudades de jogadores com este carisma.  Brinde
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O Sporting é o Clube de Portugal.

Há os que exigem;
Há os que reclamam;
Há os que teclam;
E há os que dão: http://www.forumscp.com/index.php?topic=59703.40
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #164 em: Março 13, 2014, 15:13 »



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Excelente texto sobre o Capitão Barbosa! Há quem prefira manchar uma carreira interessantes de um dos mais tecnicistas jogadores que o mundo já viu (Sim, no que a técnica diz respeito, meto-o facilmente na prateleira de Zidane, de Redondo ou de Ariel Ortega) com fait-divers sobre croissants ou com a sua passagem como director desportivo.

Muitas saudades de jogadores com este carisma.  Brinde

Com um capitão como ele, havia respeito no balneário. Faz falta uma figura assim.
Já futebolísticamente, foi dos poucos ídolos que criei. Soberbo.


P.S.: para quem diz que ele era lento, lembro que chegou a ter o recorde do clube entre os futebolistas do seu tempo nas provas de velocidade.
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #165 em: Março 13, 2014, 15:20 »



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Primeira camisola que tive do Sporting: alternativa 1999/2000, número 8, Pedro Barbosa.
Dos meus jogadores preferidos de sempre. Em termos de Sporting, acima dele, só coloco o Balakov.
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Leão ao peito, SPORTING no coração!
Ecletismo: uma bandeira do Sporting Clube de Portugal!
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #166 em: Março 13, 2014, 15:47 »



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https://www.youtube.com/watch?v=k-vENmMMc7c

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Dificilmente teremos nos próximos tempos um capitão como este.
Como jogador das poucas vezes que o vi jogador, gostei imenso do que vi é o meu tipo de jogador.
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #167 em: Março 13, 2014, 16:42 »



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Jogadores que Admiro #16 – Pedro Barbosa

“Comprava o Pedro só para o pôr a jogar no meu quintal”. A frase, mais palavra menos palavra, é de Quinito, a ‘velha raposa’ do futebol nacional que treinou Pedro Barbosa no Vitória Guimarães (http://www.record.xl.pt/Futebol/interior.aspx?content_id=30399). Sei bem que este jogador não vai ficar na História do futebol mundial. Mas foi alguém que aprendi a admirar, em virtude do seu estilo de jogo, da sua forma de estar no desporto e da grande dedicação com que sempre serviu o Sporting. É o meu único ídolo. Chegou a Alvalade para substituir Figo, no Verão de 1995, e a primeira imagem que tenho dele é uma assistência que fez num Portugal-Arménia. Seguiram-se outras recordações ainda melhores: o golo ao Boavista aos 27 segundos, as obras de arte nas Antas e nos Barreiros, o espectacular bis ao Leiria e muitos, muitos passes e jogadas estonteantes. A fantástica época de 03/04 que realizou, exibindo-se quase aos 34 anos com o requinte de um predestinado, e o facto de ter sido capitão nos dois títulos que vi o Sporting ganhar também contribuíram bastante para que Pedro Barbosa conquistasse para sempre um espaço na minha memória.

Aprendi a adorar a sua grande técnica (vi poucos jogadores em Portugal superiores a ele neste capítulo) e a quase indiferença com que deixava os adversários para trás. As suas simulações e fintas de corpo eram alvo da minha imitação na escola, ainda que na maioria das vezes não passassem de tentativas frustradas de copiar o meu ídolo. Nos intervalos das aulas, tentava pausar o jogo e fazer passes cirúrgicos, fintar alguém em passo de caracol, inventar um lance de magia a partir do nada. Raramente resultava, porque o talento não é coisa que se imite. Contudo, a simples ideia de estar, pensava eu, a reproduzir os movimentos do 8 do Sporting já era motivo de grande satisfação pessoal. E às vezes lá arrancava uma jogada mais bem conseguida, a que os meus colegas, talvez mais por solidariedade do que por encontrarem realmente semelhanças, reagiam com um “ganda Barbosa!”.

Li algures que este jogador foi protagonista de alguns dos “nós mais ordinários” do futebol recente, o que é uma expressão certeira. Nela se percebem tanto a classe e eficácia deste artista como o ligeiro rasto de humilhação que os seus dribles deixavam para trás. De uma forma simples e natural, sem grandes floreados e a um ritmo sincopado, Barbosa abria a enciclopédia e recordava-nos a todos, com a graciosidade de sempre e uma certa desfaçatez, que o futebol é realmente um jogo simples. Não era manifestamente um jogador “operário”, o que talvez explique o cepticismo de alguns adeptos relativamente a ele. Mas a bola agradecia cada toque seu. A lentidão que por vezes apresentava em campo valeu-lhe alcunhas como “pastelão” ou “Pedro Vagarosa”, para além do surgimento de histórias que davam conta de uma alegada perdição por croissants (http://ouclandestino.blogspot.pt/2008/03...istria-real-do-croissants-no-dia-da.html). No entanto, o ex-capitão do Sporting é a prova de que os futebolistas não se medem aos sprints e que a genialidade permite um ou outro abuso alimentar: Barbosa jogava melhor parado do que muitos a correr.

Umas vezes empolgava-se e mantinha um nível assombroso ao longo de todo o jogo, e aí o seu génio revelava-se demasiado grande para o periférico futebol português. Noutros jogos, contudo, a sua arte aparecia de forma mais esporádica, o que acabou por motivar críticas à sua irregularidade, ao facto de se alhear dos jogos, de “só jogar para o contrato”, etc. No futebol, como na vida, as pessoas querem resultados e não poesia. Querem velocidade, fintas e golos, e não inteligência, visão de jogo e capacidade de liderança. Neste desporto a 100 à hora, em que cada vez mais se exigem esforços sobre-humanos aos jogadores, nem sempre há lugar ou paciência para um pensador, para um estratega implacável. Muitos esquecem-se de que por detrás de cada Messi há um Xavi, por detrás de cada artista há um cérebro. Com as devidas distâncias, Barbosa era esse cérebro, sem no entanto abdicar do seu estilo fantasista que fazia um adepto passar, em escassos segundos, dos insultos hardcore às juras de amor eterno a ele dirigidas.

Se pensarmos um pouco, aliás, vemos que há poucos exemplos de futebolistas que, como Barbosa, conjuguem uma técnica apuradíssima com uma inteligência superior dentro de campo. O caso mais famoso talvez seja Zinedine Zidane, facto que levou alguns fãs do eterno 8 do Sporting a definirem o seu ídolo como “o Zidane português” (não seria antes Zidane o “Pedro Barbosa francês”? Afinal, o português até é mais velho… - https://www.facebook.com/Gordovaiabaliza/posts/758888547457968). A sua carreira internacional, porém, não foi tão consistente quanto podia, em parte devido ao facto de ter atingido o auge em plena “geração de ouro” e de ter tido a fortíssima concorrência de jogadores como Figo, Futre, Paneira, Sérgio Conceição, Capucho ou Simão. Ainda assim, marcou presença no Euro 96 e no Mundial 2002. Tive a felicidade de assistir em Alvalade ao seu melhor jogo pela Selecção, frente ao Chipre (6-0), em que um dos dois golos com que brindou a plateia foi de levantar o estádio.

A frase que mais vezes ouvi adeptos rivais dizerem quando ficam a saber da minha admiração por Barbosa é “se ele era assim tão bom, por que é que nunca saiu de Portugal?”. Estranho estes critérios que não impedem a consagração de monstros como Eusébio ou Pelé, mas que já são obstáculo quando se trata de outro jogador. No programa “A Noite do Futrebol”, co-apresentado por Paulo Futre, Barbosa admitiu ter tido várias propostas do estrangeiro, mas nunca quis abandonar um clube onde sempre foi bem tratado. Por cá, construiu uma aura de grande capitão e foi decisivo para a evolução de jovens como Quaresma, Viana ou Ronaldo. Numa visita recente a Portugal, Peter Schmeichel disse “it’s particularly nice to see Beto, Vidigal… and Mr. Barbosa” (youtube.com/watch?v=VM9ydHK9nIc). O facto de a liderança e clareza de discurso de Barbosa terem cativado um dos melhores guarda-redes de sempre, ao ponto de este chamar “senhor” a um ex-colega de equipa, é muito revelador.

No mesmo programa que atrás mencionei, Futre referiu-se a Barbosa como alguém que “ganhava o jogo sozinho, [o que fazia] era arte pura” (http://www.tvi.iol.pt/videos/13620043). Quando, há uns anos, Cristiano Ronaldo alinhava pelos juvenis do Sporting, perguntaram-lhe numa entrevista quais eram os jogadores do plantel principal que mais admirava, tendo o agora melhor do mundo escolhido “João Pinto e Pedro Barbosa, porque são dois grandes profissionais de futebol”. É significativo que Futre, jogador extraordinário, tenha convidado Barbosa para o seu programa; já o facto de Ronaldo admirar o meu jogador favorito mostra bem que idolatrar Pedro Barbosa é tudo menos descabido – o melhor futebolista português de sempre também o faz, e isso é mais uma prova de como ele soube sempre escolher os exemplos certos.

Não é comum ouvirmos um adepto rival afirmar que um dos seus jogadores preferidos de sempre jogava no nosso clube. Porém, foi precisamente isso que me disse um portista que conheci quando estava em Erasmus. Barbosa nunca foi um jogador consensual mas, da mesma forma que não era apreciado por todos os Sportinguistas, a sua enorme qualidade extravasava o Sporting e contagiava adeptos rivais. E foi também esta eterna controvérsia, tão característica dos génios, que sempre me fascinou.

Barbosa retirou-se em 2005, depois de um campeonato roubado nos últimos minutos e de uma final europeia cruelmente perdida em casa. Recordarei para sempre a sua imagem a passar ao lado da taça. O capitão, mais do que todos, merecia erguê-la e não ter de circundá-la de rosto fechado e cabeça baixa. Pedro Gomes, comentador desportivo e antiga glória do Sporting, referiu na altura que Barbosa quase nunca jogou a nº10, posição onde poderia ter rendido ainda mais. Concordo. A jogar nas costas dos avançados, sem grandes preocupações defensivas e numa zona em que a velocidade é menos determinante, as qualidades do eterno capitão tê-lo-iam projectado para um nível de excelência que nas alas podia por vezes não aparecer. Seja como for, amado por uns e incompreendido por outros, Pedro Barbosa entrou na História do Sporting e do desporto nacional enquanto um dos melhores futebolistas da sua geração. No meu caso, ficar-lhe-ei eternamente grato por me ter mostrado que o futebol também pode ser arte, de tal forma que senti a necessidade de comprar a camisola com o seu nome e número na última época em que representou o Sporting. Nove anos depois do abandono de Pedro Barbosa, os relvados portugueses ainda choram pelo seu regresso. Muito tempo passará até que apareça alguém semelhante.

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Excelente texto sobre o meu ídolo  Bater Palmas

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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #168 em: Março 13, 2014, 17:23 »



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 Bater Palmas

é tão bom notar, que ainda existem tantos Sportinguistas que continuam a dar o devido valor ao "Mr. Barbosa"!
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #169 em: Março 13, 2014, 17:59 »



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Barbosa foi gigante.

Disse-o na altura em que Portugal eram os Figos, os Rui Costas e os Coutos que, para mim, Pedro Barbosa era o jogador com melhor toque de bola da selecção nacional. O seu domínio de bola só era superado, a nível mundial, pelo de Zidane, pelo que acho curioso que outros se tenham lembrado do mesmo paralelismo - era  a minha opinião na altura, ainda hoje penso assim.

Técnica e inteligência num só corpo, um dos melhores que vi envergar a nossa camisola.
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- You're a real stone player, aren't you, Ma? You threatened to smother his children.
- What does that mean?
- You know, everyone thought Dad was the ruthless one. But I gotta hand it to you. If you'd been born after those feminists, you woulda been the real gangster.
- I don't know what you're talking about!
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #170 em: Março 14, 2014, 00:57 »



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O jogador com mais classe que vi jogar no Sporting.
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #171 em: Março 14, 2014, 01:14 »



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Texto fantástico! Bater Palmas

O "Mr. Barbosa" era um jogador fabuloso e um grande capitão!

Foi um enorme prazer vê-lo a jogar com as nossas cores e é sem dúvida, um dos ídolos do nosso grande clube!
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ISTO É O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL! -> http://www.youtube.com/watch?v=MUjMxvnp4dQ

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL! É NOSSO OUTRA VEZ! -> http://www.youtube.com/watch?v=9FRFyONqOBQ



Re: Pedro Barbosa , « Resposta #172 em: Março 14, 2014, 03:40 »


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O jogador com mais classe que vi jogar no Sporting.

Completamente de acordo! Balacov era o talento..mas Barbosa era classe pura:)
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I did, what I had to do. If there was a reason, it was you...
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #173 em: Março 14, 2014, 10:53 »



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https://www.youtube.com/watch?v=k-vENmMMc7c

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Dificilmente teremos nos próximos tempos um capitão como este.
Como jogador das poucas vezes que o vi jogador, gostei imenso do que vi é o meu tipo de jogador.

Eish, as palestras do Boloni, Meu Deus... Azn

Ver ali o bentolas, o quaresma, o quiroga etantos outros... é giro!
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Assinatura renovada! Demorou, mas foi!
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #174 em: Março 14, 2014, 16:51 »



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Adorei ver o Barbosa jogar, que Classe tinha, naqueles pés.
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FORÇA GRANDE BRUNO CARVALHO...
Re: Pedro Barbosa , « Resposta #175 em: Março 14, 2014, 19:09 »



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Dificilmente teremos nos próximos tempos um capitão como este.
Como jogador das poucas vezes que o vi jogador, gostei imenso do que vi é o meu tipo de jogador.

Eish, as palestras do Boloni, Meu Deus... Azn

Ver ali o bentolas, o quaresma, o quiroga etantos outros... é giro!

Lá mais para o fim, aparece o Ronaldo a fazer uma virgula e a ir de boca ao chão. Que tesouro.
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #176 em: Março 15, 2014, 01:14 »



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eish...que tesouro. aquela armada Rui bento; barbosa; hugo...tudo a bater uma cartada; o grande Niculae; o velhinho Alvalade...  Cry Cry Cry
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Re: Pedro Barbosa , « Resposta #177 em: Março 15, 2014, 01:15 »


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eish...que tesouro. aquela armada Rui bento; barbosa; hugo...tudo a bater uma cartada; o grande Niculae; o velhinho Alvalade...  Cry Cry Cry

Phoda-se!
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Pedro Barbosa

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