Incêndios de 15 Out - 44 mortos confirmados

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Isto é verídico?!?



Sim, se não estou em erro há um ano atrás, após os incêndios, andei a fazer alguma pesquisa sobre essa questão da dita liberalização do eucalipto e havia condições onde as autorizações de plantação de eucaliptos careciam apenas de comunicação prévia, enquanto algumas árvores autóctones (tipo sobreiro) careciam de licenciamento prévio.

A Cristas em razão na culpabilização do governo em matéria de defesa das populações. Em termos de planeamento florestal, ela é zero. E não sei até que ponto não teria que ter algum tento na língua ao comentar os eventos deste verão, porque onde ela deveria ter cavado distância entre floresta e parque habitacional, basicamente ela convidou a floresta a chegar-se ainda mais perto das populações.
- You're a real stone player, aren't you, Ma? You threatened to smother his children.
- What does that mean?
- You know, everyone thought Dad was the ruthless one. But I gotta hand it to you. If you'd been born after those feminists, you woulda been the real gangster.
- I don't know what you're talking about!
Isto é verídico?!?



Sim, se não estou em erro há um ano atrás, após os incêndios, andei a fazer alguma pesquisa sobre essa questão da dita liberalização do eucalipto e havia condições onde as autorizações de plantação de eucaliptos careciam apenas de comunicação prévia, enquanto algumas árvores autóctones (tipo sobreiro) careciam de licenciamento prévio.

A Cristas em razão na culpabilização do governo em matéria de defesa das populações. Em termos de planeamento florestal, ela é zero. E não sei até que ponto não teria que ter algum tento na língua ao comentar os eventos deste verão, porque onde ela deveria ter cavado distância entre floresta e parque habitacional, basicamente ela convidou a floresta a chegar-se ainda mais perto das populações.

Que grande vache!!!
Isto é verídico?!?



Não investiguei o resto, mas se acharem que por exemplo o UK é um país pequeno e que 4 e 8 é o mesmo numero, sim isso é veridico.

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In Brussels, the countries that voted against the ban were: the UK, Czech Republic, Italy, Hungary, Romania, Slovakia, Austria and Portugal. Ireland, Lithuania, Finland and Greece abstained. Belgium, Bulgaria, Denmark, Estonia, Spain, France, Cyprus, Germany, Latvia, Luxembourg, Malta, the Netherlands, Poland, Slovenia and Sweden voted in favour.

https://www.theguardian.com/environment/2013/apr/29/bee-harming-pesticides-banned-europe

Eu nem gosto da senhora, mas esta tentativa de meter a cristas como principal culpada é completamente ridicula. 1º a liberalização da plantação do eucalipto nada tem a ver com estes incendios, não houve tempo para isso. 2º mesmo que tivesse havido esta histeria à volta do eucalipto não faz sentido nenhum. Tratam-se apenas de desculpas de mau pagador.
Eu também não gosto dela.

A meu ver não é ela a culpada, mas está no lote dos culpados.
Eu também não gosto dela.

A meu ver não é ela a culpada, mas está no lote dos culpados.

Claro. Mas é uma entre dezenas. O spin que tem sido feito para a declarar como uma das pincipais culpadas é que não faz qualquer sentido.

Este governo foi incompetente e está a arranjar mil e uma maneiras de esconder isso.
Eu também não gosto dela.

A meu ver não é ela a culpada, mas está no lote dos culpados.

Claro. Mas é uma entre dezenas. O spin que tem sido feito para a declarar como uma das pincipais culpadas é que não faz qualquer sentido.

Este governo foi incompetente e está a arranjar mil e uma maneiras de esconder isso.

 :arrow: 100% de acordo.

 :beer:
Isto é verídico?!?



Sim, se não estou em erro há um ano atrás, após os incêndios, andei a fazer alguma pesquisa sobre essa questão da dita liberalização do eucalipto e havia condições onde as autorizações de plantação de eucaliptos careciam apenas de comunicação prévia, enquanto algumas árvores autóctones (tipo sobreiro) careciam de licenciamento prévio.

A Cristas em razão na culpabilização do governo em matéria de defesa das populações. Em termos de planeamento florestal, ela é zero. E não sei até que ponto não teria que ter algum tento na língua ao comentar os eventos deste verão, porque onde ela deveria ter cavado distância entre floresta e parque habitacional, basicamente ela convidou a floresta a chegar-se ainda mais perto das populações.

Não é difícil portanto de perceber porque é que a senhora disparou pra todo o lado, é melhor acusar e culpar toda a gente que ficar caladinho que nem um rato como um "sitting duck"... assim ao menos é a palavra de um contra o outro e na pior das hipóteses ficam todos culpados em igual medida aos olhos da opinião pública.
Isto é verídico?!?



Sim, se não estou em erro há um ano atrás, após os incêndios, andei a fazer alguma pesquisa sobre essa questão da dita liberalização do eucalipto e havia condições onde as autorizações de plantação de eucaliptos careciam apenas de comunicação prévia, enquanto algumas árvores autóctones (tipo sobreiro) careciam de licenciamento prévio.

A Cristas em razão na culpabilização do governo em matéria de defesa das populações. Em termos de planeamento florestal, ela é zero. E não sei até que ponto não teria que ter algum tento na língua ao comentar os eventos deste verão, porque onde ela deveria ter cavado distância entre floresta e parque habitacional, basicamente ela convidou a floresta a chegar-se ainda mais perto das populações.

Não é difícil portanto de perceber porque é que a senhora disparou pra todo o lado, é melhor acusar e culpar toda a gente que ficar caladinho que nem um rato como um "sitting duck"... assim ao menos é a palavra de um contra o outro e na pior das hipóteses ficam todos culpados em igual medida aos olhos da opinião pública.

Parece-me que a ideia (geral) na politica em Portugal é sempre essa.

" Se sacudir a água do capote servisse para apagar as chamas já não havia fogos em Portugal." - João Miguel Tavares in Publico
Isto é verídico?!?



Sim, se não estou em erro há um ano atrás, após os incêndios, andei a fazer alguma pesquisa sobre essa questão da dita liberalização do eucalipto e havia condições onde as autorizações de plantação de eucaliptos careciam apenas de comunicação prévia, enquanto algumas árvores autóctones (tipo sobreiro) careciam de licenciamento prévio.

A Cristas em razão na culpabilização do governo em matéria de defesa das populações. Em termos de planeamento florestal, ela é zero. E não sei até que ponto não teria que ter algum tento na língua ao comentar os eventos deste verão, porque onde ela deveria ter cavado distância entre floresta e parque habitacional, basicamente ela convidou a floresta a chegar-se ainda mais perto das populações.

Não é difícil portanto de perceber porque é que a senhora disparou pra todo o lado, é melhor acusar e culpar toda a gente que ficar caladinho que nem um rato como um "sitting duck"... assim ao menos é a palavra de um contra o outro e na pior das hipóteses ficam todos culpados em igual medida aos olhos da opinião pública.

Vamos lá a ver, aquilo que aconteceu este verão, pela mão do PM, desde incidências a fatalidades e rescaldos para a CS, foi desde o inaceitável ao inenarrável. Costa foi uma besta e desde o grupo criado em Pedrógão para avaliar o impacto da tragédia na sua imagem pública que comecei a olhá-lo pelo monte de m/rda que é, um psicopata sem qualquer capacidade de empatia, que desde as eleições legislativas que só olha pela sua própria sobrevivência, não olhando a meios nem a consequências. @Paracelsus, lamento, mas Pedrógão é uma linha que não o deixo passar e que jamais esquecerei. Para nosso grande mal, a Pedrógão seguiu-se outra grande tragédia onde a reacção dele consegue ser quase tão má.

Dito isto, obviamente que um dos grandes problemas dos incêndios tem a ver com a desarticulação no planeamento florestal e até urbanístico, que nos deixa expostos, enquanto povo, no evento de um grande fogo. A Assunção Cristas, como ministra aquando da aprovação de uma lei que liberalizou ainda mais aquilo que já carecia de forte regulação, deveria ter um bocadinho mais de auto-preservação, porque ela também contribuiu para este caldo, e de forma directa, na medida em que geriu a pasta mais importante na área dos incêndios (Agricultura e Florestas).

E discordo bastante do @Hayek. Não no modo como ele não culpabiliza a Cristas, porque essa culpa é relativa, mas há de facto aqui um problema com o eucalipto. Não tanto porque a AC liberalizou aquilo que estava vetado, mas porque ela regularizou e regulamentou aquilo que já estava liberalizado.

O nosso clima é altamente propenso à geração de fogos e até de fogos de grandes dimensões. Nem se trata tanto de alterações climáticas, mas sim de condições climáticas - estamos, como sempre estivemos, num quadro de clima mediterrânico, que em todas as zonas do globo onde o mesmo se verifica existem enormes problemas com o fogo (bacia mediterrânica, Austrália, Chile, California). Nem é o agravar, isto sempre existiu, este ano foi simplesmente pior que a norma ou a média, mas esta situação potencial de base está semrpe lá.

Em cima disto, a opção por árvores de crescimento rápido, de alastramento rápido em caso de incêndio, que causam erosão dos solos e que cada vez mais invadem zonas que não são nem nunca foram de floresta, tudo isto só pode agravar o problema.

No ano passado, grande parte do fogo de Anadia morreu na minha terra, onde encontrou vinha, olival e regadio. Com a contribuição da lei da Cristas, morrendo os poucos velhos que ainda cultivam aquilo, daqui por uns anos uns e outros começam a plantar eucaliptos e as árvores aproximam-se do parque habitacional. Em boa verdade, quase todas as árvores acabam por arder, desde que os terrenos estejam sujos... mas se na mata todos eles estão sujos, onde não há árvores lá aparece sempre um e outro que até estão cultivados e impedem a progressão do fogo.

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Sim, se não estou em erro há um ano atrás, após os incêndios, andei a fazer alguma pesquisa sobre essa questão da dita liberalização do eucalipto e havia condições onde as autorizações de plantação de eucaliptos careciam apenas de comunicação prévia, enquanto algumas árvores autóctones (tipo sobreiro) careciam de licenciamento prévio.

A Cristas em razão na culpabilização do governo em matéria de defesa das populações. Em termos de planeamento florestal, ela é zero. E não sei até que ponto não teria que ter algum tento na língua ao comentar os eventos deste verão, porque onde ela deveria ter cavado distância entre floresta e parque habitacional, basicamente ela convidou a floresta a chegar-se ainda mais perto das populações.

Não é difícil portanto de perceber porque é que a senhora disparou pra todo o lado, é melhor acusar e culpar toda a gente que ficar caladinho que nem um rato como um "sitting duck"... assim ao menos é a palavra de um contra o outro e na pior das hipóteses ficam todos culpados em igual medida aos olhos da opinião pública.

Vamos lá a ver, aquilo que aconteceu este verão, pela mão do PM, desde incidências a fatalidades e rescaldos para a CS, foi desde o inaceitável ao inenarrável. Costa foi uma besta e desde o grupo criado em Pedrógão para avaliar o impacto da tragédia na sua imagem pública que comecei a olhá-lo pelo monte de m/rda que é, um psicopata sem qualquer capacidade de empatia, que desde as eleições legislativas que só olha pela sua própria sobrevivência, não olhando a meios nem a consequências. @Paracelsus, lamento, mas Pedrógão é uma linha que não o deixo passar e que jamais esquecerei. Para nosso grande mal, a Pedrógão seguiu-se outra grande tragédia onde a reacção dele consegue ser quase tão má.

Dito isto, obviamente que um dos grandes problemas dos incêndios tem a ver com a desarticulação no planeamento florestal e até urbanístico, que nos deixa expostos, enquanto povo, no evento de um grande fogo. A Assunção Cristas, como ministra aquando da aprovação de uma lei que liberalizou ainda mais aquilo que já carecia de forte regulação, deveria ter um bocadinho mais de auto-preservação, porque ela também contribuiu para este caldo, e de forma directa, na medida em que geriu a pasta mais importante na área dos incêndios (Agricultura e Florestas).

E discordo bastante do @Hayek. Não no modo como ele não culpabiliza a Cristas, porque essa culpa é relativa, mas há de facto aqui um problema com o eucalipto. Não tanto porque a AC liberalizou aquilo que estava vetado, mas porque ela regularizou e regulamentou aquilo que já estava liberalizado.

O nosso clima é altamente propenso à geração de fogos e até de fogos de grandes dimensões. Nem se trata tanto de alterações climáticas, mas sim de condições climáticas - estamos, como sempre estivemos, num quadro de clima mediterrânico, que em todas as zonas do globo onde o mesmo se verifica existem enormes problemas com o fogo (bacia mediterrânica, Austrália, Chile, California). Nem é o agravar, isto sempre existiu, este ano foi simplesmente pior que a norma ou a média, mas esta situação potencial de base está semrpe lá.

Em cima disto, a opção por árvores de crescimento rápido, de alastramento rápido em caso de incêndio, que causam erosão dos solos e que cada vez mais invadem zonas que não são nem nunca foram de floresta, tudo isto só pode agravar o problema.

No ano passado, grande parte do fogo de Anadia morreu na minha terra, onde encontrou vinha, olival e regadio. Com a contribuição da lei da Cristas, morrendo os poucos velhos que ainda cultivam aquilo, daqui por uns anos uns e outros começam a plantar eucaliptos e as árvores aproximam-se do parque habitacional. Em boa verdade, quase todas as árvores acabam por arder, desde que os terrenos estejam sujos... mas se na mata todos eles estão sujos, onde não há árvores lá aparece sempre um e outro que até estão cultivados e impedem a progressão do fogo.


http://visao.sapo.pt/ambiente/opiniaoverde/joaocamargo/eucaliptugal-o-ecocidio-da-floresta-nacional=f752575
- You're a real stone player, aren't you, Ma? You threatened to smother his children.
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- You know, everyone thought Dad was the ruthless one. But I gotta hand it to you. If you'd been born after those feminists, you woulda been the real gangster.
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Artigo interessante sobre alguns braços da Eucaliptogarquia. Aguentem até ao fim, que vale a pena.  ;)

Ainda há bom jornalismo.

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O incêndio que assolou a zona de Pedrógão Grande consumiu cerca de 46 mil hectares de floresta (sobretudo monocultura de eucalipto e pinheiro-bravo), destacando-se como um dos maiores de sempre (desde que há registos) em Portugal. Mas apesar do elevado grau de devastação, não atingiu a Quinta da Fonte, em Figueiró dos Vinhos, propriedade da empresária holandesa Liedewij Schieving. Em torno da Quinta da Fonte “ardeu praticamente tudo, havia muitos eucaliptos que não resistiram às chamas. A única coisa que não ardeu foram os carvalhos, os castanheiros, oliveiras e sabugueiros”, testemunhou Schieving.

Não foi caso único. Em Troviscais Cimeiros, a cerca de dois quilómetros do local de origem do incêndio, a propriedade de Aires Henriques (antigo inspetor do Ministério da Agricultura) também resistiu incólume, sob a proteção de árvores autóctones e menos inflamáveis, no meio de um cenário dantesco. “Está aqui um exemplo claro. À volta das aldeias não podem deixar crescer mais pinheiros, nem mais eucaliptos, plantações desse género. Têm de definir claramente zonas de tampão, em que não se podem plantar eucaliptos”, apelou Henriques.

Em sentido contrário, Francisco Gomes da Silva, ex-secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural (2013-14), publicou uma “carta aberta ao primeiro-ministro de Portugal” (24/06/2017), instando António Costa a “não estigmatizar nenhuma das espécies florestais, nomeadamente o eucalipto. Usando uma frase de um dos sábios que atrás referi, o que comanda o fogo é a estrutura dos combustíveis e não a espécie dominante”. Em que é que se baseia para garantir que o eucalipto não é mais inflamável e propício a ignição e propagação do fogo, comparativamente a qualquer outra espécie de árvore? “Baseio-me no conhecimento científico e técnico que é disponibilizado pelos estudiosos na matéria, como aliás penso que todos os interessados deveriam fazer antes de emitir opiniões mais ou menos contundentes sobre o que quer que seja,” responde Gomes da Silva, quando questionado pelo Jornal Económico.

Um dos sábios invocados pelo ex-governante é Paulo Fernandes, engenheiro florestal e professor associado da UTAD, que defende que “o eucalipto arde tanto como qualquer outra árvore ou arbusto da nossa geografia”. Confrontado com os exemplos concretos das propriedades de Schieving e Henriques, salvas por árvores menos inflamáveis, Fernandes argumenta que “as manchas florestais ou de matos extensas e densas de espécies mediterrânicas secas estão sujeitas a grandes incêndios. E este é o factor principal que explica a dimensão dos incêndios em Portugal”.

Para Fernandes, “o eucalipto não difere das restantes espécies dominantes em Portugal, ou seja, pinheiro-bravo e sobreiro. E as estatísticas de área ardida comprovam-no. Por exemplo, alguns dos maiores incêndios no Alentejo e Algarve decorreram em paisagens dominadas pelo sobreiro. Os estudos efetuados no país, por equipas de centros de investigação distintos, não detetaram diferenças relevantes na forma como o fogo seleciona as várias espécies florestais. Portanto, aquilo que distingue as espécies na sua propensão para arder é essencialmente a quantidade de combustível que acumulam no sub-coberto e a sua estrutura vertical e horizontal, factores estes mitigáveis através da silvicultura preventiva”. A pergunta era sobre “qualquer outra árvore”, mas Fernandes centrou-se apenas nas “espécies dominantes”.

As referidas estatísticas estão plasmadas no 6º Inventário Florestal Nacional. Entre 1996 e 2014 arderam cerca de 283 mil hectares de pinheiro-bravo e 246 mil hectares de eucalipto, a uma grande distância das restantes espécies, nomeadamente o sobreiro (com 35 mil hectares de área ardida). São essas as três espécies dominantes. De facto, a superfície florestal cuja espécie dominante é o eucalipto representa a maior área do país (812 mil hectares, 26% do total), seguindo-se o sobreiro (737 mil hectares, 23%) e o pinheiro-bravo (714 mil hectares, 23%). Daí pode inferir-se que o sobreiro tem ardido muito menos (proporcionalmente à respetiva área total) do que o eucalipto e o pinheiro-bravo, contrariando a resposta de Fernandes. Outro dado relevante é que as empresas da indústria de celulose gerem diretamente cerca de 150 mil hectares (18,5% da área total) de eucalipto, nos quais aplicam um plano de ordenamento e dispositivos de vigilância e combate ao fogo bastante mais eficazes, pelo que não são comparáveis (no mesmo plano de análise estatística) às demais áreas florestais, onde deflagram mais incêndios.

As “árvores bombeiras”

O próprio Fernandes reconhece a existência de “árvores bombeiras”, mais resistentes ao fogo do que o eucalipto, como as que protegeram as quintas de Schieving e Henriques. Como é que explica esta contradição? “Não há nenhuma contradição. Os povoamentos de espécies mais combustíveis como pinheiros e eucaliptos podem ser tornados mais resistentes ao fogo se geridos convenientemente. Da mesma forma, bosques de ‘árvores bombeiras’ só o serão se não tiverem um estrato arbustivo muito desenvolvido, o que tipicamente só acontece, mas nem sempre, após os 30 a 50 anos de idade,” afirma.

Por seu lado, João Camargo, ambientalista e investigador em alterações climáticas, realça que “o eucalipto tem a capacidade de arder rapidamente, produz uma grande quantidade de biomassa (cascas e folhas altamente inflamáveis) e, através de ventos fortes, projeta material incandescente até quilómetros de distância. A razão pela qual se invoca uma inflamabilidade similar às outras espécies, o que não é comprovado, tem que ver com uma ideia de inevitabilidade do eucalipto, conformar a sociedade à ideia de que não há alternativa a algo que há 50 anos existia em poucas áreas do país. Não me parece que alguém, especialista ou não especialista, tenha a coragem de dizer que o eucalipto arde tanto ou menos que o carvalho roble, o sobreiro, o vidoeiro, o castanheiro, a figueira, a aveleira, a alfarrobeira, a oliveira, entre outras”.

“Não haveria necessidade de destacar ‘árvores bombeiras’ se não houvesse árvores incendiárias”, prossegue Camargo. “Falta mesmo um estudo que explique porque é que Portugal arde mais. Dizer que é por causa de abandono e falta de ordenamento sem associar isso à invasão premeditada de eucaliptal e da cultura do mesmo é perverter a realidade. E falta mesmo um cadastro florestal. E saber como é que o eucaliptal vai sobreviver a mais dois graus centígrados de aumento da temperatura global, cenário simpático no que diz respeito às alterações climáticas”.
Outro argumento utilizado por Fernandes é que “a grande diferença no que respeita à seleção pelo fogo não se encontra entre os vários tipos de floresta mas sim entre floresta e matos, os quais ardem bastante mais em proporção da sua presença no território”. Ao que Camargo contrapõe: “Os matos ardem mais, mas a grande diferença é que nós não estamos a plantar matos. Não é de propósito, não há alguém todos os anos a meter mais matos na floresta. O eucalipto está a aumentar a sua área em Portugal enquanto a floresta está a regredir, o que nos dá ainda mais informação: quando o eucalipto arde queima a concorrência e expande-se (naturalmente, isto é, também é uma planta invasora). Nos últimos 25 anos, Portugal perdeu mais de 254 mil hectares de floresta enquanto ganhou perto de 170 mil hectares de eucalipto. A ideia feita de que o eucalipto arde tanto como outra espécie na nossa floresta é apenas um logro engendrado pela indústria da celulose, porque não responde a nenhuma pergunta essencial e porque é uma mentira”.

Mais, o eucalipto “tem impactos nos solos, nos lençóis freáticos, desequilibra os ciclos vegetais, gera combustível altamente inflamável e sufoca o crescimento de outras espécies. Isso aumenta o risco de incêndio”, alerta Camargo. “Não é a diabolização do eucalipto, é a descrição de algumas das suas características. É por causa delas que a espécie é tão vigorosa. Como é que uma árvore cresceria mais rápido do que todas as outras se não absorvesse com maior intensidade a água e os nutrientes? De onde viriam os materiais componentes da madeira? Se considerarmos que temos a maior área relativa de eucaliptal do mundo, parece-me claro que temos um problema, onde a indústria apenas vê a oferta de 9% do território para seu usufruto”.

Estudos co-promovidos

Especialista em ecologia do fogo, Fernandes foi o investigador responsável do projeto “FireGlobulus”, que visou estudar a viabilidade do uso do fogo controlado em eucaliptal e criar o suporte científico necessário ao seu desenvolvimento tecnológico. Além de ter sido financiado pela UE, o “FireGlobulus” foi co-promovido pela Associação dos Silvicultores do Vale do Ave e pela Associação de Produtores Florestais, ou seja, fornecedores da indústria de celulose.

Este patrocínio não levanta suspeitas quanto à isenção dos seus estudos? “Obviamente que não,“ assegura Fernandes. “A motivação para o projeto foi procurar alternativas às soluções técnicas existentes (uso de meios mecânicos, herbicida, corte motomanual), o que implicitamente reconhece a necessidade de gerir o combustível em eucaliptal para diminuir o risco associado e salvaguardar o investimento dos proprietários florestais. Devo dizer que o projeto não recebeu apoio das empresas associadas à indústria de celulose e os resultados não foram ainda adotados pela indústria, nem sabemos se serão”.

Conflito de interesses?

No exercício do cargo de secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento, Francisco Gomes da Silva interveio diretamente no processo legislativo que resultou no Decreto-Lei nº96/2013, apelidado por vários ambientalistas como “lei do eucalipto livre”, na medida em que revogou uma série de limitações à plantação de eucaliptos. Após ter cessado funções governativas, no final de 2014, Gomes da Silva retomou a atividade profissional na emrpesa Agro.Ges, da quel é sócio fundador e coordenador técnico e científico.

Na lista dos principais clientes da Agro.Ges destacam-se o Grupo Portucel Soporcel e a Federação de Produtores Florestais de Portugal, entre outras ligações à indústria da celulose e produtores de eucaliptos. E na lista dos projetos da mesma empresa sobressai a “proposta de serviços para a fundamentação da importância estratégica futura do eucalipto em Portugal e para a elaboração de um programa de apoios públicos a esta espécie florestal no quadro do PDR 2014-2015”, encomendado pelo Grupo Portucel Soporcel.

Questionado sobre um eventual conflito de interesses, Gomes da Silva defendeu a sua posição: “A Agro.Ges tem entre os seus clientes largas centenas de entidades que cobrem todos os subsetores da agricultura, floresta e respetivas indústrias. Também os tem nas fileiras do pinho, do sobro e do pinheiro-manso. Não há qualquer conflito de interesses. Acha lógico que eu tivesse deixado de trabalhar no setor que conheço e no qual sou competente por ter sido secretário de Estado?”

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/eucalipto-a-arvore-maldita-do-debate-pos-incendio-177848
Faz precisamente hoje 1 mês que começou aqui o incêndio.. Foi mais ou menos por esta hora que a porta do café eu e mais meia dúzia de pessoas vemos a começar um pontinho vermelho no cimo de uma encosta de uma anexa e vimos logo o que ai viria e cada um foi precaver se.. Bombeiros nem sinal, vento forte a puxa lo ao longo da ribeira.. Em pouco mais de meia hora ele percorreu perto de 2Km e chegou em fúria varrendo tudo a sua frente, projeções pra todos os lados.. Sem luz, agua, comunicaçoes.. Sem bombeiros.. Estavamos isolados e cada um por si ou entreajudando se..nunca me irei esquecer destes dias..
SER SPORTINGUISTA E SER LEÃO, É TER GARRA E EMOÇÃO!
Faz precisamente hoje 1 mês que começou aqui o incêndio.. Foi mais ou menos por esta hora que a porta do café eu e mais meia dúzia de pessoas vemos a começar um pontinho vermelho no cimo de uma encosta de uma anexa e vimos logo o que ai viria e cada um foi precaver se.. Bombeiros nem sinal, vento forte a puxa lo ao longo da ribeira.. Em pouco mais de meia hora ele percorreu perto de 2Km e chegou em fúria varrendo tudo a sua frente, projeções pra todos os lados.. Sem luz, agua, comunicaçoes.. Sem bombeiros.. Estavamos isolados e cada um por si ou entreajudando se..nunca me irei esquecer destes dias..

E felizmente estás aqui para dar testemunho desses momentos inesquecíveis.  :great:
Faz precisamente hoje 1 mês que começou aqui o incêndio.. Foi mais ou menos por esta hora que a porta do café eu e mais meia dúzia de pessoas vemos a começar um pontinho vermelho no cimo de uma encosta de uma anexa e vimos logo o que ai viria e cada um foi precaver se.. Bombeiros nem sinal, vento forte a puxa lo ao longo da ribeira.. Em pouco mais de meia hora ele percorreu perto de 2Km e chegou em fúria varrendo tudo a sua frente, projeções pra todos os lados.. Sem luz, agua, comunicaçoes.. Sem bombeiros.. Estavamos isolados e cada um por si ou entreajudando se..nunca me irei esquecer destes dias..

E felizmente estás aqui para dar testemunho desses momentos inesquecíveis.  :great:

Quando eu fui com carro resgatar minha avó a casa dela, fogo estava chegar alto da encosta onde esta casa dela. Quando a meti no carro e olho, ja havia projeção tinha começado a uns 100 metros por cima da casa. Só tive tempo acelerar no carro e fugir. Ao ca chegar a
baixo a estrada nacional no meio da aldeia, para a tirar pra minha casa saio do carro e vejo ja a casa dela envolta em chamas e barracões dos animais e a palheira onde guardava alimentos da quinta já arderem.. Escapou a casa pois é das novas mas resto ardeu lhe tudo..

Importa é que estamos bem, e e como dizes, estou ca ainda pra contar.. Mas se demoro mais uns minutos não sei se estaria.. Foi tudo tão rápido..

Ainda a uns dias atrás ao acordar, de manhã por volta das 7h, estava vento e mal acordo e ouço barulho, meu instinto fez me saltar da cama sobressaltado pois barulho era igual ao do incêndio.. Só depois vi era o vento.. 
« Última modificação: Novembro 15, 2017, 23:13 pm por bravo leão »
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