Catalunha e Curdistão: Novos Estados Independentes?

0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.

O caso esloveno seria pertinente se houvesse semelhanças entre esse caso e o catalão-espanhol, mas não há, pelo menos não no fundamental. Não creio que ganhar tempo possa ser considerado fundamental. Há um universo de diferenças consideráveis entre o que se está a passar em Espanha e o que se passou na Eslovénia.

Primeiro, Espanha não quer negociar – e não há absolutamente nada na lei que contrarie esta posição, pelo contrário, os separatistas/independentistas estão fora dela há muito (mais, os principais impulsionadores da mesma são gajos cuja ideologia caga em cima do primado da lei quando é preciso fazê-lo, e no voto também; um autoritário não deixa de ser um autoritário apenas porque deseja uma solução considerada independentista, inclusive recorrendo ao voto para a sancionar).
Segundo, nenhuma instituição ou organização política importante vai opor-se a Madrid (nem teria base legal para o fazer).
A catatónica UE já deixou claro que não vai intrometer-se na bulha catalã (a União Europeia, hoje em dia, só serve para três coisas: imprimir dinheiro, importar gente que se está a cagar para nossos valores e negociar o seu futuro às escondidas).
A UE não tem autoridade política para interceder em questões internas e, assim, tentar orientar as mesmas, procurando um qualquer desfecho que agrade aos burocratas. Era só o que faltava. Isso é o que os federalistas querem.
Não deixa de ser esquisita a posição bifronte de muitos neste assunto: conseguem simultaneamente condenar a prepotência da UE, e admitir que querem o seu fim porque o seu progresso vai envolver o esvaziamento das soberanias e a transferência de muitos poderes para Bruxelas, e desejar que ela chegue ao país A e comece a dar ordens.
Vocês gostariam que um qualquer prócere da UE viesse dar conselhos – conselhos como quem diz, é mais um “faz isto, ou levas umas palmadas no rabo” - a um político português sobre, por exemplo, um problema entre, digamos, Lisboa e a Madeira (fosse ao político lisboeta, fosse ao madeirense)?
Os catalães e os espanhóis que se entendam. Com discursos, com gritos, com manifestações, com votos, com referendos, com apelos, com porrada, quero lá saber. Entendam-se.
Lutem pela vossa independência, vá. Sofram por ela (economicamente, isto é). Mostrem ao mundo que ela não é um devaneio de uns quantos que aproveitaram o desleixo de Madrid para ressuscitar um sentimento nacional que estava, e estava mesmo, adormecido.
Ou querem uma independência indolor, custeada por terceiros, apaziguada pelos esforços dos outros? Pois!

___

Já ouvi demasiadas vezes a seguinte referência (daí o meu escasso apreço por aquela região espanhola, e igualmente escassa estima por Espanha): de que a reconquista da nossa independência se deveu à presença de maior parte das tropas castelhanas na Catalunha quando os indómitos Conjurados tomaram conta da situação em Portugal e findaram uma submissão que começara em 1580 (sim, porque só uma minoria aceitou a solução D. Filipe: foram comprados, basicamente), uma vez que essa presença enfraqueceu a resposta militar à sublevação portuguesa.
Sim, é verdade, e depois?
A verdade é que Portugal – Portugal: o seu povo, dos pobres aos nobres mais abastados – levou a cabo um esforço estóico, patriota e invulgarmente persistente para consolidar o que os Conjurados começaram.
Foram décadas de sofrimento. Décadas! Quase 30 anos.
De guerra. De territórios perdidos (metade do Império foi à vida). De dinheiro gasto. De conspirações desmascaradas. De impostos atrás de impostos (os portugueses foram sugados para financiar a luta, e não houve as revoltas que houve durante a “União”). De diplomacia tão dinâmica como inconsequente. Contra praticamente todos. E esses todos eram mais ricos e mais poderosos que nós. Alcançámos vitórias impressionantes contra os espanhóis, a maioria das vezes com menos homens que o inimigo.
Custou-nos tanto a reconquista da nossa independência, que é seguro que a Pátria nunca mais foi a mesma após essa tão desejada libertação.
E eu tenho de ouvir e ler tipos, incluindo portugueses, que insinuam que a Pátria se libertou por causa da Catalunha, como se não tivesse acontecido 1/10 daquilo que eu referi, como se a luta por essa independência tivesse sido um empreendimento rápido e simples? f***-**! Fuck that! Pó c******!
Ao contrário dos nossos “amigos” catalães (que também tiveram a sua proclamação de independência, em Janeiro de 1641), a libertação de Portugal foi proclamada por portugueses, em solo português, em português, para os portugueses, e sem o “patrocínio” de nenhuma monarquia estrangeira.
Portanto, em bom português, e novamente: pó c******!

Cronista MESMO!  :clap:
@Chev Chelios

É isso mesmo! Os espanhóis do centro e os espanhóis do Nordeste que arranjem um quarto e que se fecundem uns aos outros!! Os do Nordeste, há tantos séculos que se deixam fecundar, que já parece aquela história do "olha lá, tu não és mau, tu gostas é mesmo disto, não é?".

A parte que nos toca já começou a ser resolvida, com a mudança do centro de operações para fora da Catalunha. O resto é com eles.

Os gajos são catalães e o camandro, porque têm uma língua própria, mas quando é para chamar filho da p*** a um português, fazem-no em castelhano.
"Players lose you games, not tactics. There's so much crap talked about tactics by people who barely know how to win at dominoes." - Brian Clough

"He is a perfect illustration of my constant theme about assembling a team of imperfect players who compliment each other perfectly. Unless he is surrounded by team mates who recognise his strenghts and cover for his weaknesses, his special goal scoring ability will go largely untapped. He needs to to be in the right place at the right time!" - Bob Paisley on John Wark
@Chev Chelios

É isso mesmo! Os espanhóis do centro e os espanhóis do Nordeste que arranjem um quarto e que se fecundem uns aos outros!! Os do Nordeste, há tantos séculos que se deixam fecundar, que já parece aquela história do "olha lá, tu não és mau, tu gostas é mesmo disto, não é?".

A parte que nos toca já começou a ser resolvida, com a mudança do centro de operações para fora da Catalunha. O resto é com eles.

Os gajos são catalães e o camandro, porque têm uma língua própria, mas quando é para chamar filho da p*** a um português, fazem-no em castelhano.

Portugal não foi independente por causa da Catalunha no sentido em que não há como prová-lo... O problema da Catalunha permitiu que os nossos antepassados ganhassem tempo para se prepararem para 28 anos de guerra... Sem a revolta catalã iniciada em Junho teria sido mais difícil a portuguesa em Dezembro..., mas ninguém pode garantir como a história se desenrolaria sem a questão catalã.

Quanto ao resto, acontece que muitos castelhanos/espanhóis acham que a Ibéria devia ser um só país (julgo que lhes parece "mais bonito") e para cada um desses eu gostaria que houvesse um português a achar que a Ibéria devia ser composta por vários países..., é o contraponto... e não apenas dois países (eles e nós)... Quando consideram que Portugal deveria integrar Espanha a resposta não é não... é que a Espanha se deveria desintegrar... Essa é que é a resposta que os imperialistas castelhanos deveriam ter e não a mera defesa da manutenção dos dois países atuais (descontando Andorra)... Só assim se calam...

@Chev Chelios

É isso mesmo! Os espanhóis do centro e os espanhóis do Nordeste que arranjem um quarto e que se fecundem uns aos outros!! Os do Nordeste, há tantos séculos que se deixam fecundar, que já parece aquela história do "olha lá, tu não és mau, tu gostas é mesmo disto, não é?".

A parte que nos toca já começou a ser resolvida, com a mudança do centro de operações para fora da Catalunha. O resto é com eles.

Os gajos são catalães e o camandro, porque têm uma língua própria, mas quando é para chamar filho da p*** a um português, fazem-no em castelhano.

Portugal não foi independente por causa da Catalunha no sentido em que não há como prová-lo... O problema da Catalunha permitiu que os nossos antepassados ganhassem tempo para se prepararem para 28 anos de guerra... Sem a revolta catalã iniciada em Junho teria sido mais difícil a portuguesa em Dezembro..., mas ninguém pode garantir como a história se desenrolaria sem a questão catalã.

Quanto ao resto, acontece que muitos castelhanos/espanhóis acham que a Ibéria devia ser um só país (julgo que lhes parece "mais bonito") e para cada um desses eu gostaria que houvesse um português a achar que a Ibéria devia ser composta por vários países..., é o contraponto... e não apenas dois países (eles e nós)... Quando consideram que Portugal deveria integrar Espanha a resposta não é não... é que a Espanha se deveria desintegrar... Essa é que é a resposta que os imperialistas castelhanos deveriam ter e não a mera defesa da manutenção dos dois países atuais (descontando Andorra)... Só assim se calam...
É assim mesmo.

De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos.

Durante séculos Castela tentou agregar todos os povos da península sob o seu jugo, e então para grande parte das hostes castelhanas, Portugal neste cantinho da península é como aquela pequena nódoa que cai na camisa acabada de vestir, basta recuar 40 anos até aos últimos planos de invasão, coisa que poderia ter acontecido 3 vezes no século passado.

Espanha nunca foi um país coeso. Castela conseguiu através da força, da demografia e povoação de outros territórios manter os outros povos sob o seu domínio.

Se quiserem ser independentes que lutem por isso, acredito na liberdade de escolha dos povos.


A comunicação social portuguesa, há muito marcada por uma linha editorial iberista que tudo faz para omitir os ainda reais actos de desrespeito e chauvinismo espanhol para com Portugal e que inventa sondagens de simpatia para com Espanha, ontem teve um verdadeiro Field Day a mostrar repetidamente várias demonstrações de unidade espanhola, omitindo que para a Catalunha foram centenas de autocarros em excursão de toda a Espanha, especialmente da Andaluzia, numa autêntica demonstração de colonialismo.

Omitiu, claro, que a esmagadora maioria dos entrevistados eram colonos ou excursionistas espanhóis, numa autêntica postura de ocupação assimilacionista.

A Comunicação-Social europeia continua uma mistura de Pravda e Der Stürmer em versão hipster-light, bonancheirona e sofisticada.

A diferença para a TV norte-coreana é só o estilo sofisticado e realista sem dramatismo.

O perigo de desinformação é muito superior.

Vivem-se tempos muito preocupantes. Os fascistas auto-intitulados de democratas, os totalitários vestidos de liberais, os irracionais diplomados, os pequenos tiranos a dar palestras sobre direitos humanos, pessoas que deviam estar a trabalhar na estiva estão nas lideranças, os burgessos e violentos apelidados de pacifistas... os resistentes apelidados de fascistas.

Tudo a correr como George Orwell previu.

A Espanha volta a ter presos políticos. Parabéns Rajoy...