Competições

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primeiro que nada deixar já aqui a minha dúvida quanto á localização post... se os moderadores acharem que deve estar no tópico do futebol de outras equipas e selecções entao podem mandá-lo para lá à vontade...

 

a questão é a seguinte: faz algum sentido uma equipa andar envolvida em várias competições?..

não era muito mais simples haver uma competição única a nível continental e acabar com todos os outros titulos, taças, tacinhas ou taçonas que por aí andam...

acabavam-se as desculpas e avaliações subjectivas do desempenho do género:
o que é que vale mais: ganhar a taça ou atingir os quartos de final da uefa?.. e que equipa é melhor: a 6ª classificada do campeonato espanhol ou a 3ª da liga francesa?... e o que é melhor: ganhar a taça uefa ou chegar aos quartos da champions?...

no fundo um sistema tipo nba mas sem haver conferencias nem play-offs... todos contra todos distribuídos em várias divisoes.. e competição única.. ou seja a nível oficial só conta essa competição.. acaba-se com a estória de andar a rodar jogadores para determinada competição ou apostar mais numa competição que noutra...

assim, deixo aqui umas ideias gerais:

- 2 ou 3 divisoes continentais
- abaixo dessas divisoes continentais existiriam divisoes regionais que dariam acesso as divisoes continentais

- os direitos televisivos seriam entregues á uefa e distribuídos aos clubes em função da sua classificação ..
- os clubes teriam como receitas próprias a bilheteira, quotas, patrocinios e merchandising

- limitação do número de jogadores no plantel (por exemplo 27..)
- número minimo de jogadores formados no clube e no país (por exemplo 8 e 14)
- direitos desportivos dos jogadores pertencem ao clube que representa (acabam-se os empréstimos...)
- transferencias feitas através da uefa que serviria de intermediária entre os clubes...
- tecto salarial em função da divisão


esta parte final já foge um pouco ao objectivo do tópico mas serve apenas para dar uma ideia..

a questão é: para que servem tantas competições?... não merecia mais a pena haver uma competição única na qual os clubes apostassem tudo e fossem avaliados por isso?
« Última modificação: Junho 15, 2009, 14:19 pm por Paracelsus »
vivó Sporting!!!
não era muito mais simples haver uma competição única a nível continental e acabar com todos os outros titulos, taças, tacinhas ou taçonas que por aí andam...

acabavam-se as desculpas e avaliações subjectivas do desempenho do género:
o que é que vale mais: ganhar a taça ou atingir os quartos de final da uefa?..

Mais simples era sem dúvida, mas também seria menos interessante. E essas "desculpas e avaliações subjectivas" devem ser a menor das preocupações de quem organiza as competições.

Fazer isso nos EUA é mais fácil porque os EUA são uma unidade política e cultural, coisa que a Europa não é.

Ao contrário da NBA, em que me parece que os clubes estão muito mais nivelados em termos de orçamento e número de adeptos, fazendo com que raramente um único clube tenha a hegemonia da competição, na Europa as assimetrias são muito maiores devido a factores de fundo complicados de controlar com meras alterações do modelo competitivo. Assim, a existência de diferentes competições em diferentes formatos alarga o leque de equipas que podem participar numa competição equilibrada que lhes permita ganhar notoriedade sem que isso dependa apenas da dimensão do clube, o que é muito mais interessante do que uma competição única em que o "caneco" seria sempre levado por um grupo restrito de clubes.
Quod scripsi, scripsi.:
Tudo pelo Sporting, nada contra o Sporting.
Banca, Academia, Paulo Bento.
Evolução na continuidade.
Orgulhosamente sós a bater palmas ao mau futebol. Para Alvalade, rapidamente e em força.
Assim, a existência de diferentes competições em diferentes formatos alarga o leque de equipas que podem participar numa competição equilibrada que lhes permita ganhar notoriedade sem que isso dependa apenas da dimensão do clube, o que é muito mais interessante do que uma competição única em que o "caneco" seria sempre levado por um grupo restrito de clubes.

Tiraste-me as palavras do teclado. Para 99% dos clubes, uma vitória numa final - mesmo que de uma competição menor - faz mais pelo entusiasmo dos adeptos do que 10 anos de posições respeitáveis na competição principal.

Aliás, eu até tenho a opinião exactamente contrária à do Paulo: acho que um dos maiores problemas do futebol europeu foi a criação de um torneio, a Liga dos Campeões, que funciona como uma espécie de "eucalipto futebolístico" face a tudo o resto, concentrando recursos e talento num punhado de equipas e marginalizando e condenando à mediocridade tudo o resto. O modelo pré-1996 era bem mais interessante, já que não só havia três competições europeias fortes como os próprios campeonatos nacionais tinham mais interesse, já que só o título dava acesso à maior competição europeia. Era um equilíbrio perfeito e tinha um efeito redistribuidor, tanto de talento como de recursos financeiros. Funcionou perfeitamente durante 30 anos e faz muita falta hoje.

Aliás, a grande lição do desporto americano não são as franchises - que nada têm a ver com os clubes europeus, socialmente muito mais fortes - nem os drafts - já que a formação na Europa é feita pelos clubes e não há razão para o mudar - mas sim a constante preocupação com a competitividade das competições. Percebem que uma competição equilibrada, em que todas - ou quase todas - as equipas podem aspirar, mais cedo ou mais tarde, ao "caneco" é muito mais apelativa para os adeptos da modalidade de que uma competição desequilibrada em que uma elite monopoliza os títulos e impede a grande maioria de sonhar.
"It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumble or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs  to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and sand; who strives valiantly, who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who actually strive to do the deeds, who knows the great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at best knows in the end the triumph of high achievement, and who at worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victorly nor defeat."
Assim, a existência de diferentes competições em diferentes formatos alarga o leque de equipas que podem participar numa competição equilibrada que lhes permita ganhar notoriedade sem que isso dependa apenas da dimensão do clube, o que é muito mais interessante do que uma competição única em que o "caneco" seria sempre levado por um grupo restrito de clubes.

Tiraste-me as palavras do teclado. Para 99% dos clubes, uma vitória numa final - mesmo que de uma competição menor - faz mais pelo entusiasmo dos adeptos do que 10 anos de posições respeitáveis na competição principal.

Aliás, eu até tenho a opinião exactamente contrária à do Paulo: acho que um dos maiores problemas do futebol europeu foi a criação de um torneio, a Liga dos Campeões, que funciona como uma espécie de "eucalipto futebolístico" face a tudo o resto, concentrando recursos e talento num punhado de equipas e marginalizando e condenando à mediocridade tudo o resto. O modelo pré-1996 era bem mais interessante, já que não só havia três competições europeias fortes como os próprios campeonatos nacionais tinham mais interesse, já que só o título dava acesso à maior competição europeia. Era um equilíbrio perfeito e tinha um efeito redistribuidor, tanto de talento como de recursos financeiros. Funcionou perfeitamente durante 30 anos e faz muita falta hoje.

Aliás, a grande lição do desporto americano não são as franchises - que nada têm a ver com os clubes europeus, socialmente muito mais fortes - nem os drafts - já que a formação na Europa é feita pelos clubes e não há razão para o mudar - mas sim a constante preocupação com a competitividade das competições. Percebem que uma competição equilibrada, em que todas - ou quase todas - as equipas podem aspirar, mais cedo ou mais tarde, ao "caneco" é muito mais apelativa para os adeptos da modalidade de que uma competição desequilibrada em que uma elite monopoliza os títulos e impede a grande maioria de sonhar.


 :clap: :clap: :clap:
Sei que é "feio" um homem chorar, mas ontem chorei, de orgulho e de alegria por trazer no coração o amor ao Sporting Clube de Portugal! - AJG - 01JUN2015
A base para esse fenomeno é a propria cultura americana. De tudo fazem uma competiçâo e por isso sâo competitivos em tudo. O "American Dream" é uma grande louvar à competiçâo.
Not everything that can be counted counts, and not everything that counts can be counted.
Albert Einstein (1879-1955)

Confront your enemies, avoid them if you can
A gentlemen will walk but never run. Sting(1951- )
Assim, a existência de diferentes competições em diferentes formatos alarga o leque de equipas que podem participar numa competição equilibrada que lhes permita ganhar notoriedade sem que isso dependa apenas da dimensão do clube, o que é muito mais interessante do que uma competição única em que o "caneco" seria sempre levado por um grupo restrito de clubes.

Tiraste-me as palavras do teclado. Para 99% dos clubes, uma vitória numa final - mesmo que de uma competição menor - faz mais pelo entusiasmo dos adeptos do que 10 anos de posições respeitáveis na competição principal.

Aliás, eu até tenho a opinião exactamente contrária à do Paulo: acho que um dos maiores problemas do futebol europeu foi a criação de um torneio, a Liga dos Campeões, que funciona como uma espécie de "eucalipto futebolístico" face a tudo o resto, concentrando recursos e talento num punhado de equipas e marginalizando e condenando à mediocridade tudo o resto. O modelo pré-1996 era bem mais interessante, já que não só havia três competições europeias fortes como os próprios campeonatos nacionais tinham mais interesse, já que só o título dava acesso à maior competição europeia. Era um equilíbrio perfeito e tinha um efeito redistribuidor, tanto de talento como de recursos financeiros. Funcionou perfeitamente durante 30 anos e faz muita falta hoje.

Aliás, a grande lição do desporto americano não são as franchises - que nada têm a ver com os clubes europeus, socialmente muito mais fortes - nem os drafts - já que a formação na Europa é feita pelos clubes e não há razão para o mudar - mas sim a constante preocupação com a competitividade das competições. Percebem que uma competição equilibrada, em que todas - ou quase todas - as equipas podem aspirar, mais cedo ou mais tarde, ao "caneco" é muito mais apelativa para os adeptos da modalidade de que uma competição desequilibrada em que uma elite monopoliza os títulos e impede a grande maioria de sonhar.

concordo com os dois.. se não houvessem competições europeias ou pelo menos se fossem no formato antigo esta questão nao se punha...

a realidade é que este formato existe e está para durar e cada vez mais se vai tornar numa competição para clubes ingleses e um ou outro espanhol ou italiano que esteja melhor na altura... que competitiidade é que tem o futebol actual?.. as equipas que ganham ou estão nas fases finais têm tendencia, cada vez mais a serem as mesmas, as diferenças salariais e de investimento acentuam-se e o que vai acontecer é uma diminuição de adeptos locais e um maior interesse pelas ligas estrangeiras...

com uma competição única com limitações salariais, limitações ao nivel da formaçao do plantel (havndo um número minimo de jogadores formados no clube e no país..) poderia haver muito maior competitividade, maior identificação entre os adeptos e o seu clube, haver uma maior diversidade futebolística...

aliás onde eu quero chegar é exactamente ao último parágrafo do post do Petrovich... o aumento de competitividae no futebol europeu apenas poderá surgir com limitações financeiras aos clubes... neste momento todos os jogadores têm um preço e o dinheiro é o que mais ordena... é dificil haver uma limitação se os clubes estiverem envolvidos em competições organizadas por diferentes entidades e em diferentes realidades socio-económicas... por exemplo. em inglaterra o salário máximo poderia ser de1 milhao de euros e em Portugal de 150 mil euros e depois encontravam-se na champions.. em termos competitivos não faz sentido...


uma competição em que os ordenados estivessem limitados, por exemplo a um valor na ordem dos 200 ou 250 mil euros (este valor não é ao calhas... é um valor que permite ao futebol europeu continuar o mais apetecido pois continua a pagar melhor que todos os outros campeonatos.. talvez com a excepçao de alguns clubes do medio oriente...), permitiria resfriar o mercado de transferencias, os jogadores ficariam mais tempo nos clubes criando referencias nos adeptos, o desejo de transferencia de um jogador seria motivado muito mais pelo projecto do novo clube do que por diferenças financeiras e retirava do futebol a imagem de serem um bando de chulos movidos por interesses económicos...




« Última modificação: Maio 09, 2009, 01:20 am por Paulo Duarte »
vivó Sporting!!!