Política Nacional

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Prosseguir em frente sem abordar as PPPs e sem as tão propaladas reformas estruturais tudo o que venha do governo para mim são balelas.

Só as dívidas BPN têm sido pagas à custa do subsidio de férias e de natal da função pública e já foi vendido (então imaginem se não tivesse), dos dinheiros enterrados nas estradas de Portugal não bastaram serem pagas com fundos comunitários, dinheiro dos contribuintes e ainda tiveram que portajar as estradas, negócios com construtoras, bancos, venda de edifícios a baixo do seu valor para ser vendido em seguida por uma fortuna, alugueres astronómicos quando o estado tem vários edifícios próprios sem nada, etc, etc... De tantas negociatas lesivas para o erário público que absorvem de tal forma os recursos estatais que se não forem abordadas nunca será possível fazer uma recuperação económica!

Eu vejo com muito cepticismo, como sempre vi, os governos nacionais e as suas já anunciadas reformas, quando a máquina partidária, ou seja, o polvo continua instalado com gavinhas no cerne dos problemas... Logo quando o problema são as corporações partidárias, bancárias e empresariais eles próprios não serão a solução, pois convém-lhes que o problema persista pois é donde vêm os seus rendimentos.

Procurar soluções em quem lucra com os problemas é de loucos!

Cumps 


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"O ser humano será o único animal que procura voluntariamente a servidão para se furtar ao dom que o distingue da restante criação: a inteligência." (Miguel Castelo Branco)
Paracelsus, sustentável é, como um amigo meu me contou que no dia em que saiu o iPad, um administrador da REN mandou comprar logo oito unidades, à conta da empresa...  isso sim é sustentável! Sustentável é ver um Bentley de 200 mil euros estacionado à porta de uma escola, com a chapa azul a dizer EP, veiculo no qual um administrador do Parque Escolar se deslocou a uma reunião!

Epá, isso sim é sustentável pá!!

Agora, o tuguinha mandrião, querer ter um carro, uma casa, um filho, comer alguma coisa decente e vestir algum farrapo decente já é viver acima das possibilidades. Sim, porque o facto de receber pouco e muito abaixo da média europeia é que é normal!

Lá está, é a mentalidade capitalista do: o que está mal é o individuo pretender ter uma vida melhor, e não o facto de se inserir num mercado que o remunera mal! Claro que ser mal remunerado não é o problema, como poderia ser?! Quanto menos se pagar ao trabalhador, mais capital se amealha, no fundo o objectivo cimeiro do capitalista!

Mas eu até dou o desconto, já estás há tantos anos na Suécia que te esqueces que em Portugal muita gente ganha uns miseros 500€ por mês, pagam impostos, mas não têm transportes públicos de qualidade (lá está, há quem prefira passar a ponte porque se calhar ainda lhe consegue ser mais barato do que apanhar 30 autocarros e 50 comboios para chegar ao trabalho). Curiosamente todos os que conheço que trabalham no centro de Lisboa e têm acesso ao metro, vão de metro!!  Mas pronto, levar o carro é um luxo de gente fútil!!

Tenham juizo, afinal de conta qual é o objectivo de vida do ser humano? Não é o de ser feliz e viver a vida o melhor que conseguir, e com o máximo de qualidade?! Pretender faze-lo, é viver acima das possibilidades? Estamos a entrar numa perigosa retórica de desumanização da vontade humana, onde o objectivo de felicidade dos indivíduos é substituído pelo sacrossanto ideal do trabalho. As pessoas trabalham para viver uma vida mais de acordo com os seus objectivos de felicidade, e não o contrário!! Pedir às pessoas que trabalhem, recebam pouco e não ousem pretender ter acesso ao lazer, ao ócio, ao prazer, no fundo à felicidade, é desumanizar totalmente a sociedade, é transformar as pessoas em escravos, em robots! Mas digo-te: isso sim é insustentável, e a História da Humanidade mostra-o tantas e tantas vezes!!

Não me referi à justeza da situação, mas sim à sustentabilidade.


É fazer contas... faz tu as contas... mete os juros de um emprestimo de uma casa de 200 000€, mete os juros de um emprestimo de um carro de 15 000€, mete a despesa mensal de telemovel incluindo aquisicao mais chamadas, mete internet, tv com 100 canais, mete telefone, conta da agua, conta da rede, conta do gas, conta da electricidade, conta do seguro do carro (seguro medio), conta da gasolina gasta, conta do seguro de saude, conta dos brinquedos do puto, conta da roupa do puto, conta dos livros e materiais da escola do puto, conta dos transportes de 1 do casal (o outro vai de carro), conta de 2 idas ao cinema, conta de 3 vezes em restaurante, conta de toda a comida num mes, conta de tudo o que entra para o recheio da casa, conta de uns quantos vinhos e bebidas...

... Junta tudo e compara com 1500€ de salario por mes. Os itens que referi sao perfeitamente normais da classe media, sem luxos ou sequer percalços.

Então, consegues aquilo tudo por menos de 1500€? Se sim, avisa.

Nota-se perfeitamente que não vives em Portugal à muito tempo. Um casal de 1500 euros compra apartamentos de 100/120 mil euros, dá 10 mil por um carro em segunda mão, tem tvcabo de 60 canais, Internet (porque não podemos ter?), raramente vai a um restaurante, apenas em dias comemorativos, cinema idem aspas,... essa comparação com esses valores são completamente irrealistas. Conheço muitos casais amigos que ganham isso e vivem perfeitamente com 1500 mas não andam com o rei na barriga.

Está bem, faz as contas com um apartamento de 120 mil euros, um carro de 10 mil euros, tvcabo com 60 canais e internet... raramente vai a um restaurante? Raramente vão ao cinema? Ena, ainda no Natal estive no Fórum Almada várias vezes e aquilo estava sempre cheio... SEMPRE cheio, filas e filas para o cinema, filas e filas nas compras do Jumbo, a zona da restauração a abarrotar ao almoço/jantar. Sublinho já agora que são raros os carros que vi no estacionamento desse centro mais velhos que 2000 e que sempre que fui a Lisboa (e foram muitas vezes) haviam SEMPRE filas de carros cheíssimos com uma única pessoa pra passar a ponte (e estamos a falar de carros modernos, não de calhambeques).

Das duas uma: ou ganham mais de 1500€ e nesse caso podem sustentar este estilo de vida... e tudo bem, ordenados de 2000 e 3000€ por mês são perfeitamente normais em qualquer país europeu para uma família "normal" ou então ganham menos e estão endividados até ao tutano para poderem conservar tudo isto. Por acaso já referi que o endividamento das famílias portuguesas é em média de 120% ou lá perto? Hmm, deve ser porque é tudo muito sustentável... 8)
   Paracelsus, exemplos/casos práticos há muitos e teóricos ainda mais. Tu podes criar os que quiseres, eu podia criar os que quisesse, para rebater os teus, e mais pessoas quisessem, mais personagens se criavam, e números e estimativas fictícias, mas a realidade, sobretudo para uma grande parte da população, é bem mais dura e crua (e cruel). Vê-se que a realidade sueca influencia a tua leitura da realidade portuguesa, no entanto essa não é uma boa base de partida quando se quer abordar os problemas reais dos portugueses.

   É até irónico que vás buscar o exemplo das travessias do Tejo e do facto das pessoas quererem levar o carro mesmo sabendo os custos que isso acarreta, mas duvido que saibas melhor que os próprios automobilistas que se deslocam (diariamente ou não) para Lisboa o preço a pagar por isso. O preço do parqueamento (e as zonas com parquímetro) aumentaram imenso nos últimos anos, assim como o preço da gasolina, da manutenção dos veículos, das portagens, das multas, etc e por aí fora. Se as pessoas utilizam um automóvel para se deslocarem, não sei como podes dizer que a maioria o faça por carolice e não reflectidamente e pesando as vantagens e desvantagens de o fazer. As pessoas não são assim tão irresponsáveis como são a maioria dos dirigentes actuais, pois as pessoas têm de fazer contas à vida e contar os trocos, já os dirigentes esbanjam, arranjam tachos, panelinhas, compadrios, seitas, e parece mais que fazem contas à morte daqueles com cujas vidas brincam.

   E é irónico porque se sabe que vão ser cortadas ligações fluviais entre as duas margens, se vai reduzir também a rede da Carris, optimizando-a de acordo com as necessidades da empresa (tenho o panfleto, se quiseres posso colocá-lo à disposição), e que os transportes públicos, apesar do aumento substancial de qualidade e modernização dos meios e dos veículos, que há que reconhecer, são benéficos quer ambientalmente, quer a nível de conforto, comodidade e segurança, assim como a melhoria dos tempos de viagem e optimização dos interfaces, viram os preços aumentar substancialmente, encarecendo e perdendo um dos seus vectores de atracção, deixando de ser tão compensatórios a nível económico para os clientes. E apenas tenho experiência a nível da zona urbana, porque se formos para a zona sub-urbuna, regional e intercidades, se calhar as coisas pioram substancialmente a todos os níveis.

   Porque é que 1 viagem urbana, quando há cartões que possibilitam a sua utilização no Metro ou na Carris, não permite a utilização combinada dos 2 meios no espaço de 1 hora, mas permite que se possa mudar de veículo ou apenas na superfície, ou apenas na rede de Metro, no mesmo espaço de tempo? E com esta simples medida, conseguia-se articular muito melhor a rede de transportes de superfície e a rede de Metro, dentro da cidade. Mas lá está, o que interessa é ir ao bolso do cliente, que, para não ter que gastar 2 viagens no espaço de 1 hora, tem de utilizar apenas o transporte de superfície, e com isso perder mais 20-30 minutos do que levaria se fosse de metro e depois, com a mesma viagem, pudesse entrar num autocarro, ou vice-versa. Isto já é sustentável? Sim, mas não para os cidadãos. E assim, não fora o aumento da gasolina, e mesmo com ele, e quase sai mais barato andar de automóvel que de transportes públicos, além de ser mais rápido e cómodo. Faz sentido?

   A realidade dos media e do mainstream é uma, mas quando se anda pela cidade e pelo país, é essa realidade que interessa.
« Última modificação: Março 02, 2012, 00:30 am por HULK VERDE »
Quero só alertar que a "classe média" não é a maior parte do país, a maior parte do pais são famílias de classe trabalhadora, que andam, maioritariamente, de autocarro (se tiverem um carro por agregado familiar já vão com sorte).

Acho também inacreditável que ir ao cinema e comer a um restaurante onde se sirva comida portuguesa (barata, portanto) tenha passado a ser um luxo...Alem disso, carros relativamente novos (de 2000 em diante) são obviamente mais económicos, pois gastam menos e alem disso já estamos em 2012.

No entanto, eu concordo que o nosso estilo de vida seja insustentável, mas como um todo, pois o planeta não conseguiria suportar 7 mil milhões de portugueses de classe média.

Agora, não quer dizer que tenhamos andado a viver acima das nossas possibilidades, andamos é a receber salários,  mais pequenos que aquilo que produzimos, acabando por pedir emprestado o resto que precisamos, uns para manter um estilo de vida burguês, outros para pagar as contas.
Quero só alertar que a "classe média" não é a maior parte do país, a maior parte do pais são famílias de classe trabalhadora, que andam, maioritariamente, de autocarro (se tiverem um carro por agregado familiar já vão com sorte).

Acho também inacreditável que ir ao cinema e comer a um restaurante onde se sirva comida portuguesa (barata, portanto) tenha passado a ser um luxo...Alem disso, carros relativamente novos (de 2000 em diante) são obviamente mais económicos, pois gastam menos e alem disso já estamos em 2012.

No entanto, eu concordo que o nosso estilo de vida seja insustentável, mas como um todo, pois o planeta não conseguiria suportar 7 mil milhões de portugueses de classe média.

Agora, não quer dizer que tenhamos andado a viver acima das nossas possibilidades, andamos é a receber salários,  mais pequenos que aquilo que produzimos, acabando por pedir emprestado o resto que precisamos, uns para manter um estilo de vida burguês, outros para pagar as contas.

Sim, ir ao restaurante, ir ao cinema, ter um carro "novo", etc e tal é insustentável para quem tem salários baixos. Mas afinal qual é a vossa definição de insustentável? Se eu tiver um salário abaixo dos meus gastos então é insustentável por definição. E nos gastos incluo obviamente os decorrentes do crédito, porque ninguém da classe média compra uma casa apenas quando tiver o dinheiro todo que a mesma custa.

Ainda não me disseram se é ou não sustentável ter 1500€ por mês (e já estou a ser generoso, porque a realidade actual seria um dos membros do casal ir para o desemprego e o outro chegar a casa com 1000€ limpos) e ter aquelas despesas todas... façam as contas, apresentem-me o budget mensal de uma família da classe média - casal com filho ou filhos com as comodidades consideradas "normais" - que consiga ficar abaixo deste valor. Eu digo que tal não é possível, e isso quer dizer que não é sustentável.
Paracelsus, não precisas de continuar a insistir, já o disse, conheço muitos casais que ganham entre 1300 a 1800 euros e têm uma vida sem chatices. Obviamente que a qualidade de vida de um e de outro é claramente diferente. Vou mais longe, um amigo meu vive junto com a namorada, ganha 700 euros e ela está desempregada. A comida ainda não faltou...

A realidade é uma, o custo de vida sobe, os ordenados descem, quem faz leis baseia-se em números e cálculos matemáticos, para eles nós somos apenas algoritmos. Não conhecem a realidade, não sabem o que é ser do povo e assim sendo é normal que não detectem o verdadeiro problema.
« Última modificação: Março 02, 2012, 01:25 am por Stunner »
Paracelsus, não precisas de continuar a insistir, já o disse, conheço muitos casais que ganham entre 1300 a 1800 euros e têm uma vida sem chatices. Obviamente que a qualidade de vida de um e de outro é claramente diferente. Vou mais longe, um amigo meu vive junto com a namorada, ganha 700 euros e ela está desempregada. A comida ainda não faltou...

Se assim é então é difícil de explicar onde está o drama dos salários baixos, já que parece que é possível ter dinheiro para as coisas normais, pagar casa e carro e tudo com 700€ mensais para 2 pessoas.

(o que é interessante é que só contando com um carro de 10 000€, o empréstimo teria de ser qualquer coisa como 200€ por mês, no mínimo... se isto é o carro, com uma casa de 100 000€ e acrescentávamos mais 250€ por mês, comida pra dois é capaz de ficar nos 200€ por mês numa perspectiva razoável... ora, sobram 50€ para gasolina para o carro, seguros vários, telemóvel, tv, canais, internet, telefone, portagens, férias, livros, música, contas da água, luz, gás... hmm, acho que sim, pois :think:)
Epá, querem fazer contas aos custos de vida? Ok, mas usem valores concretos que com a ajuda do Google não fica muito complicado.

Ora vejam este cenário: casal com 1 filho adolescente, ambos trabalham em Lisboa mas fora da rede do Metro, já o puto precisa de apanhar o metro da margem sul para ir à escola.

Despesas mensais:

T2 no Monte da Caparica: 340€ http://www.remax.pt/120881119-36 + simulação a 40 anos
Condomínio: 30€
4 canais de TV + NET pela ZON: 24.99€ http://www.zon.pt/pacotes/Pages/Pacotes.aspx?pkid=iris
Luz: 40€
Água: 20€
Passe Metro Transportes do Sul: 16.75€ x 2 + 8.40€ = 41.9€ http://www.mts.pt/tarifarios.php
Passe Fertagus + Metro + Carris: 62.05€ x 2 = 124.1€ http://www.fertagus.pt/popup.aspx?cntx=IEMbtexNbyU%2BZ1csrPaBvSHU%2BXtC9KZtWF56q4e2eI8xjDM5b8BAcjWjYhb1szXmqqtVJlcNjsegIMh8QHFWxg%3D%3D
Alimentação/hipermercado: 400€

Total: 1020.99€

Não acham o valor abusivo? Reparem que não há luxos e nem contemplei despesas com educação ou roupa, mas mesmo assim o valor já implica que nenhum elemento do casal possa receber o salário mínimo.

Agora façam o seguinte exercício, em vez do puto adolescente coloquem um bebé, e refaçam os cálculos adicionando infantário e trocando os passes por um carro.
É que ir de transportes com um bebé até um infantário, depois correr para mais transportes e ir pro trabalho, para depois voltar novamente de transportes a tempo de apanhar o bebé antes do fecho do infantário, é uma tarefa quase impossível.

Epá, querem fazer contas aos custos de vida? Ok, mas usem valores concretos que com a ajuda do Google não fica muito complicado.

Ora vejam este cenário: casal com 1 filho adolescente, ambos trabalham em Lisboa mas fora da rede do Metro, já o puto precisa de apanhar o metro da margem sul para ir à escola.

Despesas mensais:

T2 no Monte da Caparica: 340€ http://www.remax.pt/120881119-36 + simulação a 40 anos
Condomínio: 30€
4 canais de TV + NET pela ZON: 24.99€ http://www.zon.pt/pacotes/Pages/Pacotes.aspx?pkid=iris
Luz: 40€
Água: 20€
Passe Metro Transportes do Sul: 16.75€ x 2 + 8.40€ = 41.9€ http://www.mts.pt/tarifarios.php
Passe Fertagus + Metro + Carris: 62.05€ x 2 = 124.1€ http://www.fertagus.pt/popup.aspx?cntx=IEMbtexNbyU%2BZ1csrPaBvSHU%2BXtC9KZtWF56q4e2eI8xjDM5b8BAcjWjYhb1szXmqqtVJlcNjsegIMh8QHFWxg%3D%3D
Alimentação/hipermercado: 400€

Total: 1020.99€

Não acham o valor abusivo? Reparem que não há luxos e nem contemplei despesas com educação ou roupa, mas mesmo assim o valor já implica que nenhum elemento do casal possa receber o salário mínimo.

Agora façam o seguinte exercício, em vez do puto adolescente coloquem um bebé, e refaçam os cálculos adicionando infantário e trocando os passes por um carro.
É que ir de transportes com um bebé até um infantário, depois correr para mais transportes e ir pro trabalho, para depois voltar novamente de transportes a tempo de apanhar o bebé antes do fecho do infantário, é uma tarefa quase impossível.



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Essa é a realidade de muitos e muitos milhares de casais portugueses.

E ninguém pode cuspir para o ar. Dum momento para o outro, alguém que viva razoavalmente bem, com um salário confortável, com uma boa casa, etc., tudo muda num ápice... basta a empresa de um dos cônjuges falir ou haver um despedimento.

Tudo muda. E o problema é que já há muitos casais onde ambos estão desempregados.

Ontem fui a uma reunião na Segurança Social, no Areeiro, e simplesmemte vim de lá com os cabelos em pé. As filas para inscrição no Subsídio de Desemprego são enormes, as pessoas discutem umas com as outras e com os funcionários da Segurança Social, pessoas com ar de quem passa fome, mal vestidos, mal agasalhados, deprimidos, um universo perfeitamente felliniano, sem tirar nem pôr. Só que isto não é filme, é a realidade do nosso país. E ainda há quem cuspa para o ar, como que dizendo, isso passa-se com os outros, não é comigo...

Puro engano.

E o problema é que quando eu era pequeno, nós contentávamo-nos com ter apenas um brinquedo, jogávamos ao pião (que era barato), ao prego (arranjávamos uma cavilha nas obras), à carica (que apanhávamos à porta dos cafés), ao "guelas" que saiam nas garrafas de gasosa, comprávamos uma bola entre todos e cada dia, depois do jogo, o capitão da equipa que ganhava levava a bola para casa dele... e ficávamos todos contentes.

Hoje, se os pais ficam desempregados, quem é que compra o belo do telemóvel última geração ao menino e à menina?

Quem é que compra a PS3, a X Box, a PSP ou a DS?

Quem é que compra o PES ou o Assassins Creed?

Quem é que compra os ténis VAN, Roxy ou All Star? Ou os hoodies da Element ou da Roxy?

Os putos não estão habituados a sacrifícios nem são pobres a pedir. Além disso, as desigualdades sentem-se muito  mais agora. Por isso, é que miúdos que têm coisas que a maior parte dos outros não têm são roubados na escola pelos que não têm...

Sabem quem é que me roubava na escola? Eram os ciganos e uns putos marginais que viviam ao pé da minha casa. E sabem o que é que me roubavam? Cromos, berlindes e o lanche.

Culpados? São os pais (nos quais eu me incluo); são os professores que perguntam aos miúdos se eles nunca foram ao Museu de Salvador Dali em Barcelona ou ao Guggenheim, em Bilbao, e que haviam de lá ir, quando os pais mal têm dinheiro para o dia a dia, é a sociedade de consumo à qual é tão difícil resistir, é a sociedade de informação à distãncia de um clic com o mundo (e o que existe de bom e de mau) a entrar-nos em casa...

Por isso é que eu digo. Uma crise é uma crise e é má em qualquer período da história. Mas nós hoje em dia estamos muito mal preparados para lidar com a crise.
Gêbêeme, tens toda a razão, aproveitando o que o ARMAS escreveu, mas não podemos ser tão severos no juízo, não vivemos propriamente no século XIX, inícios de XX onde trabalhava-se 12 horas diárias por meia dúzia de trocos em grandes fábricas. A sociedade evoluiu e o que se pede é o mínimo, alguma decência humana, algum conforto que preencha o vazio que é ser pobre.  Eu meio a brincar sempre disse que ser pobre é uma doença. Parece que não me enganei, não tem cura e pior, está a alastrar-se.

P.S: ARMAS, onde viste esse pacote de tv+net por 25 euros? :mrgreen: Ando à procura deu uma coisa dessas :P É que o mínimo que eu vejo são 45 euros...
P.S: ARMAS, onde viste esse pacote de tv+net por 25 euros? :mrgreen: Ando à procura deu uma coisa dessas :P É que o mínimo que eu vejo são 45 euros...
offtopic:
É um pacote da Zon, net a 12Mbit mas a TV é só os 4 canais :lol:
Viva o Sporting
P.S: ARMAS, onde viste esse pacote de tv+net por 25 euros? :mrgreen: Ando à procura deu uma coisa dessas :P É que o mínimo que eu vejo são 45 euros...
offtopic:
É um pacote da Zon, net a 12Mbit mas a TV é só os 4 canais :lol:

Yeap. Na página dos pacotes da ZON, abre o separador CABO que encontras essa pechincha pelos 4 canais.

Quanto à crise, outra que agora acontece muito são as operações de fiscalização, pois afinal é preciso ir buscar guita a todo o lado. Então anteontem bloquearam os acessos ao Porto com operações STOP, supostamente devido ao crime violento, carjacking, assaltos a caixas multibanco etc. Mas isso perecem-me balelas! Pelas notícias que tenho lido as caixas multibanco roubadas raramente são de Lisboa ou Porto mas sim da periferia, onde não há tanto policiamento. Quanto ao carjacking, também me parece que o mesmo é praticado à porta de casa, normalmente em zonas de luxo que uma vez mais também não são bem no centro da cidade, pelo menos no Porto. Cá em cima o pessoal com dinheiro mora na Foz ou então nos arredores em alguma vivenda luxuosa e afastada da confusão.
A meu ver essas operações STOP apanham mais quem já anda de calças na mão do que os verdadeiros criminosos.

Outras operações de fiscalização são realizadas aos transportes de mercadorias. Todas as semanas vejo uma cá em cima. Umas vezes na rotunda em Alfena, no acesso à A41 outras na zona industrial da Maia, como foi o caso de hoje.

Com a crise, a debilidade económica, a subida dos impostos, quem pisar o risco leva uma multa que não se levanta mais. É assim que o estado contribui para sustentabilidade do sistema.
Agora, fiscalizações às m***** com o BPN que realmente afectaram as contas públicas? Nem vê-las.
Houve um forista mais atrás que focou a necessidade de utilizar forçosamente o carro para levar a criança ao infantário.

Nos anos 80 em combóios à cunha, às 7 e pouco lá carregavamos com 2, fizesse chuva ou sol. Tinha que ser.
Quando chegávamos ao trabalho já levávamos que contar. Isto para que não lhes(nos) faltasse o essencial.
OS TEMPOS ERAM OUTROS. Nem infantários próximos havia, os que havia eram longe e carissimos.
Então os miudos muitas das vezes tinham que ficar com os avós, se eles tivessem disponibilidade.
À tarde o mesmo esquema.
Agora já há muitos mais mas também pesam bastante no orçamento, acrescido das prestações de casa/carro outras prestações que afogaram os parcos ordenados de muitos casais.
Ha diferenças, mas dantes as pessoas sacrificavam-se mais, se não podiam ter carro não o tinham. Hoje, mesmo quem more nas cidades não o pode dispensar.
E com o desemprego e a escassez de crédito os portugueses aos quais a banca lhes emprestava para tudo e mais alguma coisa vêm-se obrigados a entregar casa, caro e sei lá que mais e a verem as suas vidas viradas do avesso, passando enormes dificuldades.
Tendo, novamente de buscarem apoios nos velhotes. Mas desta vez para eles próprios, também. Quem os tenha.       
QUERO    UM   SPORTING
CREDÍVEL  -  LIMPO  -  AMBICIOSO
Houve um forista mais atrás que focou a necessidade de utilizar forçosamente o carro para levar a criança ao infantário.

Nos anos 80 em combóios à cunha, às 7 e pouco lá carregavamos com 2, fizesse chuva ou sol. Tinha que ser.
Quando chegávamos ao trabalho já levávamos que contar. Isto para que não lhes(nos) faltasse o essencial.
OS TEMPOS ERAM OUTROS. Nem infantários próximos havia, os que havia eram longe e carissimos.
Então os miudos muitas das vezes tinham que ficar com os avós, se eles tivessem disponibilidade.
À tarde o mesmo esquema.
Agora já há muitos mais mas também pesam bastante no orçamento, acrescido das prestações de casa/carro outras prestações que afogaram os parcos ordenados de muitos casais.
Ha diferenças, mas dantes as pessoas sacrificavam-se mais, se não podiam ter carro não o tinham. Hoje, mesmo quem more nas cidades não o pode dispensar.
E com o desemprego e a escassez de crédito os portugueses aos quais a banca lhes emprestava para tudo e mais alguma coisa vêm-se obrigados a entregar casa, caro e sei lá que mais e a verem as suas vidas viradas do avesso, passando enormes dificuldades.
Tendo, novamente de buscarem apoios nos velhotes. Mas desta vez para eles próprios, também. Quem os tenha.       

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O que escreves e que assinalei a "bold" é a chave de tudo.

Antes as pessoas estavam dispostas a fazer sacrifícios.

Recordo-me, por exemplo, que o meu pai e a minha mãe tinham dois empregos. O meu pai trabalhava a turnos numa fábrica e quando não estava a trabalhar na fábrica tinha emprego numa empresa de distribuição de bebidas e ia entregar bebidas aos barcos que estavam acostados no porto de Lisboa, a minha mãe limpava um escritório das 7 às 12 da manhã e depois ia trabalhar para casas como doméstica. E eu, enquanto não andei na escola, ia com ela.

Sempre de transportes públicos.

Porque é que eles faziam esse sacrifício? Para que não me faltasse nada (não era para que lhes não faltasse nada, era para que não faltasse nada ao (s) filho (s), que eu tenho um irmão 6 anos mais novo mas que já teve uma adolescência diferente da minha).

Hoje, há muitos pais que não estão preparados para fazer esses sacrifícios. Hoje, crescem o número de maus tratos e de abandono de crianças porquê?

Principalmente, porque os pais (que as fazem) as encaram como descartáveis. Como um aborrecimento. Como um impedimento para levarem a sua vida como a desejariam, sem prisões.

Corro o perigo de ser entendido como estando a generalizar mas é evidente que não são todos.

No entanto, toda esta crise que vivemos que, muitos dizem que é financeira, é na realidade uma crise de valores morais.

A desestruturação das famílias está na base de tudo. Famílias fortes prodizem sociedades fortes. Famílais com valores éticos e morais, produzem sociedades com valores éticos e morais.

Ora não é isso que acontece. Conheço, por força da minha vida, muitas famílias desestruturadas (e não é por falta de dinheiro), em que está tudo entregue ao "quero é que se lixe."

Mesmo em famílias em que isso não acontece, é frequente os pais fazerem férias sózinhos, os filhos idem aspas, aspas, os pais têm a sua vida, os filhos têm a sua vida... e não estou a falar de miúdos com 18-20 anos, estou a falar de miúdos com 12, 13, 14 anos, em que a sua personalidade se está a moldar, em que precisam das orientações dos pais, como eu, felizmente, tive os meus para mas darem quando eu precisava.

Depois admiram-se com a geração à rasca...
« Última modificação: Março 02, 2012, 11:33 am por Gêbêeme »
[youtube=650,535]http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=tSJZuLa0Q5A#![/youtube]
“no small number of these whaling seamen belong to the Azores, where the outward bound Nantucket whalers frequently touch to augment their crews from the hardy peasants of those rocky shores.”
Herman Melville - Moby Dick
Citar
Estado pagou duas vezes à Lusoponte

O Secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, autorizou o pagamento de 4,4 milhões de euros à Lusoponte para compensar a empresa pela não cobrança de portagens na Ponte 25 de Abril. Isto, apesar de saber que a isenção em Agosto neste trajecto acabou o ano passado e que a Lusoponte ficou com o dinheiro das portagens - as receitas de todas concessões rodoviárias são das Estradas de Portugal. Assim, a empresa recebeu duas vezes.

A decisão consta de um despacho assinado no dia 21 de Novembro do ano passado, depois de um pedido de compensação da empresa. E tanto o dinheiro das portagens como o dinheiro da compensação continuam nas mãos da concessionária.

Dando seguimento a uma decisão do Executivo anterior, o Governo liderado por Pedro Passos Coelho decidiu, em Julho, passar a cobrar as portagens na Ponte 25 de Abril em_Agosto, até então grátis. A medida visava poupar 4,4 milhões de euros por ano entregues à Lusoponte como compensação, pois todas as receitas de portagem da concessão servem de pagamento à empresa da Mota-Engil.

Contudo, não ficou claramente definido qual o modelo de compensação à Lusoponte: ou esta entregava o dinheiro das portagens ao Estado, mantendo este os pagamentos inalterados, ou o Estado descontava os 4,4 milhões de euros nos pagamentos anuais que efectua à empresa no âmbito do Acordo de Reequilíbrio Financeiro VIII, celebrado em 2008.

Tendo a Lusoponte retido o dinheiro das portagens de Agosto, a empresa pública Estradas de Portugal (EP), gestora de todas as infra-estruturas rodoviárias do país, decidiu descontar os 4,4 milhões de euros ao pagamento normal efectuado à Lusoponte. Pagou 2,3 milhões de euros à Lusoponte, em vez dos 6,7 milhões acordados no Acordo de Reequilíbrio Financeiro VIII, pois este documento não previa a cobrança de portagens em Agosto.

Mas a empresa liderada por Joaquim Ferreira do Amaral, antigo ministro das Obras Públicas do PSD, discordou da decisão da EP e pediu à empresa para efectuar o pagamento pelos moldes anteriores à introdução de portagens, apesar de ter retido o dinheiro das portagens.

 

Nono acordo de reequilíbrio negociado

Em carta enviada no dia 31 de Outubro ao Ministério da Economia, a EP justifica a sua conduta e pede o parecer do secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, lê-se no despacho assinado por este, a 21 de Novembro. No mesmo documento, Silva Monteiro desautoriza a EP e ordena-lhe «que proceda, de imediato, à liquidação da quantia em falta».

Segundo o Governo, ainda está em vigor o acordo de 2008 e o desconto apenas poderá ser efectuado no quadro de um novo Acordo de Reequilíbrio Financeiro... o nono. «Está neste momento em fase finalização entre as partes o Acordo de Reequilíbrio Financeiro IX, o qual visa precisamente endereçar esta questão», diz ao SOL fonte oficial do Ministério da Economia.

O acordo deveria estar fechado no final do ano passado, mas o processo continua a arrastar-se. Até lá, a Lusoponte irá reter o dinheiro das portagens, disse ao SOL fonte oficial da empresa. Só a partir de então se efectuarão os acertos.
É de pensar que o Sporting é muito grande, e que são estas coisas que valem muito para um clube. São estas coisas que trazem sportinguismo ao clube. Isto não é quantificável. Isto não são 6%, 7%... Isto é o Sporting! Isso traz coisas muito importantes ao Sporting. Fervor sportinguista, acima de tudo! - João Benedito, 20-06-2010
Parece-me que vale a pena ver esta entrevista do I a John Perkins; http://www.ionline.pt/mundo/john-perkins-portugal-esta-ser-assassinado-muitos-paises-terceiro-mundo-ja-foram

Destaco esta parte:

P: Diz que os assassinos económicos são profissionais altamente bem pagos que enganam os países subdesenvolvidos, recorrendo a armas como subornos, relatórios falsificados, extorsões, sexo e assassinatos. Pode explicar às pessoas que não leram o seu livro como tudo isto funciona?

R: Basicamente, aquilo que fazíamos era escolher um país, por exemplo a Indonésia, que na década de 70 achávamos que tinha muito petróleo do bom. Não tínhamos a certeza, mas pensávamos que sim. E também sabíamos que estávamos a perder a guerra no Vietname e acreditávamos no efeito dominó, ou seja, se o Vietname caísse nas mãos dos comunistas, a Indonésia e outros países iriam a seguir. Também sabíamos que a Indonésia tinha a maior população muçulmana do mundo e que estava prestes a aliar-se à União Soviética, e por isso queríamos trazer o país para o nosso lado. Fui à Indonésia no meu primeiro serviço e convenci o governo do país a pedir um enorme empréstimo ao Banco Mundial e a outros bancos, para construir o seu sistema eléctrico, centrais de energia e de transmissão e distribuição. Projectos gigantescos de produção de energia que de forma alguma ajudaram as pessoas pobres, porque estas não tinham dinheiro para pagar a electricidade, mas favoreceram muito os donos das empresas e os bancos e trouxeram a Indonésia para o nosso lado. Ao mesmo tempo, deixaram o país profundamente endividado, com uma dívida que, para ser refinanciada pelo Fundo Monetário Internacional, obrigou o governo a deixar as nossas empresas comprarem as empresas de serviços básicos de utilidade pública, as empresas de electricidade e de água, construir bases militares no seu território, entre outras coisas. Também acordámos algumas condicionantes, que garantiam que a Indonésia se mantinha do nosso lado, em vez de se virar para a União Soviética ou para outro país que hoje em dia seria provavelmente a China.
"Alianças só na mão esquerda da minha mulher"
Há um documentário sobre o John Perkins a propósito das memórias de um assassino económico.
Nesse período de tempo, com a ajuda da CIA,  na Indonésia aproveitaram o balanço e num só ano mataram cerca de meio milhão de comunistas.

The past is now part of my future,the present is well out of hand Ian Curtis, Heart and Soul
Comentário do Moderador Vários posts colocados não têm nada a ver com a política em Portugal. Agradecia que não se misturasse. Se por ventura acharem que um novo tópico deveria ser criado, referindo-se a uma política internacional e abrangente talvez fosse o ideal. Obrigado