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Fórum SCP - A Comunidade do Sporting Clube de Portugal Universo Sporting Clube de Portugal Redacção Porta 10-A Tópico:

O Damas e eu

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Autor Tópico: O Damas e eu (Lida 17341 vezes)

Re: O Damas e eu , « Resposta #40 em: Outubro 31, 2008, 20:21 »



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Júnior

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Que texto ! Bater Palmas
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Re: O Damas e eu , « Resposta #41 em: Outubro 31, 2008, 23:41 »


Ex-Leão d'Alverca


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Boas,

Não é hábito comentar muito (sou mais de ler), mas quero deixar aqui o meu obrigada por este texto.

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Re: O Damas e eu , « Resposta #42 em: Novembro 04, 2008, 01:03 »


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Quando chegou o minuto de silêncio pelo Damas, já todos sabíamos que Alvalade iria abaixo com aplausos. O que não sabíamos à partida (embora o pudéssemos ter adivinhado) é que não nos chegaria um minuto. Pelo contrário, quando o árbitro apitou no fim desse minuto e os jogadores se dispuseram a começar a partida, os aplausos continuaram. Se a memória ou a emoção não me atraiçoam, até aumentaram de intensidade. O árbitro ficou confuso, hesitou e só depois apitou para dar início ao jogo. Sempre sob uma ovação estrondosa, que ainda durou mais algum tempo. Agora compreendo que quisemos que aquela homenagem fosse mais poderosa, mais memorável, mas sentida do que as outras. Talvez porque o Damas foi levado cedo demais. Talvez pela injustiça da sua doença, sofrimento e morte. Talvez porque, como bons sportinguistas, nunca o esqueceremos, e ensinaremos as gerações futuras a nunca o esquecer.
© Pireza 2008

Sim, eu tb estive lá. Numa das raríssimas vezes em que as lágrimas me vieram aos olhos...
Lembro-me de facto, de estarmos à espera que o árbitro apitasse o início do tal minuto de silêncio, para explodir em aplausos de homenagem, que pudessem de alguma maneira fazerem-se ouvir pelo grande Damas... um dos nossos símbolos.  Bater Palmas Bater Palmas Bater Palmas

Excelente homenagem que tu fizeste por escrito a um dos nossos ídolos.

Acho que revelaste todos aqueles sentimentos que os nossos corações de Leão guardam do grande Damas.

Parabéns, pela simplicidade com que o fizeste.
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Re: O Damas e eu , « Resposta #43 em: Novembro 04, 2008, 09:48 »


ex-Artur Guerreiro


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Pireza sinceros parabéns pelo magnífico texto, obrigado. Bater Palmas Bater Palmas


V. Damas e M. Fernandes são, para mim, os maiores Sportinguistas dos últimos 35/40 anos.
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É nosso outra vez!
Re: O Damas e eu , « Resposta #44 em: Novembro 04, 2008, 12:31 »



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Também não me lembro de ver o Damas jogar, pois na altura era muito miudo e não achava piada ver futebol.
Mas recordo-me que no Mundial 86 o Bento lesionou-se e o Damas passou para titular. Eu como sportinguista curti bué, pois queria que o nosso é que jogasse.

Outra memória que tenho é a de ter um amigo de infancia cuja alcunha era Nuno Damas. E o engraçado é que ainda hoje ele é conhecido por Damas.
Desde puto que ele era o guarda-redes lá da rua, e como grande sportinguista nada melhor que adoptar o nome do nosso herói.
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#&%@-$€!!!
Re: O Damas e eu , « Resposta #45 em: Novembro 04, 2008, 13:35 »



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Também não me lembro de ver o Damas jogar, pois na altura era muito miudo e não achava piada ver futebol.
Mas recordo-me que no Mundial 86 o Bento lesionou-se e o Damas passou para titular. Eu como sportinguista curti bué, pois queria que o nosso é que jogasse.
Outra memória que tenho é a de ter um amigo de infancia cuja alcunha era Nuno Damas. E o engraçado é que ainda hoje ele é conhecido por Damas.
Desde puto que ele era o guarda-redes lá da rua, e como grande sportinguista nada melhor que adoptar o nome do nosso herói.


Teve azar nessa altura, foi ele o GR's que encaixou os 3 golos dos marroquinos que nos enviaram de volta pra PT. Ficou mal visto por causa desse jogo(chegou-se a dizer que se tivesse o Bento na baliza PT nâo teria perdido) quando a responsablidade do mau resultado foi acima de tudo dos orcs que 'mandavam' na selecçâo[Carlos Manuel, Alves "luvas pretas" e outros] que fizeram o manguito e nos deixaram a todos mal vistos. Se nâo me engano foi a ultima vez que foi chamado à selecçâo.
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Re: O Damas e eu , « Resposta #46 em: Novembro 04, 2008, 13:50 »



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Teve azar nessa altura, foi ele o GR's que encaixou os 3 golos dos marroquinos que nos enviaram de volta pra PT. Ficou mal visto por causa desse jogo(chegou-se a dizer que se tivesse o Bento na baliza PT nâo teria perdido) quando a responsablidade do mau resultado foi acima de tudo dos orcs que 'mandavam' na selecçâo[Carlos Manuel, Alves "luvas pretas" e outros] que fizeram o manguito e nos deixaram a todos mal vistos. Se nâo me engano foi a ultima vez que foi chamado à selecçâo.

O Alves nessa altura já não calçava na selecção, acho até que já não jogava (ultima época como jogador, segundo  zero zero foi em 84/85 no boavista).

Provavelmente querias dizer o diamantino "zarolho", aos quais eu acrescentaria o já lesionado bento na pendente sindical "barreirense", mais  o álvaro "seis dedos" como catavento e o oliveira (o central) a reboque. Depois o fraccionamento da selecção entre  jogadores tripeiros e lampiões que pouco se davam, inclusive em campo, com o atarantado do torres sem saber o que fazer, o médico a cantar fado e o resto da comitiva mais interessado nas guapas mexicanas que no mundial. Grande filme.

Com isto tudo sobrou o Damas a quem ainda tentaram fazer de bode expiatório no jogo com os marroquinos!
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Eu sou responsável pelo que escrevo, não pelo que os outros entendem!

Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele, e depois vence-te em experiência.
Re: O Damas e eu , « Resposta #47 em: Novembro 04, 2008, 14:02 »



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Teve azar nessa altura, foi ele o GR's que encaixou os 3 golos dos marroquinos que nos enviaram de volta pra PT. Ficou mal visto por causa desse jogo(chegou-se a dizer que se tivesse o Bento na baliza PT nâo teria perdido) quando a responsablidade do mau resultado foi acima de tudo dos orcs que 'mandavam' na selecçâo[Carlos Manuel, Alves "luvas pretas" e outros] que fizeram o manguito e nos deixaram a todos mal vistos. Se nâo me engano foi a ultima vez que foi chamado à selecçâo.

O Alves nessa altura já não calçava na selecção, acho até que já não jogava (ultima época como jogador, segundo  zero zero foi em 84/85 no boavista).

Provavelmente querias dizer o diamantino "zarolho", aos quais eu acrescentaria o já lesionado bento na pendente sindical "barreirense", mais  o álvaro "seis dedos" como catavento e o oliveira (o central) a reboque. Depois o fraccionamento da selecção entre  jogadores tripeiros e lampiões que pouco se davam, inclusive em campo, com o atarantado do torres sem saber o que fazer, o médico a cantar fado e o resto da comitiva mais interessado nas guapas mexicanas que no mundial. Grande filme.

Com isto tudo sobrou o Damas a quem ainda tentaram fazer de bode expiatório no jogo com os marroquinos!

Tens toda a razâo, o Alves já nâo fazia parte da pandilha  Positivo!
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Re: O Damas e eu , « Resposta #48 em: Novembro 07, 2008, 10:18 »


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Saí do meu estado de "hibernação" de apenas ler o fórum para te agradecer Pireza. Que texto fantástico.

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Ao contrário do que alguns querem, é isto o Sporting, a sua massa adepta!
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-> nós aprendemos a amá-lo e a trazê-lo no coração <-
art 1º Sporting Club de Portugal é o título d'uma associação composta d'individuos d'ambos os sexos de boa sociedade e conducta irreprehensivel.
Re: O Damas e eu , « Resposta #49 em: Novembro 08, 2008, 14:22 »



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... e passam a duas , as vezes que lacrimejei por DAMAS ...
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26/ - inicio o06/2009 inico oficial de uma época no futebol sénior com os seguintes títulos:
Re: O Damas e eu , « Resposta #50 em: Novembro 08, 2008, 16:04 »



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« Última modificação: Janeiro 12, 2010, 18:48 por Pedro Damas » Registado

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39 anos de amor incondicional pelo Sporting Clube de Portugal
Re: O Damas e eu , « Resposta #51 em: Novembro 22, 2008, 10:48 »



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O Damas entrou na minha vida na tarde de 25 de Março de 1984. Foi o dia em que em jogo a contar para a 23.ª jornada do Nacional da Primeira Divisão o Sporting bateu o Portimonense por 6-0 em Portimão, um jogo cujo relato ouvi com o meu avô, como de costume. Por essa altura o Damas era guarda-redes do Portimonense e eu ainda me lembro da maneira como a crónica da “Bola” descreveu a marcha do marcador: “na primeira parte, 0-1; na segunda parte, 0-5; na terceira parte (se houvesse), seria um chorrilho de golos uns atrás dos outros”. Tal fora a progressão do marcador e a melhoria da exibição do Sporting à medida que o jogo se aproximava do final.

À partida, tratava-se apenas de uma boa vitória do Sporting em terreno alheio, com o pormenor de cinco dos golos terem sido marcados na segunda parte. Porém, depois do jogo comecei a ouvir uns comentários que me chamaram a atenção. Afinal, parecia que o Damas jogava no Portimonense, mas na verdade era nosso, era do Sporting. Ouvi dizer que o coração falara mais alto, ouvi dizer que o Damas dera uma ajuda ao “seu” Sporting. Isso intrigou-me. Para mim, os jogadores do Sporting eram os que faziam parte do plantel do Sporting. Haver um jogador “do Sporting” a jogar no Portimonense era uma coisa absolutamente incompreensível.

Não creio que o Damas tenha feito “um jeitinho” ao Sporting nessa já longínqua tarde. Terá sido, apenas, um dia complicado, com o Portimonense a aguentar enquanto pôde e a “ir-se abaixo” quando o Sporting começou a marcar golos. Mas o que eu desconhecia na altura era a longa história de amor entre o Damas e o Sporting, entre o Damas e os sportinguistas. Não sabia que ele se tinha “feito” no Sporting, que tinha ido para Alvalade com 14 anos, que fora o inquilino indiscutível da nossa baliza anos a fio, incluindo o ano em que eu próprio nascera e no qual o Sporting fizera a dobradinha. Aliás, penso que nessa altura eu nem sabia que o Sporting ganhara o campeonato e a taça no meu ano natal. E por isso não compreendi a alegria e as expectativas quando, no final da época de 1983/84, se concretizou a transferência do Damas para o Sporting. O Damas voltou. O Damas está de regresso a casa. Com o Damas é que vai ser. O Damas.

Tudo isto por um guarda-redes? Um guarda-redes pode ser bom, mas quem as crianças idolatram são os avançados. O “tridente” Manuel Fernandes/ Jordão/ Oliveira, isso sim é que eram ídolos. Agora um guarda-redes? E porquê este fascínio pelo Damas?

O que não sabia, aprendi. Aprendi quem era “o Damas” e o que ele significava e porque é que os sportinguistas se deviam pôr em sentido cada vez que o nome dele é pronunciado.

Vi-o jogar e defender e, por vezes, fazer o papel do tal miúdo holandês que impediu a inundação pondo o dedo no buraco que havia no dique, quando tinha que suprir as deficiências do resto da equipa na tenebrosa segunda metade dos anos oitenta. Podia não haver uma grande equipa do Sporting. Mas havia grandes Sportinguistas na equipa. Como o Manuel Fernandes. Ou o Damas.

O Damas acabou a carreira, mas nunca nos deixou. Fez parte da grande dinastia de guarda-redes do Sporting que incluíra, antes dele, Azevedo, Carlos Gomes e Carvalho, mas não era só isso. O Damas, como diriam os ingleses, sangrava verde e branco. Não se podia conceber o Sporting sem o Damas. Ou vice-versa.

O Damas ficou doente. Essa doença senti-a como se fosse a de um familiar ou de um amigo. Os adeptos podem ter muitos defeitos, mas nunca faltam à gratidão para com quem serviu o seu clube leal e dedicadamente. Nunca deixam de se afligir e se alegrar com o que vai acontecendo aos que foram os seus ídolos, de infância, de juventude, de idade adulta. Ou mesmo com o que sucede ou sucedeu aos que jogaram em tempos idos e que só conhecem pela sua fama. Ainda hoje me entristeço quando me lembro, por exemplo, que o Peyroteo, esse homem forte e poderoso que reinava nos campos de futebol como um colosso, acabou a sua vida amputado e confinado a uma cadeira de rodas. E o Peyroteo deixou de jogar décadas antes de eu nascer e quando morreu eu era uma criança.

O Damas morreu. Eu digo-vos que a sua morte seria sempre prematura, mesmo que ele tivesse vivido noventa anos. Mas desgraçadamente foi prematura demais, veio pouco antes dele fazer 56 anos. Todos o homenagearam, os sportinguistas, os não-sportinguistas, os antigos colegas e os antigos adversários. Os jornais apareceram cheios de histórias. Algumas, claro, sobre as suas proezas futebolísticas. Outras sobre a sua vida fora dos relvados. Foi-nos lembrado (como se nós precisássemos de ser lembrados) que o nosso antigo guarda-redes fora também um homem exemplar, generoso e bom, capaz até de convidar um sem-abrigo para a sua mesa, para lhe dar a provar uma posta de pescada. Um homem afável, modesto, que vivera a sua doença com a mesma dignidade e coragem de sempre.

Infelizmente, também foi insultado. Um canalha qualquer que trabalha na televisão e que provavelmente se deve masturbar enquanto olha para fotografias do Luís Filipe Vieira e da Águia Vitória escolheu, para acompanhar a notícia da morte do Damas, imagens em que ele se via a sofrer golos do Benfica e a fazer faltas sobre jogadores do Benfica que por sua vez davam em livres que davam em mais golos do Benfica. Enfim, uma coisa “abaixo de cão”, que se calhar nem é digna do nosso desprezo. Se tiverem interesse em saber a opinião de um benfiquista sobre o Damas, mais vale lembrarem-se do que disse uma vez o Eusébio. Perguntaram-lhe qual a sua melhor memória do velho Alvalade e ele não falou em golos que tivesse marcado, nem em vitórias do Benfica. Falou numa defesa. Numa monumental defesa do Damas que se sobrepunha a todas as outras recordações. Falou quem sabe.

Chegou o dia em que o Sporting jogou em Alvalade (o novo) pela primeira vez depois da morte do Damas. Eu estava lá, no lugar que ocupo desde a inauguração do Estádio. Curiosamente, também estava em Alvalade (o velho) no dia em que o minuto de silêncio foi preenchido com aplausos pela primeira vez, creio que em qualquer estádio português. Foi na homenagem ao Travassos. Lembro-me bem, a iniciativa partiu da Juve Leo, a mensagem foi transmitida por megafone: “vamos aplaudir o nosso amigo Travassos”. Quem estava lá não se deve ter esquecido. Nem que seja por ter participado da última ovação tributada ao querido Zé da Europa num jogo do Sporting.

Quando chegou o minuto de silêncio pelo Damas, já todos sabíamos que Alvalade iria abaixo com aplausos. O que não sabíamos à partida (embora o pudéssemos ter adivinhado) é que não nos chegaria um minuto. Pelo contrário, quando o árbitro apitou no fim desse minuto e os jogadores se dispuseram a começar a partida, os aplausos continuaram. Se a memória ou a emoção não me atraiçoam, até aumentaram de intensidade. O árbitro ficou confuso, hesitou e só depois apitou para dar início ao jogo. Sempre sob uma ovação estrondosa, que ainda durou mais algum tempo. Agora compreendo que quisemos que aquela homenagem fosse mais poderosa, mais memorável, mas sentida do que as outras. Talvez porque o Damas foi levado cedo demais. Talvez pela injustiça da sua doença, sofrimento e morte. Talvez porque, como bons sportinguistas, nunca o esqueceremos, e ensinaremos as gerações futuras a nunca o esquecer. Tal como outros (que em muitos casos também já partiram) nos ensinaram a honrar a memória de Stromp e Hilário, Pireza e Azevedo, Yazalde e Morais, Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

O nosso gesto não passou despercebido. O cronista da “Bola” compreendeu o que se passara e deu tons épicos ao seu relato, que apareceu no jornal do dia seguinte. “O Povo”, escreveu ele, não se quis limitar a um minuto e “mandou” que a homenagem durasse mais do que o que vem estipulado nos regulamentos.

E qual é a moral desta história (que temo que se esteja a tornar demasiadamente sentimental)? Há sessenta ou setenta anos o guarda-redes do Celtic John Thompson chocou com o avançado do Rangers Sam English e sofreu tais lesões que morreu. Diz-se que enquanto o levavam para fora do campo, estando prestes a perder o conhecimento, lançou um último olhar para a sua baliza, como se se perguntasse quem a defenderia a partir dali. Desde então que os adeptos do Celtic cantam em sua homenagem uma das mais belas canções jamais criadas no mundo do futebol, aquela que contém os versos “So come all you Glasgow Celtic/ Stand up and play the game/ For between your posts there stands a ghost/ Johnny Thompson is his name”. Agrada-me pensar que sempre que uma equipa do Sporting entrar em campo, seja onde for, o Damas estará presente entre os nossos postes, não para os assombrar, mas para proteger quem quer que ocupe um lugar que, de certa maneira, ainda é e sempre será seu de direito.



© Pireza 2008

Eu ando afastado daqui, já tinha visto este tópico várias vezes mas só hoje resolvi entrar, no entanto quero apenas dizer que...

Lágrimas...

Apenas lágrimas, tive o privilégio de falar com ele duas vezes, acho que em mais de 30 anos de vida, a primeira vez que o meu irmão me viu chorar a sério foi quando lhe disse que o MAIOR tinha falecido...

Há quem diga que nasceu Sportinguista, eu sou honesto, sou do Sporting por causa de Vitor Damas, o único homem que Eusébio temia, porque os orcs dominavam com uma equipa excelente, mas apenas um obstáculo se lhes punha (isto sou eu de volta aos meus 5 ou 6 anos de idade), era o Damas...

Sempre fui Guarda Redes, joguei desde os 7 anos até aos 24 nessa posição, fui semi-profissional, a minha unica referencia foi sempre este homem, quando era miúdo de escola primária até não era mau a avançado, insistiam comigo para jogar na frente, mas o meu lugar, meus amigos, o meu lugar era sempre o do Damas, nunca quis ser se não guarda redes...
Indo muito longe em termos afectivos, é de lógicamente o melhor jogador de futebol de sempre para mim...

Obrigado por estas palavras caro Pireza, és grande... tal como o Vitor foi e será sempre...

Vitor Damas é o nosso maior símbolo, a par de Stromp, Livramento, Carlos Lopes e outros que injusta memória se desvanece agora...

Este texto merecia que finalmente se criasse um "hall of fame" neste fórum...

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Re: O Damas e eu , « Resposta #52 em: Janeiro 02, 2009, 01:27 »


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Desejo um dia conhecer metade da história do Sporting do que tu actualmente sabes.
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Re: O Damas e eu , « Resposta #53 em: Janeiro 05, 2009, 21:25 »


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   É verdade, obrigado por esta descrição. Eu, como muitos outros começei a jogar futebol graças a esse enorme guarda-redes, que tinha um estilo único, quando saía da baliza e fazía a "mancha", não se limitava a tapar o ângulo da baliza, fazia o chamado " salto de peixe" para os pés do jogador que lhe aparecia á frente. Tanto que se podia dizer deste " monstro " das balizas... tantos que o tentaram imitar... mas sem conseguirem... porque o Sr.Vitor Manuel Afonso Damas de Oliveira era e será sempre único. O meu muito obrigado por tudo o que me fizeste sonhar...
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Re: O Damas e eu , « Resposta #54 em: Janeiro 14, 2009, 00:03 »



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Bonito texto.

É sempre bom recordar estas grandes lendas do clube. Estes que amaram realmente o clube que o defenderam com unhas e dentes.

Um muito obrigado ao Pireza pela recordação e ao Damas por tudo!
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Re: O Damas e eu , « Resposta #55 em: Janeiro 16, 2009, 02:49 »




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Re: O Damas e eu , « Resposta #56 em: Janeiro 16, 2009, 11:32 »



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tenho pena de nunca ter visto o Damas a jogar como vejo actualmente o Sporting, pela sua história foi e deve ser um exemplo para qualquer jogador nas camadas jovens do sporting!!

Parabéns pelo texto!!  Positivo!
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God forgives, Liedson doesn´t!
LIEDSON voltou a marcar e pôs a claque a cantar: LIEDSON OHOH  Eu te AMO SPORTING
Re: O Damas e eu , « Resposta #57 em: Fevereiro 12, 2009, 23:38 »



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Vou-te contar uma coisa, quando são posts assim tão grandes não os costumo ler mas este não sei porquê li-o. E em boa hora o fiz, porque está verdadeiramente fantástico! Queria um adjectivo melhor mas sinceramente não há adjectivos pois acho que isto é uma obra-prima. Merecia ser imprimido, fotocopiado e depois mostrá-lo a todos os jovens da minha idade e já agora aos jogadores do Sporting. Para que moutinho's e velosos's vissem o que é ser Sportinguista, o que é sentir o Sporting. Somos grandes e e se um grande homem como o Damas respeitou tanto o nosso clube porque é que estes "míudos" (mais velhos que eu  ) não respeitam? Não o vi jogar, mas este post é suficiente para perceber o seu amor e a sua entrega ao clube. Os apalusos foram mais que justos e quem me dera a mim ter oportunidade de também o ter aplaudido, deve ter sido um momento arrepiante. Por momentos com o teu post consegui imaginar-me lá. Mais uma vez parabéns. Mesmo sem o ver jogar, neste momento merece os meus aplausos.

 Bater Palmas para ti e para o Damas!

Depois disto, sinto o meu Sportinguismo "renovado"  Grin
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Re: O Damas e eu , « Resposta #58 em: Fevereiro 12, 2009, 23:50 »



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Já vou tarde, mas esta abertura de tópico é genial.
Fantástica, mesmo.

Os meus parabéns Pireza, grande grande post  Bater Palmas
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Ecletismo: uma bandeira do Sporting Clube de Portugal!
Re: O Damas e eu , « Resposta #59 em: Fevereiro 13, 2009, 00:29 »



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Localidade: Na Ilha, desta vez definitivamente, longe mas atento, longe mas voluntário, longe mas espevitado
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Nunca conheci o Damas(como pessoa), mas a memória mais próxima que me fica é muito negativa, infelizmente. No entanto, nunca será esquecido o melhor guarda-redes português de todos os tempos.

GRANDE DAMAS!
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