Crise Financeira Internacional

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Segundo a retórica do Sócrates foi um azar apanhar com uma crise internacional só comparável à de 1929.

O que é uma dupla falácia:

1) Esta crise não é minimamente comparável à de 1929: porque em 1929 o desemprego nos EUA era 30 e tal % (milhões de pessoas da classe média nos países mais desenvolvidos tornaram-se miseráveis sub-nutridos), hoje é só 8%, a recessão era de 20/25% hoje é de apenas 2%, a inflação era de centenas ou de milhares % (tanto nos EUA como em muitos outros países) e hoje não só não há perigo de inflação como o risco que existe é o de uma pequena deflação.

Estás enganado , inflação , quer dizer hiper-inflação houve sim mas na Alemanha , provocada pelas reparações do Tratado de Versailles e o ataque ao marco.
O que a Grande Depressão provocou sim foi Deflação , fazendo caír o GDP(PIB) entre 29 e 33 mais de 25% , não caíu num só ano foi caíndo ao longo desses 4 anos.

Queda do PIB nos EUA:
1930 - (-8,6%)
1931 - (-6,4%)
1932 - (-13%)
1933 - (-1,3%)

Como vês só no 3º ano é que houve a maior queda.
Ok, erro meu, então, mas ainda assim a queda do PIB não é comparável. Se a crise estalou em 1929 e em 1930 a recessão era de 8,6%, hoje a crise estalou em 2008 (na verdade até já tinha estalado em 2007, mas entretanto houve recuperação) e em 2009 a recessão americana não é de 8,6%, é de 2%, ou seja é 4 vezes menor.

E estava a falar só das estatísticas gerais da economia, o PIB e o desemprego, porque se formos a todos os pequenos indicadores então veremos que não existe mesmo comparação possível desta crise com a 1929. Quando muito poderá comparar-se à crise petrolífera dos anos 70 (embora tenha sido mais lenta).
Recebi esta por mail.

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BRILHANTE!!!



Numa pequena vila e estância na costa sul da França, chove, e nada de
especial acontece.

A crise sente-se.

Toda a gente deve a toda a gente, todos estão carregados de dívidas.


Subitamente, um rico turista russo, chega ao foyer do pequeno hotel local.


Pede um quarto e coloca uma nota de €100 sobre o balcão, pede um quarto e
sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição
de desistir se lhe não agradar.

O dono do hotel pega na nota de €100 e corre ao fornecedor de carne aquem
deve €100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a
pagar €100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de
gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os €100 a
uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os €100 e
corre ao hotel, a quem devia €100 pela utilização casual de quartos à hora
para atender clientes.

Neste momento, o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que
o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos
€100. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve, neste movimento de dinheiro, qualquer lucro ou valor acrescido…


Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e os habitantes da pequena vila
costeira encaram agora optimisticamente o futuro!


Dá que pensar…
Recebi esta por mail.

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BRILHANTE!!!



Numa pequena vila e estância na costa sul da França, chove, e nada de
especial acontece.

A crise sente-se.

Toda a gente deve a toda a gente, todos estão carregados de dívidas.


Subitamente, um rico turista russo, chega ao foyer do pequeno hotel local.


Pede um quarto e coloca uma nota de €100 sobre o balcão, pede um quarto e
sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição
de desistir se lhe não agradar.

O dono do hotel pega na nota de €100 e corre ao fornecedor de carne aquem
deve €100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a
pagar €100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de
gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os €100 a
uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os €100 e
corre ao hotel, a quem devia €100 pela utilização casual de quartos à hora
para atender clientes.

Neste momento, o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que
o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos
€100. Recebe o dinheiro e sai.

Não houve, neste movimento de dinheiro, qualquer lucro ou valor acrescido…


Contudo, todos liquidaram as suas dívidas e os habitantes da pequena vila
costeira encaram agora optimisticamente o futuro!


Dá que pensar…

O valor acrecentado já tinha sido criado antes...

A conclusão desse email apesar de ser muito simplista é que se não houvesse o mecanismo da divida possivelmente haveria muito mais dificuldades para o dono do hotel em conseguir alimentar os seus clientes, para o talhante conseguir transformar a carne, para o fornecedor  fazer o que tinha a fazer com a senhora, e para a senhora prestar os seus serviços...
Desculpem lá vir aqui aborrecer os economistas mas gostava que comentassem este video.
Bem vistas as coisas pessoas como eu não percebem estes assuntos complicados, ao contrario de vocês. Portanto se quiserem comer um bocadinho de humble pie, já sabem. Comentem, digam mal do Milton Friedman, enfim reconheçam que tudo aquilo em que vocês acreditavam estava errado, mas acima de tudo tenham a honestidade de chamar corruptos a quem merece.

Este senhor nem deve precisar de apresentações, mas como nem todos somos economistas, o nome é William K. Black http://en.wikipedia.org/wiki/William_K._Black e a entrevista foi conduzida por Bill Moyers, os dois Americanos, claro está. E podem estar descansados que não são comunistas nem do BE, huf que alivio, não acham ?!?

Entretenham-se e se já não for novidade para alguns, paciência. Podiam era já ter vindo aqui dar a noticia que afinal este sistema dos Neo Con está mais falido que o Lehman Brothers...


It is not necessary to hope to persevere.

[youtube=425,350]http://www.youtube.com/watch?v=Rz1b__MdtHY[/youtube]

Se ainda estiverem com vontade de rir e chorar ao mesmo tempo, aqui fica mais uma entrevista com William K Black, esta dada ontem ao canal de noticias Democracy Now.

http://www.democracynow.org/2009/10/15/black

Parece que os economistas aqui do forum imigraram todos...Se calhar foram para Wall St substituir os corruptos.  :whistle:
Não há ninguém que queira vir defender a honra dos Neo Cons ? Parece que afinal já mudaram todos de partido mas cuidado, o Obama foi eleito com fundos vindos mesmo do eye of the storm...
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Now playing: Seamount - Revelation
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Este economista anda ocupado com outras actividades, como deves saber. :mrgreen: E também não tenho muitas pretensões relativamente a conhecimentos de Macroeconomia ou de Economia Financeira, se o vídeo (que não vi) passa por aí.

De qualquer modo, não sei bem porque insistes em fazer a assimilação entre economistas e Neo Cons. Já estudei o suficiente (não apenas em termos teóricos) para saber que os mercados desregulados têm virtudes que os tornam a forma de organização de Economia mais correcta, o que não quer dizer que seja a única possível ou a mais desejável em todas as situações.
Saudades do futuro.
Eu ainda não vi esse video , mas se é sobre neo-cons , ninguem aqui que eu saiba defende isso , eu pelo menos abomino isso , uma economia em free-ride , sem qualquer regulação mínima sequer.
« Última modificação: Outubro 17, 2009, 14:01 pm por Green Lion 1906 »
Desculpa Angel Lion mas nem sabia que eras economista, já tinha percebido que estudavas mas até pensava que era alguma coisa relacionada com Ciências. Alem disso tu até és dos que normalmente apresenta razoes lógicas e compreensivas para as tuas ideias. Devia ter colocado o termo economistas entre aspas, e também tens razão quando dizes que nem todos economistas são Neo Cons. Eu até conheço um que era da UDP depois do 25 de Abril e agora é das pessoas com cargos de maior resposabilidade dentro do INE, alem de escrever para o Publico, ou pelo menos era isso que fazia a uns anos atrás.

No entanto espero que vejas o video (quando tenhas tempo, porque tenho a certeza que não vieste aqui passear mas sim estudar/trabalhar) e se possível apontes algumas incoerências, caso as haja, até porque só assim e que podemos estar informados.

@Green Lion
Nao defendes ? Olha que segundo me lembro havia por aqui muitos que queriam que o McCain ganhasse, tu não pertencias a esse grupo ? Ou pertencias mas nao sabias bem quais eram as ideias dele ?
De qualquer maneira, andes sempre a defender o CDS, que se chegassem ao poder outra vez, iriam ser ainda mais radicais a seguir toda essa ideologia que o PS ou PSD.
Podias era ver o video, assim ao menos sabias do que se está a falar.
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Now playing: Seamount - Revelation
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Desculpa Angel Lion mas nem sabia que eras economista, já tinha percebido que estudavas mas até pensava que era alguma coisa relacionada com Ciências. Alem disso tu até és dos que normalmente apresenta razoes lógicas e compreensivas para as tuas ideias. Devia ter colocado o termo economistas entre aspas, e também tens razão quando dizes que nem todos economistas são Neo Cons. Eu até conheço um que era da UDP depois do 25 de Abril e agora é das pessoas com cargos de maior resposabilidade dentro do INE, alem de escrever para o Publico, ou pelo menos era isso que fazia a uns anos atrás.

No entanto espero que vejas o video (quando tenhas tempo, porque tenho a certeza que não vieste aqui passear mas sim estudar/trabalhar) e se possível apontes algumas incoerências, caso as haja, até porque só assim e que podemos estar informados.

@Green Lion
Nao defendes ? Olha que segundo me lembro havia por aqui muitos que queriam que o McCain ganhasse, tu não pertencias a esse grupo ? Ou pertencias mas nao sabias bem quais eram as ideias dele ?
De qualquer maneira, andes sempre a defender o CDS, que se chegassem ao poder outra vez, iriam ser ainda mais radicais a seguir toda essa ideologia que o PS ou PSD.
Podias era ver o video, assim ao menos sabias do que se está a falar.
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O Mcain não é o tipico republicano , chegou-se até na eleição anterior falar na hipótese dele ser vice do Kerry , eu tive e mantenho as dúvidas em relação ao Obama , já que quem fala muito pouco faz.
Tradicionalmente os Democratas têm uma visão mais europeia , daí a minha tendencia mais para apoiar os democratas , os republicanos , por amor de deus , o Mcain é mesmo a excepção à regra , mas tinham lá uma vice que fazia parte da tradição um pouco para equilibrar as coisas.

Quanto ao video , já vi um pouco , é o neo-liberalismo , a economia sem regras , condeno isso totalmente , até porque tem que haver alguma racionalidade na gestão dos recursos , se não este planeta dá o berdegaio.  :whistle:
« Última modificação: Outubro 17, 2009, 23:11 pm por Green Lion 1906 »
Tens razão quando dizes que o McCain não é o típico Republicano mas não deixa de ser o que aqui se chama um loose canon. Quer dizer, totalmente imprevisível, capaz de tudo. Para já nem falar da Mrs Palin e de outros que o rodeavam. Se o homem tivesse sido eleito, tenho a impressão que teria dado mesmo asneira da grossa. Já o Obama parece-me diferente, embora eu não tenha expectativas absolutamente nenhumas e esteja consciente de que foi eleito com uma grande parte das doações vindas de Wall St.

O video foi uma surpresa para mim, já que o entrevistado, ex regulator William K. Black, afirma (e explica como e porquê) que toda esta suposta crise foi originada por fraudes tipo ponzi schemes.
Agora eu gostava era de saber qual é a defesa (se é que existe) para estes actos, quer dizer, se há alguma justificação em termos económicos para o que estes tipos fizeram ? Parece-me que não.  
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« Última modificação: Outubro 18, 2009, 16:02 pm por Yazalde70 »
Acho que está na altura de ressuscitar este tópico , já que os obreiros que estiveram por detrás da crise do SubPrime , tambem estiveram e estão por detrás da especulação em torno da crise grega , ao mesmo tempo que ajudavam Atenas a esconder o seu défice de Bruxelas , estavam a apostar forte na falencia desse mesmo país ou seja investindo forte nos credit default swaps.
Ou seja está a acontecer o mesmo com a Grécia que antes aconteceu nomeadamente com a AIG que têve que levar um altissimo bailout para não falir.

É como comprar um seguro de incêndio para a casa do vizinho a contar depois que ela incendeie e se venha a receber o seguro , é isso que a Goldman Sachs e outros bancos andam a fazer com a Grécia.
Estes bancos de Wall Street estão a apostar forte na falência de alguns países do sul da europa que integram a zona Euro , não é preciso adivinhar qual o país que vem na lista a seguir à Grécia?

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Banks Bet Greece Defaults on Debt They Helped Hide

By NELSON D. SCHWARTZ and ERIC DASH
Published: February 24, 2010


Echoing the kind of trades that nearly toppled the American International Group, the increasingly popular insurance against the risk of a Greek default is making it harder for Athens to raise the money it needs to pay its bills, according to traders and money managers.

These contracts, known as credit-default swaps, effectively let banks and hedge funds wager on the financial equivalent of a four-alarm fire: a default by a company or, in the case of Greece, an entire country. If Greece reneges on its debts, traders who own these swaps stand to profit.

“It’s like buying fire insurance on your neighbor’s house — you create an incentive to burn down the house,” said Philip Gisdakis, head of credit strategy at UniCredit in Munich.

As Greece’s financial condition has worsened, undermining the euro, the role of Goldman Sachs and other major banks in masking the true extent of the country’s problems has drawn criticism from European leaders. But even before that issue became apparent, a little-known company backed by Goldman, JP Morgan Chase and about a dozen other banks had created an index that enabled market players to bet on whether Greece and other European nations would go bust.

Last September, the company, the Markit Group of London, introduced the iTraxx SovX Western Europe index, which is based on such swaps and let traders gamble on Greece shortly before the crisis. Such derivatives have assumed an outsize role in Europe’s debt crisis, as traders focus on their daily gyrations.

A result, some traders say, is a vicious circle. As banks and others rush into these swaps, the cost of insuring Greece’s debt rises. Alarmed by that bearish signal, bond investors then shun Greek bonds, making it harder for the country to borrow. That, in turn, adds to the anxiety — and the whole thing starts over again.

On trading desks, there is fierce debate over what exactly is behind Greece’s recent troubles. Some traders say swaps have made the problem worse, while others say Greece’s deteriorating finances are to blame.

“This is a country that is issuing paper into a weakening market,” said Ashish Shah, co-head of credit strategy at Barclays Capital, referring to Greece’s need for continual borrowing.

But while some European leaders have blamed financial speculators in general for worsening the crisis, the French finance minister, Christine Lagarde, last week singled out credit-default swaps. Ms. Lagarde said a few players dominated this arena, which she said needed tighter regulation.

Trading in Markit’s sovereign credit derivative index soared this year, helping to drive up the cost of insuring Greek debt, and, in turn, what Athens must pay to borrow money. The cost of insuring $10 million of Greek bonds, for instance, rose to more than $400,000 in February, up from $282,000 in early January.

On several days in late January and early February, as demand for swaps protection soared, investors in Greek bonds fled the market, raising doubts about whether Greece could find buyers for coming bond offerings.

“It’s the blind leading the blind,” said Sylvain R. Raynes, an expert in structured finance at R&R Consulting in New York. “The iTraxx SovX did not create the situation, but it has exacerbated it.”

The Markit index is made up of the 15 most heavily traded credit-default swaps in Europe and covers other troubled economies like Portugal and Spain. And as worries about those countries’ debts moved markets around the world in February, trading in the index exploded.

In February, demand for such index contracts hit $109.3 billion, up from $52.9 billion in January. Markit collects a flat fee by licensing brokers to trade the index.

European banks including the Swiss giants Credit Suisse and UBS, France’s Société Générale and BNP Paribas and Deutsche Bank of Germany have been among the heaviest buyers of swaps insurance, according to traders and bankers who asked for anonymity because they were not authorized to comment publicly.

That is because those countries are the most exposed. French banks hold $75.4 billion worth of Greek debt, followed by Swiss institutions, at $64 billion, according to the Bank for International Settlements. German banks’ exposure stands at $43.2 billion.

Trading in credit-default swaps linked only to Greek debt has also surged, but is still smaller than the country’s actual debt load of $300 billion. The overall amount of insurance on Greek debt hit $85 billion in February, up from $38 billion a year ago, according to the Depository Trust and Clearing Corporation, which tracks swaps trading.

Markit says its index is a tool for traders, rather than a market driver.

In a statement, Markit said its index was started to satisfy market demand, and had improved the ability of traders to hedge their risks. The index and similar products, it added, actually make it easier for buyers and sellers to gauge prices for instruments that are traded among players over the counter, rather than on exchanges.

“These indices have helped bring transparency to the sovereign C.D.S. market,” Markit said. “Prior to their creation, there was no established benchmark index enabling investors to track the performance of segments of the sovereign C.D.S. market.”

Some money managers say trading in Greek swaps alone, not the broader index, is the problem.

“It’s like the tail wagging the dog,” said Markus Krygier, senior portfolio manager at Amundi Asset Management in London, which has $40 billion in global fixed-income assets. “There is a knock-on effect, as underlying positions begin to seem riskier, triggering risk models and forcing portfolio managers to sell Greek bonds.”

If that sounds familiar, it should. Critics of these instruments contend swaps contributed to the fall of Lehman Brothers. But until recently, there was little demand for insurance on government debt. The possibility that a developed country could default on its obligations seemed remote.

As a result, many foreign banks that held Greek bonds or entered into other financial transactions with the government did not hedge against the risk of a default. Now, they are scrambling for insurance.

“Greece is not a small country,” said Mr. Raynes, at R&R in New York. “Credit-default swaps give the illusion of safety but actually increase systemic risk.”


http://www.nytimes.com/2010/02/25/business/global/25swaps.html
Será que a situação acalmava caso a Grécia recebesse o tal bail out da União Europeia?? Não consigo entender como é possível ser legal todas estas apostas/credit default swaps contra um estado Soberano, como é possível haver paises inteiros reféns de hedge funds.

Que sistema é este em que vivemos? Alguém me consegue explicar as vantagens deste sistema?

Deixo aqui alguns artigos que me parecem interessantes para o tópico, acompanhados dos respectivos links:


DUBLIN (AP) — To keep its debt crisis from mushrooming out of control, the European Union is imposing harsh cutbacks on millions of ordinary people in debt-plagued countries like Greece, Ireland and Portugal.

But some economists think cutbacks right now are a mistake that might tip Europe into a dreaded double-dip recession.

How, skeptics ask, will Europe's barely-there recovery withstand the loss of stimulus from sudden, steep austerity measures demanded by the EU? So far the pain includes cutbacks and freezes in teachers' and nurses' salaries, higher retirement ages and heavier taxes on everything from incomes to cigarettes and fuel.

Europe is barely expanding, with only 0.1 percent growth in the fourth quarter in the 16 countries that use the euro, leaving a renewed slide into recession impossible to rule out. And the recession is still on in several countries facing the cuts such as Greece, Ireland and Spain.

"This premature fiscal tightening is the route to the Second Great Depression" — or at the very least, a long period of economic stagnation, warned Simon Johnson, a professor at MIT's Sloan School of Management and a former chief economist at the International Monetary Fund.

Yet markets are leaving EU leaders with little room to maneuver.

Fears of a possible downgrade of Greek debt by ratings agencies sent European stocks lower Thursday and pushed the euro down 0.4 percent to $1.3484, not far off its nine-month low of $1.3444 hit earlier this month and well off its most recent peak of $1.51 from November. Federal Reserve Chairman Ben Bernanke told lawmakers Thursday that the central bank is looking into the use by Goldman Sachs and other Wall Street firms of a sophisticated investment instrument to make bets that Greece will default on its debt.

Robbie Cullen can see both sides of the coin. As a tax collector, he's in the front line of Ireland's battle to bring its runaway deficit under control. But as a divorced dad working two jobs, his own wallet is already at breaking point.

"The debt we've run up as a nation is just unbelievable. A tsunami could hit Ireland and cause less damage," said a red-eyed Cullen, who shifts every day from his civil servant job to moonlighting as a taxi driver in Dublin.

It's a choice he couldn't have imagined a few years ago — before the government's emergency budgets cut his overtime, froze his salary, raised his income taxes and boosted his workload as departing colleagues weren't replaced.

"I can't even keep up with my own debts, never mind the nation's," Cullen said, shopping for cut-rate sausage at a discount supermarket he disdained to visit in better times. "I've got to spend 30 hours a week taxiing just to break even. Something else has got to give. I can't give any more."

Despite the pain its cutbacks are imposing on ordinary people, the conservative Irish government of Prime Minister Brian Cowen has won praise from the European Union and the bond markets for its efforts to cut debt, prices and salaries.

The European Union is demanding austerity in defense of its common currency, which can be undermined by big deficits and would be devastated by a Greek default. The strategy, led by Economic and Monetary Affairs Commissioner Olli Rehn, seeks to reverse deficits spiraling far beyond the euro zone's rule of 3 percent of gross domestic product — Greece's is expected to hit 12.7 percent, Ireland's 12.5 percent, Spain's 11.2 percent and Portugal's 9.3 percent.

The austerity is supposed to deter bond markets from demanding higher interest rates and ultimately sinking state finances.

The cuts are based on a hard fact of economics: the usual path for a country in trouble is to see its currency fall relative to other currencies. That quickly makes it a lower-cost location for business investment and maked its exports cheaper and more competitive, an automatic if painful boost.

But Europe's highly indebted governments such as Ireland, Greece, and Portugal, can't devalue because they belongs to the euro and no longer have their own currency. Latvia is in the same boat, since it has pegged its currency to the euro, which it hopes to join in the next several years.

Without the safety valve of devaluation, countries must instead force down wages and prices to restore competitiveness and get deficits under control. And that's what they're doing, starting with government workers.

Economist Paul de Grauwe of the Catholic University of Leuven in Belgium thinks that panicking markets have the clear upper hand and are forcing governments into slash and burn policies prematurely, before the recovery is self-sustaining enough to endure them. "It's all a question of timing," said de Grauwe.

The EU, said MIT economist Johnson, has to set up creating a crisis management institution, so long as it won't let the Washington, DC-based International Monetary Fund help with crisis lending.

"If you don't want them, fine, but get a move on and do something else," said Johnson.

Cuts have been the hardest in tiny Latvia, where a European Union-sponsored bailout has led to 30 percent salary cuts for police officers and teachers.

Ireland's cutback strategy so far seems to be appeasing bond investors. Ireland has imposed income-tax hikes ranging from 1 percent to 3 percent and slapped a 7 percent charge on the wages of more than 700,000 state-paid workers — including nurses, teachers and taxmen like Cullen — to fund their pensions.

"I lost near 10 percent off my wages just like that," he said, snapping his fingers. "But they also took away overtime pay, bonuses, all these supposed 'extras' that you actually relied on to get you through Christmas. I'm easily 30 percent worse off. But my maintenance (alimony) to the ex-wife hasn't dropped a cent."

Like Ireland's economy as a whole, Cullen is still struggling to "deleverage" — or cut his own debt levels from the boom years. He says he's struggling himself to maintain payments on his own suburban home — unsellable in a market that has a glut of property and trapped a fifth of households in negative equity.

Some politicians in the affected countries are warning of the dangers of cutting too far too quickly. The Socialist leaders of Greece and Portugal are trying to hold the line at hiring and pay freezes, while avoiding outright pay cuts. Greek unions held wide-ranging protest strikes Wednesday, shutting down flights, schools and curtailing medical services.

In Spain, shoppers are bracing for a planned 2-point hike in national sales tax to 18 percent and a two-year increase in the retirement age to 67. Pro-austerity economists say this isn't nearly enough.

Neighboring Portugal plans to freeze the pay of its 675,000 civil servants this year and prune payroll by at least 7.5 percent within four years. Freezing salaries means an effective pay cut as Portugal's prices, particularly for utilities, keep rising.

"Luxury goods, travel, treats, vanity items will all have to go," said Helena Ferreira, a 46-year-old single mother of two teenage sons who works in the immigration service in Lisbon.

"I'll have to buy clothes in the sales and avoid buying the brand names the kids want. Even with food — those little things we spoil ourselves with — I'll have to cut back."



http://www.orlandosentinel.com/business/nationworld/sns-ap-eu-europe-age-of-austerity,0,3553214,full.story



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By Andrei Khalip

LISBON, Feb 17 (Reuters) - Portugal's jobless rate rose above 10 percent in the fourth quarter for the first time since the series began in 1998, data showed on Wednesday, putting more pressure on the government as it seeks ways to cut spending.
Portugal is facing increasing pressures from investors to cut its budget deficit as they fear weakness in public accounts, coupled with low competitiveness and jobs creation, could undermine fledgling recovery from the global crisis.
Rising unemployment could stir social discontent -- a leading public servants' union has called a nationwide strike over wages for March 4 -- after the government froze public sector wages as part of a drive to cut spending.
The government wants to cut the budget deficit to 8.3 percent this year and below 3 percent by 2013.
The National Statistics Institute said the unemployment rate in the fourth quarter reached 10.1 percent, up from 7.8 percent a year earlier and 9.8 percent in the preceding quarter of 2009.
The INE's unemployment series began in 1998 and the fourth-quarter number was the highest on the record.
For the whole of 2009, unemployment totaled 9.5 percent, up from 7.6 percent in 2008 and the highest since 1986's rate of 9.9 percent, according to annual series compiled by the Bank of Portugal.
The number of those unemployed soared nearly 29 percent in the fourth quarter from a year earlier to 563,300 people out of a total workforce of around 5.59 million.
The number of Portuguese with a job fell 3 percent from a year ago to just over 5.02 million people.
"The fall in employment shows that, despite the end of the recession, the economy is struggling to create jobs. Unfortunately, we believe that this situation is unlikely to improve in the near term," said Diego Iscaro, an economist at Global Insight consultants.
"All in all, we believe that a faltering labour market will keep private consumption under serious pressure in 2010," he said.
Portugal's economy shrank by 2.7 percent of gross domestic product last year, with zero growth in the last quarter after two quarters of modest expansion, and the government expects a meagre growth of 0.7 percent in 2010.
"The short-term future doesn't look very rosy in terms of job creation," said Filipe Garcia, an analyst at Informacao de Mercados Financeiros consultants.

"There are two new factors diminishing internal confidence and foreign investment -- the international pressure related to the deficit and public finances, and growing signs of political instability," he added.

(Reporting by Andrei Khalip, Filipa Lima, Patricia Rua and Sergio Goncalves; Editing by Toby Chopra)

http://www.iii.co.uk/news/?type=afxnews&articleid=7754059&subject=companies&action=article
« Última modificação: Março 01, 2010, 18:22 pm por Yazalde70 »
Post com um mes de atraso, no entanto ainda nao tinha visto esta noticia em lado nenhum.

 CRISIS: IMF TO SPAIN, GREECE, PORTUGAL, CUT SALARIES

(ANSAmed) - MADRID, FEBRUARY 2 - The International Monetary Fund recommended Spain, Portugal and Greece to cut salaries due to high public debt, the negative public finance situation and due to the lack of a possibility to resort to currency devaluation, since they are part of the Eurozone. These indications were given by head IMF economist Olivier Blanchard in an interview today with French economic journal Les Echos, cited by EFE news agency. "The re-establishment of competitiveness can require big sacrifices, such as cuts in salaries," said Blanchard. According to the economist, "now with the crisis, Portugal, Spain and Greece have serious difficulties, which entail very painful adjustments, mainly when the inflationary environment is very low." Nonetheless, the IMF economist ruled out "risks that the Eurozone would implode", but added that "this does not prevent financial problems in Europe" and that Greece may have been the first country to be penalised by the markets. (ANSAmed).
2010-02-02 16:56

http://[url]http://www.ansamed.info/en/portugal/news/ME02.XAM16553.html[/url]
Não há razão nenhuma para se preocuparem, depois da primavera vem o verão e daqui a pouco vamos todos de férias, passem pelo tópico dos Oscars, isso sim que tem pano para mangas... :clap:


Citação de: Jorge Cadima, Jornal AVANTE!
Mais crise


Multiplicam-se os sinais de um rápido agravamento da crise em que o capitalismo mergulhou o planeta. Os muitos milhões entregues pelos governos à grande finança sustiveram temporariamente o colapso e preservaram os lucros, mas não resolveram os problemas de fundo e criaram um novo factor de crise: o endividamento incomportável da generalidade dos estados. O efeito dos vários «estímulos» parece ter atingido os seus limites: «Bernanke pinta um quadro sombrio» titulava o Financial Times (25.2.10) ao noticiar o depoimento sobre a economia, no Congresso dos EUA, do presidente da Reserva Federal. O desemprego não parou de crescer avassaladoramente, com os trabalhadores e povos a pagarem os custos duma crise pela qual não são responsáveis.

A Grécia está na mira: o país estaria à beira da falência e seriam precisas medidas drásticas. Os portugueses reconhecerão a conversa de José Sócrates que abriu caminho à terrível ofensiva anti-social do Governo PS, de braço dado com o grande capital e com a Comissão Europeia. Mas este novo episódio revela profundas clivagens entre os EUA e a UE, e no seio desta. Está por explicar a decisão de Obama em não vir à prevista (e depois cancelada) Cimeira EUA-UE. Especula-se abertamente sobre uma eventual saída da Grécia do Euro ou até dum colapso da moeda europeia (Samuel Brittan, FT, 19.2.10), o que alivia a pressão sobre um acossado dólar. Zangam-se as comadres e descobre-se que o cumprimento dos famigerados critérios de adesão ao Euro foi, em muitos países (incluindo o nosso, segundo o FT, 16.2.10), uma fraude. A Grécia «basicamente hipotecou os aeroportos e auto-estradas do país» para cumprir os critérios, e os bancos dos EUA desempenharam um papel fulcral nisso (New York Times, 14.2.10). Agora, sectores da UE (comandados pela Alemanha) decidiram optar por uma «linha dura» com a Grécia. Deitando fora um primeiro acordo, subiram a parada, exigindo medidas mais drásticas. A UE retirou o direito de voto à Grécia na próxima reunião sobre a sua situação e ameaça aplicar poderes especiais de gestão directa, ao abrigo do novo e antidemocrático Tratado de Lisboa (Telegraph, 18.2.10). O vice-primeiro ministro grego responde dizendo que a Itália ainda fez mais falcatruas nas suas contas públicas e acusando a Alemanha de «ter levado o ouro que estava no Banco da Grécia [durante a II Guerra Mundial] e nunca o ter devolvido» (BBC, 24.2.10). São assim, os «governos amigos» da UE. Mas numa coisa parece haver acordo, nos estados-maiores de Washington e Bruxelas: está na hora de impôr cortes salariais aos trabalhadores. Mais exploração e pobreza são as receitas do costume para alimentar este monstro em fase de decadência. Receitas que já receberam como resposta a luta dos trabalhadores.

Entretanto, a máquina de guerra do imperialismo não abranda. O orçamento militar (e o défice orçamental) dos EUA é cada vez maior. As ameaças dos EUA e Israel contra o Irão fazem lembrar os meses que antecederam a agressão ao Iraque. Segundo o primeiro-ministro libanês Saad al-Hariri (até há pouco aliado dos EUA e filho do ex-primeiro ministro assassinado num atentado à bomba) «aviões israelitas estão a efectuar incursões diárias no espaço aéreo libanês, criando uma situação muito perigosa» (Reuters, 23.1.10). Prossegue a escalada militar da NATO e de Obama (e os crimes contra a população) no Afeganistão e Paquistão. Os EUA vão instalar o seu sistema anti-mísseis também na Roménia e Bulgária. Efectuam vendas maciças de armas, de Taiwan ao Golfo Pérsico. Aumentam a ingerência na América Latina.

Os acontecimentos mostram que o imperialismo em profunda crise é um perigo para a Humanidade. Paul Craig Roberts, ex-secretário de Estado do Tesouro de Ronald Reagan e ex-director e colunista do Wall Street Journal e Business Week, mas agora «dissidente», escreve: «Já cercaram o Irão com bases militares. O governo dos EUA pretende neutralizar a China, tomando controlo do Médio Oriente e impedindo o acesso da China ao petróleo. [...] Os mentecaptos em Washington estão a promover o impensável: a guerra nuclear. A louca corrida visando a hegemonia americana está a ameaçar a vida na terra» (globalresearch, 26.2.10). Está na hora de serem os povos a tomar o seu destino nas mãos.
Sobre a crise Mundial e a Grécia

http://avante.pt/noticia.asp?id=32678&area=24
« Última modificação: Março 05, 2010, 04:14 am por LISBON1906 »

The past is now part of my future,the present is well out of hand Ian Curtis, Heart and Soul
Artigo que deve ser levado muito a sério. A BP e' ENORME e as conseguencias da sua falência serão dramáticas  :shifty:



BP, uma bomba relógio no sistema financeiro internacional

Michael Kratke, do Sin Permiso*

O que começou como uma crise financeira em setembro de 2008, com a irrevogável falência do banco Lehman-Brothers, pode agora entrar na próxima ronda com a previsível queda da BP. A transnacional britânica é uma bomba relógio financeira, não só para a Grã-Bretanha mas para todo o Reino Unido. Os custos do desastre petrolífero no Golfo do México estimam-se em 70 bilhões de dólares.

Para os britânicos, a BP é como instituição nacional, a maior sociedade anônima do país, a blue chip mais brilhante do mercado de valores londrino. Muitas pessoas julgam que a BP é uma empresa petrolífera. E é verdade. A BP fornece petróleo, tem oleodutos e refinarias um pouco espalhados por todo o mundo. Mas a BP é, simultaneamente, um banco com um raio de ação internacional que, tal como a Enron ou a General Motors, atua nos mercados financeiros internacionais.

De AA a BBB

Como, oficialmente, não é uma entidade financeira, a British Petroleum esta a meio caminho de ser um negócio OTC ou fora do mercado organizado de valores, isto é, que atua fora das bolsas, num negócio sem regulação nem controle. O refinanciamento é através da titularização de derivados creditícios de alto risco, CSOs [obrigações colaterais sintéticas, na sua sigla inglesa], a que não corresponde qualquer valor patrimonial, mas apenas derivados creditícios. São um próspero comércio esses derivados financeiros. A BP é detentora ou tem participações em pelo menos 18% dos papéis deste tipo que circulam por todo o mundo. Recordamos que a crise financeira mundial foi desencadeada pela queda em cadeia de derivados titularizados: as CDOs [obrigações de dívida colateral, na sua sigla inglesa] e os CDS [derivados creditícios de dívida, na sua sigla inglesa]. Agora, os riscos nas CSOs são muito maiores e o alavancamento creditício de maior envergadura e as regulações são desconhecidas.

Por outras palavras: Quando a BP quebrar, a sua falência terá consequências globais. Como supostamente sucedeu no caso Lehman-Brothers, ninguém sabe até que ponto a BP está endividada, nem quem nem em que jogos de azar estão envolvidos os créditos da BP. Mas, como a transnacional é considerada a pérola da coroa da indústria financeira britânica, com fundamento se pode suspeitar que estão aqui metidos todos os que gozam de reputação e hierarquia no mundo financeiro internacional. Não há dúvidas: a próxima bolha está prestes a rebentar. É só uma questão de tempo. Mais provável dentro de semanas que de meses.

O valor patrimonial das instalações da British Petroleum atinge agora o montante de 240 bilhões de dólares. Muitos dos seus campos petrolíferos e participações estão à venda por todo o mundo. Desde finais de abril, perdeu metade do seu valor em bolsa. Deverá entrar um investidor estratégico, provavelmente um fundo estratégico árabe. Os líbios querem ser uma opção mas ninguém se balança a tamanho risco. E os meros boatos de uma entrada de mil milionários árabes não convencem as agências de qualificação do risco.

A Fitch, a menor das três grandes, baixou drasticamente no passado dia 15 de junho a qualificação do gigante petrolífero, pela segunda vez em duas semanas: e desta vez nada menos do que seis escalões de uma vezada, de AA para BBB. Se as duas grandes – a Moody’s e a Standard & Poor’s – a seguirem, os empréstimos da BP baixarão à categoria de lixo, como os títulos da dívida pública grega. De qualquer modo, grandes investidores destas agências, como Warren Buffet, colocaram milhares de milhões em ações e obrigações da BP, o que explica a moderação da Moody’s e da Standard & Poor’s.

Nada de OPAs hostis

Entretanto, a BP teve que ceder à pressão do governo dos EUA e sujeitar-se a um fundo de garantias num montante de 20 bilhões de dólares. Pelo menos até ao próximo ano a BP não poderá continuar a pagar dividendos, terá que seguir uma política de poupança férrea e eliminar milhares de postos de trabalho, os primeiros 5.000 já em 2010. Há fortes indícios que levam à suspeita que a explosão do passado dia 20 de abril no Golfo do México assenta numa implacável política de redução de custos. A segurança e o cuidado, como é sobejamente sabido, custam tempo e dinheiro. Quem louva o capitalismo pela sua eficiência não sabe do que fala. Ou se sabe, dá a entender aquilo em que não acredita.

A questão é que Londres prepara-se para o pior. Debaixo de um clamoroso silêncio acompanhado de rotundos desmentidos, trabalha-se em planos de emergência. A queda descontrolada ou uma tomada de controle da BP seria uma catástrofe para os britânicos. As ações da BP têm fama em todo o mundo de investimentos seguros e lucrativos. A BP pagava regularmente, trimestre a trimestre, polpudos dividendos.

Os fundos de pensões, os maiores investidores institucionais nos mercados financeiros internacionais, compravam e mantinha enormes quantidades de acções da BP. E no sistema britânico de reformas os fundos de pensões jogam um papel chave. Só que, precisamente os rendimentos de reforma cobertas por capital são tudo menos seguros. Quando rebentou a bolha imobiliária estadunidense em 2008, muitos fundos de pensões resultaram em prejuízos dos depositantes e pensionistas. Para os fundos de investimento britânicos que há alguns anos investiam em acções da BP, a catástrofe petrolífera é ao mesmo tempo um desastre financeiro. Cerca de um sexto de todos os dividendos que se pagam no Reino Unido vêm da BP! Assim, os fundos perderam de três formas: patrimonialmente pela queda livre das ações da BP, pelos dividendos evaporados, e pela diminuída capacidade de crédito.

Os fundos de pensões perderam já muito dinheiro com as ações dos bancos e, agora, cai-lhes em cima a situação da BP. Se se calcularem as possíveis perdas tendo por base uma pensão média entre 12 mil e 13 mil libras esterlinas anuais, falamos de 800 a 1.000 libras esterlinas por ano. Daí, o governo do primeiro-ministro Cameron não ter escolha. Se a BP ajoelha, terá que intervir com um novo pacote milionário de resgate. Se foi necessário para os grandes bancos, não será menos necessário para a BP. Isso significa mais dívida pública e ainda mais desproporcionados pacotes de poupança.

A BP não pode desaparecer, pois ela é, de longe, um dos maiores contribuintes fiscais da Ilha e controla uma boa parte das infra-estruturas vitais do reino insular, como a Forties Pipeline System que liga mais de 50 campos petrolíferos no Mar do Norte, ou o oleoduto Baku-Tiblisi-Ceihan, que possibilita o trânsito de petróleo do Cáucaso para a Europa ocidental. Por isso, David Cameron anuncia que o seu governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para impedir o controle da BP por empresas petrolíferas chinesas, árabes ou russas. Se a BP cai nas mãos das gigantes norte-americanas, acabaram-se as considerações para com os fundos de pensões ou para quaisquer outras necessidades britânicas. Dentro de poucos dias a BP tem que liquidar os pagamentos que se vencem no segundo trimestre de 2010. O seu montante é enorme.

Este caso ilustra com clareza como dois elementos tão centrais como obsoletos do capitalismo – uma economia baseada na energia fóssil e na especulação financeira planetária – nos aproximam do abismo da próxima catástrofe.

* Michael R. Krätke é Professor de Economia Política e Director do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster no Reino Unido


http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/bp-uma-bomba-relogio-no-sistema-financeiro-internacional/
Mais uma crise, menos uma crise...  ::) Enfim. Já começa a ser hábito. Grande sistema capitalista.
Símbolo antigo. Estádio antigo. Sem amarelo. Sem Taveirices.
Mais uma crise, menos uma crise...  ::) Enfim. Já começa a ser hábito. Grande sistema capitalista.

Pois... conheces algum melhor?

Artigo que deve ser levado muito a sério. A BP e' ENORME e as conseguencias da sua falência serão dramáticas  :shifty:



BP, uma bomba relógio no sistema financeiro internacional

Michael Kratke, do Sin Permiso*

O que começou como uma crise financeira em setembro de 2008, com a irrevogável falência do banco Lehman-Brothers, pode agora entrar na próxima ronda com a previsível queda da BP. A transnacional britânica é uma bomba relógio financeira, não só para a Grã-Bretanha mas para todo o Reino Unido. Os custos do desastre petrolífero no Golfo do México estimam-se em 70 bilhões de dólares.

Para os britânicos, a BP é como instituição nacional, a maior sociedade anônima do país, a blue chip mais brilhante do mercado de valores londrino. Muitas pessoas julgam que a BP é uma empresa petrolífera. E é verdade. A BP fornece petróleo, tem oleodutos e refinarias um pouco espalhados por todo o mundo. Mas a BP é, simultaneamente, um banco com um raio de ação internacional que, tal como a Enron ou a General Motors, atua nos mercados financeiros internacionais.

De AA a BBB

Como, oficialmente, não é uma entidade financeira, a British Petroleum esta a meio caminho de ser um negócio OTC ou fora do mercado organizado de valores, isto é, que atua fora das bolsas, num negócio sem regulação nem controle. O refinanciamento é através da titularização de derivados creditícios de alto risco, CSOs [obrigações colaterais sintéticas, na sua sigla inglesa], a que não corresponde qualquer valor patrimonial, mas apenas derivados creditícios. São um próspero comércio esses derivados financeiros. A BP é detentora ou tem participações em pelo menos 18% dos papéis deste tipo que circulam por todo o mundo. Recordamos que a crise financeira mundial foi desencadeada pela queda em cadeia de derivados titularizados: as CDOs [obrigações de dívida colateral, na sua sigla inglesa] e os CDS [derivados creditícios de dívida, na sua sigla inglesa]. Agora, os riscos nas CSOs são muito maiores e o alavancamento creditício de maior envergadura e as regulações são desconhecidas.

Por outras palavras: Quando a BP quebrar, a sua falência terá consequências globais. Como supostamente sucedeu no caso Lehman-Brothers, ninguém sabe até que ponto a BP está endividada, nem quem nem em que jogos de azar estão envolvidos os créditos da BP. Mas, como a transnacional é considerada a pérola da coroa da indústria financeira britânica, com fundamento se pode suspeitar que estão aqui metidos todos os que gozam de reputação e hierarquia no mundo financeiro internacional. Não há dúvidas: a próxima bolha está prestes a rebentar. É só uma questão de tempo. Mais provável dentro de semanas que de meses.

O valor patrimonial das instalações da British Petroleum atinge agora o montante de 240 bilhões de dólares. Muitos dos seus campos petrolíferos e participações estão à venda por todo o mundo. Desde finais de abril, perdeu metade do seu valor em bolsa. Deverá entrar um investidor estratégico, provavelmente um fundo estratégico árabe. Os líbios querem ser uma opção mas ninguém se balança a tamanho risco. E os meros boatos de uma entrada de mil milionários árabes não convencem as agências de qualificação do risco.

A Fitch, a menor das três grandes, baixou drasticamente no passado dia 15 de junho a qualificação do gigante petrolífero, pela segunda vez em duas semanas: e desta vez nada menos do que seis escalões de uma vezada, de AA para BBB. Se as duas grandes – a Moody’s e a Standard & Poor’s – a seguirem, os empréstimos da BP baixarão à categoria de lixo, como os títulos da dívida pública grega. De qualquer modo, grandes investidores destas agências, como Warren Buffet, colocaram milhares de milhões em ações e obrigações da BP, o que explica a moderação da Moody’s e da Standard & Poor’s.

Nada de OPAs hostis

Entretanto, a BP teve que ceder à pressão do governo dos EUA e sujeitar-se a um fundo de garantias num montante de 20 bilhões de dólares. Pelo menos até ao próximo ano a BP não poderá continuar a pagar dividendos, terá que seguir uma política de poupança férrea e eliminar milhares de postos de trabalho, os primeiros 5.000 já em 2010. Há fortes indícios que levam à suspeita que a explosão do passado dia 20 de abril no Golfo do México assenta numa implacável política de redução de custos. A segurança e o cuidado, como é sobejamente sabido, custam tempo e dinheiro. Quem louva o capitalismo pela sua eficiência não sabe do que fala. Ou se sabe, dá a entender aquilo em que não acredita.

A questão é que Londres prepara-se para o pior. Debaixo de um clamoroso silêncio acompanhado de rotundos desmentidos, trabalha-se em planos de emergência. A queda descontrolada ou uma tomada de controle da BP seria uma catástrofe para os britânicos. As ações da BP têm fama em todo o mundo de investimentos seguros e lucrativos. A BP pagava regularmente, trimestre a trimestre, polpudos dividendos.

Os fundos de pensões, os maiores investidores institucionais nos mercados financeiros internacionais, compravam e mantinha enormes quantidades de acções da BP. E no sistema britânico de reformas os fundos de pensões jogam um papel chave. Só que, precisamente os rendimentos de reforma cobertas por capital são tudo menos seguros. Quando rebentou a bolha imobiliária estadunidense em 2008, muitos fundos de pensões resultaram em prejuízos dos depositantes e pensionistas. Para os fundos de investimento britânicos que há alguns anos investiam em acções da BP, a catástrofe petrolífera é ao mesmo tempo um desastre financeiro. Cerca de um sexto de todos os dividendos que se pagam no Reino Unido vêm da BP! Assim, os fundos perderam de três formas: patrimonialmente pela queda livre das ações da BP, pelos dividendos evaporados, e pela diminuída capacidade de crédito.

Os fundos de pensões perderam já muito dinheiro com as ações dos bancos e, agora, cai-lhes em cima a situação da BP. Se se calcularem as possíveis perdas tendo por base uma pensão média entre 12 mil e 13 mil libras esterlinas anuais, falamos de 800 a 1.000 libras esterlinas por ano. Daí, o governo do primeiro-ministro Cameron não ter escolha. Se a BP ajoelha, terá que intervir com um novo pacote milionário de resgate. Se foi necessário para os grandes bancos, não será menos necessário para a BP. Isso significa mais dívida pública e ainda mais desproporcionados pacotes de poupança.

A BP não pode desaparecer, pois ela é, de longe, um dos maiores contribuintes fiscais da Ilha e controla uma boa parte das infra-estruturas vitais do reino insular, como a Forties Pipeline System que liga mais de 50 campos petrolíferos no Mar do Norte, ou o oleoduto Baku-Tiblisi-Ceihan, que possibilita o trânsito de petróleo do Cáucaso para a Europa ocidental. Por isso, David Cameron anuncia que o seu governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para impedir o controle da BP por empresas petrolíferas chinesas, árabes ou russas. Se a BP cai nas mãos das gigantes norte-americanas, acabaram-se as considerações para com os fundos de pensões ou para quaisquer outras necessidades britânicas. Dentro de poucos dias a BP tem que liquidar os pagamentos que se vencem no segundo trimestre de 2010. O seu montante é enorme.

Este caso ilustra com clareza como dois elementos tão centrais como obsoletos do capitalismo – uma economia baseada na energia fóssil e na especulação financeira planetária – nos aproximam do abismo da próxima catástrofe.

* Michael R. Krätke é Professor de Economia Política e Director do Instituto de Estudos Superiores da Universidade de Lancaster no Reino Unido


http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/bp-uma-bomba-relogio-no-sistema-financeiro-internacional/

Decerto que tudo o que ele diz e verdade, mas não deixa de ser também verdade que é escrito por um economista que abomina o sistema capitalista (como dá a entender mais que uma vez). Como é raro encontrar bom jornalismo...
Mais uma crise, menos uma crise...  ::) Enfim. Já começa a ser hábito. Grande sistema capitalista.

Pois... conheces algum melhor?

Dos que a sociedade já criou/implementou? Não. São todos medíocres, pois falham no seu objectivo principal: proporcionar bem-estar à sociedade. O capitalismo está a entrar numa fase de decadência... Se vai cair de podre? Não sei. Mas vai arrastar consigo muita gente para uma espiral de pobreza e miséria.

Contudo, isso não impede a sociedade de criar um melhor. Chama-se evolução. O que é passado é passado: stalinismos, leninismos, maoísmos e afins... Não servem. Pena que essa evolução não se atinja devido à sede de poder de tantos...
Símbolo antigo. Estádio antigo. Sem amarelo. Sem Taveirices.