Centro de Atenas a Arder

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Parece-me um pouco ingénuo esperar que um sistema político e económico fosse acabar com problemas como a pedofilia ou com o "crime", objectivos que, a meu ver serão impossíveis.

Pior ainda se falares sobre o "problema" da "droga", pois para cada vez é claro a mais pessoas que as drogas deveriam ser legalizadas e vendidas apenas a maiores de idade e em lugares destinados a esse efeito.

Toma o caso da heroína e respectivos toxicodependentes como exemplo. O ópio pode ser cultivado em qualquer lugar, a heroína e morfina podem também ser extraídas do opio em qualquer pais e por qualquer pessoa habilitada para tal, portanto não há nenhuma razão para os exorbitantes preços praticados actualmente no chamado "mercado negro". Preços esses que são a causa de todos os problemas, como os roubos e demais crimes cometidos pelos toxicodependentes que "precisam" de conseguir as absurdas quantias de dinheiro pedidas por uma substancia que podia ser feita no seu quintal com meia dúzia de papoilas, uns quantos alguidares e dois ou três produtos químicos de fácil acesso e com muitíssimos mais usos. Junta a todo este custo, as despesas em polícia, tribunais e prisões, rapidamente perceberás que a legalização traria muito mais dinheiro para os cofres do Estado através de impostos, em vez das despesas que a actual política de proibição acarta.

Já agora, deixa-me só referir o seguinte, as únicas medidas tomadas por um governo português nos últimos anos que merecem aplauso no estrangeiro, foram o descriminalizar das drogas.

Em Singapura, provavelmente cortam-te a cabeça, se fores apanhado a fumar erva...Parece-te lógico?

Pergunto, pois fiquei com a impressão que apoias o sistema usado em Singapura e a que tu chamas "democracia musculada" e eu chamo "tirania magra". De qualquer maneira, Singapura continua a ser capitalismo de estado, tal como a China, os países europeus e os EUA.

Essa sim que é a verdade que não pode ser escamoteada.



Outra verdade que não pode ser escamoteada é a seguinte vergonha passada na Grécia e descrita aqui pelo Diário Liberdade (um site galego e auto-denominado lusófono), embora ignorada por a grande maioria, senão mesmo a totalidade dos mainstream media.

Pelo menos eu tive dificuldade em encontrar a noticia em outros sites.


Citação de: diario liberdade

Alemanha e França vetam os cortes gregos en Defesa


No marco da operaçom de saqueio que o grande Capital está aplicar em Grécia, uma notícia passou desapercebida para os meios de comunicaçom empresariais.

Depois de que o Parlamento grego aprovara no meio de umha grande contestaçom operária o pacote de medida exigido para que se figera efectivo o tramo do “resgate”, a Uniom Europeia reclamou ao governo grego um aforro extra de 325 milhons de euros que se somariam aos 3.300 já aprovados.

O governo grego apresentou umha primeira proposta de alcançar essa quantidade recurtando o gasto no orçamento destinado a gastos militares, que no meio de umha crise económica e social de gigantescas dimensons é dos mais abultados do espaço NATO. Concretamente em 2010  foi destinado o 3% do seu PIB a gastos militares, um total de 7.000 milhons de euros.

A proposta do governo grego encontrou-se com o rotundo rejeitamento do Eurogrupo, no que predominou os imensos interesses da industria armamentística alemana e francessa, principais destinatários de um desorbitado orçamento militar grego que, segundo algumhas fontes, este ano alcançará os 10.000 milhons de euros.


Artigo publicado aqui

Mais detalhes podem ser encontrados na seguinte noticia.

Citação de: zero hedge


Greece Spends Bailout Cash On European Military Purchases


As Greek standards of living nose-dive, loans to households and businesses shrink still further, and Troika-imposed PSI discussions continue, there is one segment of the country's infrastructure that is holding up well.

In a story on Zeit Online, the details of the multi-billion Euro new arms contracts are exposed as the European reach-around would be complete with IMF (US) and Europe-provided Greek bailout cash doing a full-circle into American Apache helicopters, French frigates, and German U-Boats.

As the unnamed source in the article notes: "If Greece gets paid in March the next tranche of funding (€ 80 billion is expected), there is a real opportunity to conclude new arms contracts." With the country's doctors only treating emergencies, bus drivers on strike, and a dire lack of school textbooks and the country teetering on the brink of Drachmatization, perhaps our previous concerns over military coups was not so far-fetched as after the Portuguese (another obviously stressed nation), the Greeks are the largest buyers of German war weapons. 

It seems debt crisis talks perhaps had more quid pro quo than many expected as Euro Fighter commitments were also discussed and Greek foreign minister Droutsas points out:"Whether we like it or not, Greece is obliged to have a strong military".


Artigo publicado aqui

(...)

Pergunto, pois fiquei com a impressão que apoias o sistema usado em Singapura e a que tu chamas "democracia musculada" e eu chamo "tirania magra". De qualquer maneira, Singapura continua a ser capitalismo de estado, tal como a China, os países europeus e os EUA.

Essa sim que é a verdade que não pode ser escamoteada.


Nada disso, meu caro. Nunca apoiei nem apoiarei qualquer tipo de totalitarismo como o que existe em Singapura ou em qualquer parte do mundo. Simplesmente usei a expressão "democracia musculada" pois li-a uma vez num artigo da Time e achei piada o uso desse eufemismo para descrever um regime, ao fim e ao cabo, tão parecido com a China.

Aliás, antes do 25 de Abril tive a minha quota parte de tensão causada por os meus pais pertenceram a um grupo de pessoas que tinha que viver na clandestinidade e, apesar de ser pequeno na altura, apercebi-me bem do que é ter que viver sem liberdade de expressão e não poder assumir às claras determinadas posições.

Só para te dizer que o meu pai tinha ficha na PIDE/DGS e não era por motivos políticos. Mas adiante.

Agora, tenho quase 50 anos, prezo-me de ser um gajo minimamente informado, tenho seguido muito de perto a troca de ideias que tem existido nos tópicos aqui existentes sobre a crise global, em Portugal e na Grécia, fico perfeitamente perplexo por ver o nível elevadíssimo de conhecimentos que os meus colegas aqui do Fórum demonstram sobre toda esta temática mas, sinceramente, chego à conclusão que vocês também não sabem qual a saída para os problemas que actualmente toda a Humanidade enfrenta.
Yazalde70, isso é a tal questão do excedentário comercial... a estratégia alemã passa muito por apresentar bons números e manter a sua economia equilibrada à custa das Grécias e Portugais, mas depois exigem-lhes que mantenham os seus gastos controlados, ou seja, na prática esses países têm de cortar noutras áreas que se calhar são bem mais essenciais para as suas populações, mantendo ou acentuando desigualdades sociais e um nível de vida mais reduzido.

Isto pode parecer draconiano e paradoxal (por que raio iria um governante do Sul da Europa aceitar uma coisa destas?), mas também não nos podemos esquecer que o que a Alemanha, França e grandes países tiram com uma mão dão com a outra, e aqui refiro-me às toneladas de Fundos Europeus, que na verdade mais não é que a "compensação financeira" para este desequilíbrio.

Portanto aqui o que me parece é existir e ter existido alguma falta de visão dos governantes sul-europeistas que se calhar deveriam ter assumido a coisa como ela era, isto é, que teriam de impor uma disciplina férrea nas contas públicas e aceitar o défice comercial com as importações impingidas pela Alemanha e França, mas aplicando correctamente os Fundos Estruturais para realizar obra com retorno económico que de outra forma custaria caro ao erário público ou não seria sequer realizada. Se calhar esta estratégia, bem executada, teria dado frutos.
Yazalde70, isso é a tal questão do excedentário comercial... a estratégia alemã passa muito por apresentar bons números e manter a sua economia equilibrada à custa das Grécias e Portugais, mas depois exigem-lhes que mantenham os seus gastos controlados, ou seja, na prática esses países têm de cortar noutras áreas que se calhar são bem mais essenciais para as suas populações, mantendo ou acentuando desigualdades sociais e um nível de vida mais reduzido.

Isto pode parecer draconiano e paradoxal (por que raio iria um governante do Sul da Europa aceitar uma coisa destas?), mas também não nos podemos esquecer que o que a Alemanha, França e grandes países tiram com uma mão dão com a outra, e aqui refiro-me às toneladas de Fundos Europeus, que na verdade mais não é que a "compensação financeira" para este desequilíbrio.

Portanto aqui o que me parece é existir e ter existido alguma falta de visão dos governantes sul-europeistas que se calhar deveriam ter assumido a coisa como ela era, isto é, que teriam de impor uma disciplina férrea nas contas públicas e aceitar o défice comercial com as importações impingidas pela Alemanha e França, mas aplicando correctamente os Fundos Estruturais para realizar obra com retorno económico que de outra forma custaria caro ao erário público ou não seria sequer realizada. Se calhar esta estratégia, bem executada, teria dado frutos.

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Também concordo. A questão foi que quando se começou a falar em Fundos da CEE (expressão já desatualizada mas nos finais dos anos 80 era assim que os políticos designavam os apoios que chagariam com a nossa entrada na CEE) só se pensava em $$$$$$$$ e esqueceram-se que a esses $$$$$$$$ teriam que haver contrapartidas, nomeadamente, devolução dos mesmos com juros. O que muito boa gente pensava decerto é que o dinheiro era dado... só que a realidade era bem outra.

Ora, o comum dos mortais pensar isso, acho normal, até porque na altura as questões complexas da economia passavam-nos todas ao lado. Agora, que os nossos governantes, políticos e empresários também o pensassem é que acho grave e irresponsável. Ou seja, isto diz bem da preparação intelectual da nossa classe dirigente.