Política Nacional

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No final de contas para que serve então a austeridade? Serve para espremer ao máximo os povos a ela sujeitos, obrigados a pagar uma dívida que não contrairam, espezinhados, torturados, apenas para alimentar e rechear contas bancárias desse mesmo capital. Até porque nunca houve tanta riqueza e matéria-prima no planeta Terra como agora. Então porque é que existe crise? Porque essa mesma riqueza está muito mal distribuída, encontrando-se nas mãos de meia dúzia de senhores, os mesmos cujo passatempo predilecto é o acto de espremer.

A austeridade serve para forçar a diminuição do nível de vida das populações, quando um destes factores, isolados ou conjugados se verificam: as populações andaram a viver acima das possibilidades anos e anos a fio; os recursos disponíveis diminuem.

Ao diminuires o nível de vida de toda uma população diminuis o seu "peso" (o seu custo), tornando-a mais a par com os recursos que estão de facto à disposição, tornando-a mais "sustentável". Agora, podes fazer isso de várias maneiras, mas regra geral, sempre que num país existem elevados níveis de corrupção, quem tem mais tende a conseguir preservar a sua posição... à custa claro de muitos milhares que têm menos. Mas repito, existem alternativas, tem é de haver coragem política e vontade de fazer as coisas bem feitas (e não se deixar corromper por interesses económicos particulares).
No final de contas para que serve então a austeridade? Serve para espremer ao máximo os povos a ela sujeitos, obrigados a pagar uma dívida que não contrairam, espezinhados, torturados, apenas para alimentar e rechear contas bancárias desse mesmo capital. Até porque nunca houve tanta riqueza e matéria-prima no planeta Terra como agora. Então porque é que existe crise? Porque essa mesma riqueza está muito mal distribuída, encontrando-se nas mãos de meia dúzia de senhores, os mesmos cujo passatempo predilecto é o acto de espremer.

A austeridade serve para forçar a diminuição do nível de vida das populações, quando um destes factores, isolados ou conjugados se verificam: as populações andaram a viver acima das possibilidades anos e anos a fio; os recursos disponíveis diminuem.

Ao diminuires o nível de vida de toda uma população diminuis o seu "peso" (o seu custo), tornando-a mais a par com os recursos que estão de facto à disposição, tornando-a mais "sustentável". Agora, podes fazer isso de várias maneiras, mas regra geral, sempre que num país existem elevados níveis de corrupção, quem tem mais tende a conseguir preservar a sua posição... à custa claro de muitos milhares que têm menos. Mas repito, existem alternativas, tem é de haver coragem política e vontade de fazer as coisas bem feitas (e não se deixar corromper por interesses económicos particulares).


"28 Fevereiro 2012
discriminação fiscal

Na impossibilidade de imaginar os portugueses a tomarem por si próprios a decisão de sair do Euro, o Ricardo [Arroja] tem vindo a defender na imprensa uma solução para atenuar os efeitos da crise que me parece bem mais adequada à realidade e à cultura portuguesa. Trata-se da discriminação fiscal contra os produtos importados e que os portugueses podem produzir.

Tratar-se-ia de negociar com os nossos parceiros europeus, e tendo em vista a situação de crise em que Portugal se encontra, um regime de excepção no mercado único europeu. Este regime incluiria a possibilidade de Portugal impôr tarifas aduaneiras à importação de todos os bens e serviços que os portugueses sabem e podem produzir. Estão neste caso, a generalidade dos bens alimentares, o mobiliário, o calçado, o vestuário, a lista seria vastíssima.

Os portugueses, na sua cultura, não gostam de soluções totais, soluções que são impostas de forma coerciva e igual para todos, como é a solução proposta pelo Krugman. Eles preferem soluções que deixem a porta aberta à escolha e à opção de se submeterem ou não se submeterem a elas. E a solução da discriminação fiscal satisfaz este requisito. Ninguém me obrigaria a pagar uma fortuna pelas maçãs importadas de França. Bastava que consumisse maçãs portuguesas.

Existe depois uma categoria de bens importados que os portugueses não produzem, mas que são de consumo generalizado. Estou a pensar no automóvel. Neste caso, o regime de excepção a negociar reservaria a Portugal o direito de exigir que a produção seja feita em Portugal. Assim, se a BMW quiser vender automóveis no país vai ter de estabelecer uma fábrica ou linha de montagem em Portugal.

Eu penso que o Governo devia andar a negociar esta matéria em lugar de andar a negociar empréstimos. Esta solução contribui para resolver os problemas dos portugueses, reduzindo o défice externo e dando emprego aos portugueses. Pelo contrário, a negociação dos empréstimos não resolve nenhum destes problemas, só os prolonga e adia.

Publicada por Pedro Arroja em 18:12  

http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2012/02/discriminacao-fiscal.html"


Salvo erro, um tal de Friedrich List também tinha ideias parecidas, mas nas universidades preferem o Adão da mão invisível... :whistle:
« Última modificação: Fevereiro 29, 2012, 22:49 pm por Dunadan »


"O ser humano será o único animal que procura voluntariamente a servidão para se furtar ao dom que o distingue da restante criação: a inteligência." (Miguel Castelo Branco)


A austeridade serve para forçar a diminuição do nível de vida das populações, quando um destes factores, isolados ou conjugados se verificam: as populações andaram a viver acima das possibilidades anos e anos a fio; os recursos disponíveis diminuem.

Ao diminuires o nível de vida de toda uma população diminuis o seu "peso" (o seu custo), tornando-a mais a par com os recursos que estão de facto à disposição, tornando-a mais "sustentável". Agora, podes fazer isso de várias maneiras, mas regra geral, sempre que num país existem elevados níveis de corrupção, quem tem mais tende a conseguir preservar a sua posição... à custa claro de muitos milhares que têm menos. Mas repito, existem alternativas, tem é de haver coragem política e vontade de fazer as coisas bem feitas (e não se deixar corromper por interesses económicos particulares).
Não foram as pessoas "normais" que guiadas pela ganância quem andou a estourar balúrdios em esquemas de Wall Street.  :naughty:

ao diminuíres os salários reais dás uma machadada no consumo, que é dos factores mais importantes para o crescimento económico. no nosso caso não satisfeitos cortámos em tudo: Consumo (privado e público), investimento e rezamos para que por milagre num cenário de crise na Europa as exportações se aguentem.

entretanto passámos em meses de uma divida de cerca de 100% face ao PIB para um de cerca de 120% !
« Última modificação: Fevereiro 29, 2012, 23:10 pm por LISBON1906 »

The past is now part of my future,the present is well out of hand Ian Curtis, Heart and Soul
 Essa do vivermos acima das possibilidades tem que se lhe diga de facto. Eu na minha rua então só via era Lamborghinis e Mercedes, no Verão estava tudo deserto porque ia toda a gente fazer um cruzeiro no Atlântico, as crianças andavam todas de farda por estarem inscritas num colégio privado, enquanto que os pais tinham salários de 800 euros, claro. Deve ser isto que é viver acima das possibilidades.
 Mais um chavão da Comunicação Social que entra na cabeça das pessoas e que as mesmas, qual autómatos, repetem incessantemente: "Vivemos acima das possibilidades, temos que nos sujeitar. Temos que dar o rabinho." São os tais belos parvos que eu falava à pouco...
 
Citar
"Estamos no olho do furacão"
Carlos Moedas, responsável pelo acompanhamento do Programa de Ajustamento português, garantiu hoje à RTP que 2012 é o ano da crise e diz que os efeitos das reformas estruturais se sentem de três a cinco anos.

2012 é o ano da crise. "Estamos no olho do furacão", assumiu hoje Carlos Moedas, secretário de Estado-Adjunto do primeiro ministro e responsável pelo acompanhamento do Programa de Ajustamento de Portugal no âmbito da ajuda externa.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=541309

24 Março 2011 (antes das eleições)
Carlos Moedas não tem dúvidas de que notas voltarão a subir quando mercados perceberem que PSD vai cumprir as metas de défice
Carlos Moedas diz, em declarações à Lusa, que os mercados «olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia», porque «há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português».

«Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses, ainda não se sabe quando haverá um novo Governo», acrescentou.
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/psd-carlos-moedas-rating-defice-agencia-financeira/1241972-1730.html
É de pensar que o Sporting é muito grande, e que são estas coisas que valem muito para um clube. São estas coisas que trazem sportinguismo ao clube. Isto não é quantificável. Isto não são 6%, 7%... Isto é o Sporting! Isso traz coisas muito importantes ao Sporting. Fervor sportinguista, acima de tudo! - João Benedito, 20-06-2010
Prosseguir em frente sem abordar as PPPs e sem as tão propaladas reformas estruturais tudo o que venha do governo para mim são balelas.

Só as dívidas BPN têm sido pagas à custa do subsidio de férias e de natal da função pública e já foi vendido (então imaginem se não tivesse), dos dinheiros enterrados nas estradas de Portugal não bastaram serem pagas com fundos comunitários, dinheiro dos contribuintes e ainda tiveram que portajar as estradas, negócios com construtoras, bancos, venda de edifícios a baixo do seu valor para ser vendido em seguida por uma fortuna, alugueres astronómicos quando o estado tem vários edifícios próprios sem nada, etc, etc... De tantas negociatas lesivas para o erário público que absorvem de tal forma os recursos estatais que se não forem abordadas nunca será possível fazer uma recuperação económica!

Eu vejo com muito cepticismo, como sempre vi, os governos nacionais e as suas já anunciadas reformas, quando a máquina partidária, ou seja, o polvo continua instalado com gavinhas no cerne dos problemas... Logo quando o problema são as corporações partidárias, bancárias e empresariais eles próprios não serão a solução, pois convém-lhes que o problema persista pois é donde vêm os seus rendimentos.

Procurar soluções em quem lucra com os problemas é de loucos!

Cumps 
 Essa do vivermos acima das possibilidades tem que se lhe diga de facto. Eu na minha rua então só via era Lamborghinis e Mercedes, no Verão estava tudo deserto porque ia toda a gente fazer um cruzeiro no Atlântico, as crianças andavam todas de farda por estarem inscritas num colégio privado, enquanto que os pais tinham salários de 800 euros, claro. Deve ser isto que é viver acima das possibilidades.
 Mais um chavão da Comunicação Social que entra na cabeça das pessoas e que as mesmas, qual autómatos, repetem incessantemente: "Vivemos acima das possibilidades, temos que nos sujeitar. Temos que dar o rabinho." São os tais belos parvos que eu falava à pouco...

Então e que país é esse onde na rua é só Lamborghinis e Mercedes, no Verão está tudo deserto porque toda a gente vai fazer um cruzeiro no Atlântico e as crianças andam todas de farda por estarem inscritas num colégio privado? (mas por acaso tenho de admitir que ainda não vi nenhum Audi A8 por cá, no entanto em Lisboa vi logo um passados 2 dias :P)

É que eu gostava de saber, a sério que sim. Eu não entendo como é que um casal com filhos que ganhe 1500€ por mês consegue manter uma casa, um carro, comida e as despesas do dia-a-dia, telemóvel, computador, internet, tv, despesas com a escola e outros pequenos luxos... é claro que não conseguem, só vivendo acima das possibilidades.

Se calhar as pessoas não têm noção disto, mas deveriam ter. Os itens que referi são complicados de manter para a generalidade da população de outros países europeus, então em Portugal não percebo mesmo.
 Essa do vivermos acima das possibilidades tem que se lhe diga de facto. Eu na minha rua então só via era Lamborghinis e Mercedes, no Verão estava tudo deserto porque ia toda a gente fazer um cruzeiro no Atlântico, as crianças andavam todas de farda por estarem inscritas num colégio privado, enquanto que os pais tinham salários de 800 euros, claro. Deve ser isto que é viver acima das possibilidades.
 Mais um chavão da Comunicação Social que entra na cabeça das pessoas e que as mesmas, qual autómatos, repetem incessantemente: "Vivemos acima das possibilidades, temos que nos sujeitar. Temos que dar o rabinho." São os tais belos parvos que eu falava à pouco...
 

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Precisamente.

Olhem eu desde que casei, em 1985 (faço este ano 25 anos de casado) fui à Madeira em lua de mel, fui há 5 anos outra vez à Madeira com a mulher e a filha passar um fim-de-semana, e fomos há 6 anos passar umas férias de 15 dias a Cádiz que até fomos de carro.

Nunca fui de férias para Maurícias, Seychelles, Canárias, Cuba, República Dominicana ou destinos desse tipo.

Nunca tive Lamborghinis, BMW, Mercedes ou similares.

E conheço muita mas muita gente que também não o fez.

Isso é viver acima das nossas possibilidades?

Não, o que se passou é que a sociedade portuguesa foi simplesmente enganada. Com o acesso ao crédito fácil, que pagava férias, casas, carros, operações plásticas, entradas em concertos musicais, cruzeiros de luxo, roupas de marca, etc., etc.

Muita gente pensava que estava a pagar com o dinheiro que ganhava, que os seus patrões lhes pagavam. Só que os patrões faziam precisamente a mesma coisa.

Agora, toda gente pensava que pagava as coisas com o seu dinheiro... Afinal, parece que não.
 Essa do vivermos acima das possibilidades tem que se lhe diga de facto. Eu na minha rua então só via era Lamborghinis e Mercedes, no Verão estava tudo deserto porque ia toda a gente fazer um cruzeiro no Atlântico, as crianças andavam todas de farda por estarem inscritas num colégio privado, enquanto que os pais tinham salários de 800 euros, claro. Deve ser isto que é viver acima das possibilidades.
 Mais um chavão da Comunicação Social que entra na cabeça das pessoas e que as mesmas, qual autómatos, repetem incessantemente: "Vivemos acima das possibilidades, temos que nos sujeitar. Temos que dar o rabinho." São os tais belos parvos que eu falava à pouco...
 

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Precisamente.

Olhem eu desde que casei, em 1985 (faço este ano 25 anos de casado) fui à Madeira em lua de mel, fui há 5 anos outra vez à Madeira com a mulher e a filha passar um fim-de-semana, e fomos há 6 anos passar umas férias de 15 dias a Cádiz que até fomos de carro.

Nunca fui de férias para Maurícias, Seychelles, Canárias, Cuba, República Dominicana ou destinos desse tipo.

Nunca tive Lamborghinis, BMW, Mercedes ou similares.

E conheço muita mas muita gente que também não o fez.

Isso é viver acima das nossas possibilidades?

Para grande parte da população portuguesa... é.

Muita gente não tem nem nunca teve capacidade para ter sequer um carro, mesmo com crédito, e no entanto o que se vê é toda a gente com carro, então pessoal da margem sul que vai trabalhar todos os dias para Lx com um único ocupante e largando 1 euro e meio na ponte (que dá "só" 400€ por ano deitados ao lixo). Isto não é sustentável, não com os padrões de produtividade de Portugal.
   Claro que se for um ricaço a fazer isso... já é sustentável. Se for um ricaço a esbanjar, 7 mansões, colecção de carros de luxo, 100 litros de gasolina por dia, 200 euros diários em portagens e por aí fora, não há problema. Nem se fala nele. Não entra para estas contas. É gente de bem. Agora, se for um cidadão de classe média (cada vez são menos), que não foge aos impostos, é cumpridor, tem filhos para sustentar e suportar, trabalha das 9 às 5 (e só não trabalha mais meia-hora "de borla" porque os "entendidos" "abdicaram" dessa imposição), a ter um pequeno luxo, uma simples comodidade, cai o Carmo e a Trindade. Aí está o caldo entornado. Então anda esse zé-ninguém mandrião de popó e a pagar portagens, só para se esquivar ao barco, e depois ao metro, e depois ao autocarro, e depois à camioneta? Se for ricaço ainda se compreende, agora um tótó da classe média, toca de alombar que não ganhas para isso nem mereces tais confortos e benesses. A virtude dos transportes públicos e da poupança é só para alguns, que para os outros é vergonha e defeito.

   Sinceramente, há aqui lógicas de argumentação que são muito pouco coerentes... mas já sabemos, quem pode, pode. E há uns que são mais iguais do que outros.
« Última modificação: Março 01, 2012, 15:45 pm por HULK VERDE »
Eu acho é que trabalhar e morar em Portugal, é viver acima das possibilidades.
Ordenados baixos e custo de vida elevado, torna mesmo a coisa insustentável.

Para grande parte da população portuguesa... é.

Muita gente não tem nem nunca teve capacidade para ter sequer um carro, mesmo com crédito, e no entanto o que se vê é toda a gente com carro, então pessoal da margem sul que vai trabalhar todos os dias para Lx com um único ocupante e largando 1 euro e meio na ponte (que dá "só" 400€ por ano deitados ao lixo). Isto não é sustentável, não com os padrões de produtividade de Portugal.

Aí dou-te 500% de razão.

Neste momento, tenho carro da empresa. Mas sempre andei de transportes para a escola, para o trabalho, para a faculdade (estudei em regime pós-laboral).

Ainda hoje, quando por qualquer motivo tenho reuniões em Lisboa ou por qualquer outro motivo, vou de transportes. O problema é que nem toda a gente faz como eu.

Também porque não quer ou também porque o nosso sistema de transportes deixa muito a desejar.

Mas recentemente tive que andar de transportes e vi que os mesmos vão cheios com todo o tipo de gente, de todas as origens e extratos sociais. Talvez esta crise faça com que as pessoas mudem a sua postura e se tornem menos gastadores.

Mas isso também vai requerer uma mudança de postura de bancos, comerciantes, etc.

Isso tem consequências a nível económico gravissimos pois a organização do sistema como estava até à crise assentava no ganhar e gastar dinheiro, ou seja, na circulação do capital.

Se o dinheiro não circula, os consumidores não consomem, as empresas não produzem, os investidores não investem, os comerciantes não vendem. Isso gera desemprego. Se gera desemprego, aumentam os encargos sociais do sistema previdencial. Sem emprego e sem produção, não se geram contribuições nem se pagam impostos. E a sustentabilidade do sistema vai abaixo.

[Estou a dizer aquilo que é óbvio para vocês, ainda mais que percebem de economia e de como é que estas coisas são...  :mrgreen:]

E depois como é que é?

É por isso que eu defendo que os pilares da sociedade em que vivemos não podem assentar sobre o dinheiro, sobre a finança. Têm que assentar sobre outras coisas, sobre valores imateriais. Mas isso, é outra história e se eu vou por aí, vocês expulsam-me do Fórum e eu não quero isso.  :mrgreen:





Nao é verdade que as populações andaram a viver acima das suas possibilidades, como se pode comprovar no seguinte gráfico respectivos a economia americana (embora a economia portuguesa, neste caso, deva ser similar).



É bom que se perceba que todos os lucros que andamos a produzir estes últimos anos foram sugados para o topo, portanto nao é verdade que as populações andaram a viver acima das suas possibilidades, a verdade é que uma quantia mínima de pessoas, o chamado 1%, tem andado a viver acima das suas possibilidades.

Gostava de ver prova de que as populações andaram a viver acima das suas possibilidades, se alguém a tiver, fico muito curioso mas aguardo pacientemente.

Quem anda a viver acima das possibilidades sao os CEOs das grandes multinacionais, já que:
Citação de: Financial Times
“US corporate profits are higher as a share of gross domestic product than at any time since 1950” (FT 1/30/12)

e também este pequeno detalhe:

Citação de: James Petras / Financial Times
Surveys of top corporations reveal that US companies are holding 1.73 trillion in cash, “the fruits of record high profit margins” (FT 1/30/12 p.6). These record profit margins result from mass firings which have led to intensifying exploitation of the remaining workers. Also negligible federal interest rates and easy access to credit allow capitalists to exploit vast differentials between borrowing and lending and investing. Lower taxes and cuts in social programs result in a growing cash pile for corporations. Within the corporate structure, income goes to the top where senior executives pay themselves huge bonuses. Among the leading S and P 500 corporations the proportion of income that goes to dividends for stockholders is the lowest since 1900 (FT 1/30/12, p.6)
Artigo publicado aqui

Como é possível então afirmar que não há recursos e que as populações andam a viver acima das suas possibilidades?

Citação de: James Petras / Financial Times
The pay of CEO’s as a multiple of the average worker went from 24 to 1 in 1965 to 325 in 2010 (FT 1/9/12, p.5)

Também é bom perceber que, o dinheiro que nos é emprestado a juros altíssimos (que aceitamos por estarmos sujeitos a salários baixíssimos), são os lucros acumulados fruto do nosso trabalho e que sem ter para onde ser investido, são então emprestados as massas.

Só não percebe isto quem anda enganado pelas tangas da mainstream media, que obviamente não vai dizer a verdade, primeiro porque pertencem aos mesmos grupos financeiros que os culpados, segundo porque mesmo que não pertencessem aos mesmo grupos financeiros, se dissessem a verdade perderiam os seus verdadeiros clientes, aqueles que pagam para anunciar nos seus produtos.


O gráfico foi tirado de um vídeo deste mesmo autor, que dá pelo nome de Richard D. Wolff, professor de economia dos EUA



Tenho a certeza que se alguns de vocês perdessem uns minutos a ver o que estes professores dizem, rapidamente constatavam que os factos são outros.

Para grande parte da população portuguesa... é.

Muita gente não tem nem nunca teve capacidade para ter sequer um carro, mesmo com crédito, e no entanto o que se vê é toda a gente com carro, então pessoal da margem sul que vai trabalhar todos os dias para Lx com um único ocupante e largando 1 euro e meio na ponte (que dá "só" 400€ por ano deitados ao lixo). Isto não é sustentável, não com os padrões de produtividade de Portugal.

Isso são dois argumentos distintos, um é acerca de salários demasiado baixos, o outro é em favor de se usar transportes públicos, nenhum deles prova que andamos a viver acima das nossas possibilidades.

Até concordo que temos salários baixos e que devíamos usar mais transportes públicos. Mas não concordo com o viver acima das possibilidades.
Essa questão dos carrinhos até à porta do emprego, dá mesmo que pensar!
Mas há muitos, muitos anos, quanto mais agora!
Num país destes... Nunca percebi, como têm "bagagem" para tal.

Chegando lá mais depressa mais cómoda e económicamente de comboio, por exemplo.
« Última modificação: Março 02, 2012, 10:34 am por Chico Gil »
QUERO    UM   SPORTING
CREDÍVEL  -  LIMPO  -  AMBICIOSO
É fazer contas... faz tu as contas... mete os juros de um emprestimo de uma casa de 200 000€, mete os juros de um emprestimo de um carro de 15 000€, mete a despesa mensal de telemovel incluindo aquisicao mais chamadas, mete internet, tv com 100 canais, mete telefone, conta da agua, conta da rede, conta do gas, conta da electricidade, conta do seguro do carro (seguro medio), conta da gasolina gasta, conta do seguro de saude, conta dos brinquedos do puto, conta da roupa do puto, conta dos livros e materiais da escola do puto, conta dos transportes de 1 do casal (o outro vai de carro), conta de 2 idas ao cinema, conta de 3 vezes em restaurante, conta de toda a comida num mes, conta de tudo o que entra para o recheio da casa, conta de uns quantos vinhos e bebidas...

... Junta tudo e compara com 1500€ de salario por mes. Os itens que referi sao perfeitamente normais da classe media, sem luxos ou sequer percalços.

Então, consegues aquilo tudo por menos de 1500€? Se sim, avisa.
Esqueci-me de meter na lista... Mete uma ou outra peça de roupa para o casal, mete as portagens diarias que o carro passa, mete mete um apartamento alugado a peso de ouro no algarve por 2 semanas e dilui isto pelos 12 meses do ano.
Paracelsus, sustentável é, como um amigo meu me contou que no dia em que saiu o iPad, um administrador da REN mandou comprar logo oito unidades, à conta da empresa...  isso sim é sustentável! Sustentável é ver um Bentley de 200 mil euros estacionado à porta de uma escola, com a chapa azul a dizer EP, veiculo no qual um administrador do Parque Escolar se deslocou a uma reunião!

Epá, isso sim é sustentável pá!!

Agora, o tuguinha mandrião, querer ter um carro, uma casa, um filho, comer alguma coisa decente e vestir algum farrapo decente já é viver acima das possibilidades. Sim, porque o facto de receber pouco e muito abaixo da média europeia é que é normal!

Lá está, é a mentalidade capitalista do: o que está mal é o individuo pretender ter uma vida melhor, e não o facto de se inserir num mercado que o remunera mal! Claro que ser mal remunerado não é o problema, como poderia ser?! Quanto menos se pagar ao trabalhador, mais capital se amealha, no fundo o objectivo cimeiro do capitalista!

Mas eu até dou o desconto, já estás há tantos anos na Suécia que te esqueces que em Portugal muita gente ganha uns miseros 500€ por mês, pagam impostos, mas não têm transportes públicos de qualidade (lá está, há quem prefira passar a ponte porque se calhar ainda lhe consegue ser mais barato do que apanhar 30 autocarros e 50 comboios para chegar ao trabalho). Curiosamente todos os que conheço que trabalham no centro de Lisboa e têm acesso ao metro, vão de metro!!  Mas pronto, levar o carro é um luxo de gente fútil!!

Tenham juizo, afinal de conta qual é o objectivo de vida do ser humano? Não é o de ser feliz e viver a vida o melhor que conseguir, e com o máximo de qualidade?! Pretender faze-lo, é viver acima das possibilidades? Estamos a entrar numa perigosa retórica de desumanização da vontade humana, onde o objectivo de felicidade dos indivíduos é substituído pelo sacrossanto ideal do trabalho. As pessoas trabalham para viver uma vida mais de acordo com os seus objectivos de felicidade, e não o contrário!! Pedir às pessoas que trabalhem, recebam pouco e não ousem pretender ter acesso ao lazer, ao ócio, ao prazer, no fundo à felicidade, é desumanizar totalmente a sociedade, é transformar as pessoas em escravos, em robots! Mas digo-te: isso sim é insustentável, e a História da Humanidade mostra-o tantas e tantas vezes!!
É fazer contas... faz tu as contas... mete os juros de um emprestimo de uma casa de 200 000€, mete os juros de um emprestimo de um carro de 15 000€, mete a despesa mensal de telemovel incluindo aquisicao mais chamadas, mete internet, tv com 100 canais, mete telefone, conta da agua, conta da rede, conta do gas, conta da electricidade, conta do seguro do carro (seguro medio), conta da gasolina gasta, conta do seguro de saude, conta dos brinquedos do puto, conta da roupa do puto, conta dos livros e materiais da escola do puto, conta dos transportes de 1 do casal (o outro vai de carro), conta de 2 idas ao cinema, conta de 3 vezes em restaurante, conta de toda a comida num mes, conta de tudo o que entra para o recheio da casa, conta de uns quantos vinhos e bebidas...

... Junta tudo e compara com 1500€ de salario por mes. Os itens que referi sao perfeitamente normais da classe media, sem luxos ou sequer percalços.

Então, consegues aquilo tudo por menos de 1500€? Se sim, avisa.

Nota-se perfeitamente que não vives em Portugal à muito tempo. Um casal de 1500 euros compra apartamentos de 100/120 mil euros, dá 10 mil por um carro em segunda mão, tem tvcabo de 60 canais, Internet (porque não podemos ter?), raramente vai a um restaurante, apenas em dias comemorativos, cinema idem aspas,... essa comparação com esses valores são completamente irrealistas. Conheço muitos casais amigos que ganham isso e vivem perfeitamente com 1500 mas não andam com o rei na barriga.

Tenham juizo, afinal de conta qual é o objectivo de vida do ser humano? Não é o de ser feliz e viver a vida o melhor que conseguir, e com o máximo de qualidade?! Pretender faze-lo, é viver acima das possibilidades? Estamos a entrar numa perigosa retórica de desumanização da vontade humana, onde o objectivo de felicidade dos indivíduos é substituído pelo sacrossanto ideal do trabalho. As pessoas trabalham para viver uma vida mais de acordo com os seus objectivos de felicidade, e não o contrário!! Pedir às pessoas que trabalhem, recebam pouco e não ousem pretender ter acesso ao lazer, ao ócio, ao prazer, no fundo à felicidade, é desumanizar totalmente a sociedade, é transformar as pessoas em escravos, em robots! Mas digo-te: isso sim é insustentável, e a História da Humanidade mostra-o tantas e tantas vezes!!

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Eu acho é que trabalhar e morar em Portugal, é viver acima das possibilidades.
Ordenados baixos e custo de vida elevado, torna mesmo a coisa insustentável.

Cada vez mais verdade.

A Goldfrapp há uns anos quis mudar para cá, Lisboa, mas desistiu. Não percebia como podia viver com o custo de vida alto e os salários baixos.

Nos últimos meses tudo subiu, e muito, mas os salários, nem um cêntimo.... E assim, não quem resista...
É de pensar que o Sporting é muito grande, e que são estas coisas que valem muito para um clube. São estas coisas que trazem sportinguismo ao clube. Isto não é quantificável. Isto não são 6%, 7%... Isto é o Sporting! Isso traz coisas muito importantes ao Sporting. Fervor sportinguista, acima de tudo! - João Benedito, 20-06-2010